A Exposição Final A Arte Contra-ataca! · Capítulo 14 de 16
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A Exposição Final

A Galeria Avelar abriu as portas às dez da manhã com seguranças no hall, jornalistas no salão principal e Bárbara diante da parede vermelha onde A Mulher de Luvas Verdes tinha voltado a ser pendurada durante a madrugada. A diretora usava preto, cabelo preso e um texto impresso entre os dedos. Nina entrou pela porta comum, acompanhada de Elisa Vale, Lúcio, Malu, Sérgio e Teo. O delegado econômico vinha logo atrás, sem chamar atenção, com uma pasta de protocolo debaixo do braço. Bárbara percebeu a chegada antes da primeira pergunta da imprensa e interrompeu a própria fala por um segundo. Foi pouco, porém a câmera de Malu pegou.

Sérgio fez a primeira pergunta em voz alta. Pediu que a galeria explicasse por que a obra exposta com autoria oficial diferente possuía registro antigo em nome de Olívia Vale. Bárbara respondeu com a palavra erro, escolhida de propósito para parecer pequena. Nina então abriu a pasta sobre a mesa de apoio e colocou ali a etiqueta da moldura original, a cópia do catálogo azul, a foto da Sala 9 e o resultado do pigmento feito fora da cidade. Não falou sobre intenção. Mostrou datas. A pintura vendida como antiga trazia tinta fabricada depois de dois mil e oito. O recibo de Olívia vinha de mil novecentos e noventa e quatro.

Teo colocou o crachá de Henrique Avelar ao lado das provas e pediu, diante do conselho presente, que a venda da obra fosse suspensa até perícia independente. Bárbara tentou cortar a fala chamando aquilo de conflito familiar. Elisa Vale avançou um passo, abriu a caixa de madeira da irmã e retirou a fita de vídeo. Lúcio ligou o aparelho portátil preparado no ateliê de Nina. Na tela pequena, Olívia apareceu viva, segurando a pintura original e dizendo o próprio nome para a câmera. A sala ficou imóvel. A voz da artista não pedia vingança, só registro, autoria e pagamento da escola de arte que nunca recebeu nada.

O delegado entregou a Bárbara uma ordem de apreensão da obra, das placas de proveniência e dos documentos de venda privada ligados à Bruma Serviços de Arte. Otávio Lemos, chamado às pressas pela própria galeria, deixou o salão antes do fim da leitura. Dois investidores pediram cópia do protocolo e outro exigiu retirada imediata de seu nome da lista do leilão. Nina olhou para a pintura falsa no centro da parede e viu que a assinatura apagada já não era segredo técnico. Era assunto público, em voz alta, com câmera ligada e protocolo no bolso do delegado.

Bárbara assinou a ciência de apreensão sem olhar para Teo. Quando terminou, virou-se para Nina e disse que a restauradora acabara de destruir uma galeria de quarenta anos. Nina recolheu o laudo externo, fechou a maleta e respondeu que a galeria havia feito isso quando trocou a primeira placa. Elisa Vale ficou diante da obra por alguns segundos e não tocou no vidro. Depois pediu que o quadro verdadeiro fosse retirado da Sala 9 e entregue à perícia com o nome de Olívia visível no primeiro documento. A exposição final terminava com uma parede vermelha, um quadro falso lacrado e uma artista morta entrando de volta no catálogo.

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