O Catálogo Azul A Arte Contra-ataca! · Capítulo 5 de 16
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O Catálogo Azul

Teo levou Nina ao arquivo particular da Galeria Avelar usando a entrada do estacionamento, longe da recepção e das câmeras novas instaladas depois da vernissage. Lúcio ficou no ateliê com a amostra, esperando um mensageiro de confiança levar o tubo para fora da cidade. O arquivo ocupava uma sala sem janelas, cheia de armários deslizantes e caixas azuis com etiquetas escritas à mão. Teo destrancou a primeira fileira e explicou que Henrique Avelar separava catálogos por ano, comprador e origem da obra. Bárbara preferia planilhas, senhas e documentos sem poeira. Nina entendeu a diferença de método antes mesmo de abrir a primeira caixa.

O catálogo azul de mil novecentos e noventa e quatro estava guardado dentro de uma capa plástica, com a lombada marcada por uma fita branca. Nina abriu na página de A Mulher de Luvas Verdes e encontrou um recorte colado sobre o nome da artista. A cola era recente. Por baixo, havia a ponta de uma letra O e o começo de um sobrenome que não combinava com o pintor oficial. Teo tirou uma fotografia com a câmera analógica que carregava desde a noite anterior e escreveu a hora no verso do filme. Nina gostou do gesto, embora não dissesse. Ele estava aprendendo a produzir prova do jeito dela.

Na caixa seguinte, os dois encontraram recibos de transporte assinados por Rui Fontana, restaurador antigo que trabalhara para a galeria antes de desaparecer dos eventos. O nome dele surgia em três obras vendidas nos últimos anos e em todas havia troca de moldura, alteração de placa e prazo de restauro muito curto. Nina separou os recibos por data e percebeu que a primeira troca acontecera no mês seguinte ao desaparecimento de Olívia Vale. Teo ficou parado ao lado dela, olhando o nome da artista com uma expressão difícil de sustentar. O pai dele tinha mantido aquele catálogo longe da direção por um motivo claro.

A porta do arquivo abriu sem aviso. Malu Siqueira, fotógrafa da galeria, entrou com uma pilha de caixas vazias e parou ao ver os dois diante dos catálogos. Teo tentou assumir a conversa, porém Malu olhou direto para Nina e disse que a cópia digital da página antiga fora apagada do servidor naquela manhã. Ela tinha recuperado uma miniatura salva na pasta de pré-impressão e enviado para o próprio e-mail antes que o acesso caísse. Nina pediu para ver. Na tela do celular, a página inteira mostrava o nome de Olívia Vale, o mesmo número de lote e uma nota pequena sobre obra cedida pela artista para venda condicionada.

Malu fechou o celular quando ouviu passos no corredor. Disse que Bárbara convocara todos para uma reunião de dano reputacional e que o nome de Nina seria citado com documento jurídico. Teo recolheu o catálogo azul, mas Nina impediu que ele levasse a peça inteira. Arrancou apenas o recorte colado, guardou num envelope próprio e deixou o livro no lugar exato. A pressa não podia denunciar a visita ao arquivo. Quando saíram pela porta dos fundos, Malu entregou a Nina um cartão de memória escondido dentro de uma caixa de clipes. Nele, segundo ela, havia fotos do dia em que a pintura falsa chegou à galeria, três anos antes da morte de Henrique.

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