A Prova no Verso A Arte Contra-ataca! · Capítulo 11 de 16
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A Prova no Verso

Teo abriu a porta técnica atrás das caixas usando uma chave pequena presa ao crachá de Henrique. A passagem levava a uma sala de manutenção com fios elétricos expostos, tubulações baixas e uma escada metálica que subia para o estacionamento. Nina passou primeiro, carregando a maleta e o celular com a gravação de Bárbara. Teo veio logo atrás com o recibo retirado do verso da tela original, dobrado dentro de um envelope de conservação. A assinatura de Olívia estava incompleta no papel, porém o número de lote batia com a etiqueta da moldura vazia, com o catálogo azul e com o convite do leilão. A prova começava a ter a mesma cara em todos os lugares.

No carro, Nina abriu o envelope sob a luz do painel e leu o recibo completo. Olívia entregara a obra à Galeria Avelar para venda consignada, com prazo de seis meses e obrigação de manter autoria no catálogo. O valor de comissão vinha rasurado, e no canto inferior havia a rubrica de Henrique ao lado de uma anotação. Revisar com Bárbara antes da publicação. Teo respirou fundo ao ver a letra do pai. Nina não tentou consolar. Disse apenas que a rubrica colocava Henrique perto da decisão, e que qualquer defesa dele exigiria documento melhor. Teo assentiu. Aquela honestidade feria menos que uma desculpa.

Lúcio recebeu os dois em seu laboratório improvisado já com as luzes apagadas na frente da molduraria. A amostra de pigmento tinha sido enviada para fora da cidade, e o primeiro retorno confirmava data posterior à morte de Olívia. Nina entregou o recibo, as fotos da Sala 9 e a gravação de Bárbara. Lúcio analisou tudo em silêncio, depois puxou um scanner portátil da gaveta e examinou o verso do papel. Sob luz rasante apareceu uma segunda escrita, pressionada no papel por uma folha retirada de cima. A frase indicava que a substituição deveria ocorrer antes da exposição de inverno, com pagamento final a Rui Fontana.

O nome de Bárbara ficava fora da frase. A pasta preta vista nas fotos de Malu tinha o mesmo número do recibo. Teo reconheceu a sequência porque era o código interno de venda privada da galeria. Nina juntou as imagens numa ordem simples. Catálogo antigo, moldura original, pigmento recente, lista de Olívia, tela verdadeira na Sala 9, recibo com marca de escrita e gravação de Bárbara ordenando retirada da obra. Lúcio disse que aquilo precisava sair de dentro do círculo de arte. Galeria, colecionador e leiloeiro resolvem segredo com dinheiro. Polícia econômica e imprensa cultural resolvem com registro público.

Antes do amanhecer, Nina recebeu outra mensagem anônima, desta vez com o endereço da antiga escola de arte citada por Elisa Vale. A escola fechara havia anos, mas o prédio ainda pertencia a uma associação de bairro. A mensagem dizia que Olívia deixara ali uma cópia da pasta A Arte Contra-ataca. Teo leu a tela e pegou as chaves sem perguntar. Nina guardou o recibo no cofre de Lúcio, ficou apenas com cópias fotografadas e saiu para a rua ainda escura. No banco do carro, a mão de Teo tocou a dela por acidente breve. Nenhum dos dois transformou o gesto em assunto. Havia prova demais sobre a mesa e pouco tempo para aprender o que fazer com o resto.

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