A Nota de Imprensa A Arte Contra-ataca! · Capítulo 13 de 16
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A Nota de Imprensa

A nota da Galeria Avelar saiu às quatro da tarde, antes que Nina chegasse à delegacia econômica. O texto chamava a denúncia de ataque coordenado, acusava uma restauradora terceirizada de violar protocolos e informava que Teo Avelar estava afastado de toda função curatorial até apuração interna. A fotografia escolhida mostrava Nina no laboratório de Lúcio, de costas para a bancada, captada no dia do roubo do parecer. Em menos de meia hora, os mesmos perfis que tinham espalhado a acusação inicial repetiam a nova versão. Nina leu tudo no banco de plástico da delegacia, com a pasta de Olívia apoiada sobre os joelhos.

O delegado responsável por crimes econômicos recebeu os documentos com cautela. Pediu origem de cada peça, confirmou a presença de Lúcio por chamada de vídeo e registrou o cartão de memória de Malu em envelope próprio. Sérgio Meira esperou no corredor, sem publicar uma linha. Teo ficou de pé perto da porta, afastado por escolha, pois sabia que seu sobrenome poderia contaminar a leitura da denúncia. Nina notou a distância e não pediu que ele se aproximasse. A separação momentânea ajudava. O caso precisava parecer maior que uma briga entre herdeiro e diretora.

Quando o protocolo foi assinado, Nina enviou a Sérgio apenas três itens liberados pelo delegado. A foto original de Olívia com a obra, a página do catálogo azul e a imagem da etiqueta retirada da moldura vazia. O jornalista publicou uma chamada curta, sem adjetivo, perguntando por que a Galeria Avelar vendia como obra de outro artista uma pintura registrada em nome de Olívia Vale. A resposta veio rápido. Colecionadores pediram suspensão da exposição final, o leiloeiro Otávio Lemos cancelou participação pública e Bárbara convocou entrevista no salão principal da galeria para a manhã seguinte.

Teo recebeu a convocação do conselho por e-mail. Seu acesso ao prédio estava suspenso, mas o convite para a entrevista permanecia ativo por pressão dos investidores. Nina disse que ele deveria ir. Ele respondeu que, se entrasse sozinho, Bárbara o trataria como herdeiro descontrolado. Se entrasse com Nina, a galeria diria que os dois fabricaram ataque por interesse. Nina guardou o protocolo na pasta e perguntou o que restava. Teo olhou para a foto de Olívia na tela do celular e respondeu que restava levar a própria artista para dentro da exposição. Elisa Vale ainda tinha telas originais, alunos antigos e uma gravação com data.

Naquela noite, no ateliê de Nina, os quatro montaram a resposta. Lúcio preparou o resumo técnico, Malu organizou as fotografias, Sérgio revisou a ordem de publicação e Elisa levou a caixa de Olívia para o centro da mesa. Teo ficou perto da janela, observando a rua antes de se aproximar de Nina com uma xícara de café. Ela aceitou sem comentário. O gesto foi simples, quase doméstico, e por isso mesmo deslocou a noite por um segundo. Depois Nina abriu a pasta A Arte Contra-ataca e separou a última página. Nela, Olívia havia desenhado a sala principal da galeria e marcado com caneta vermelha a parede exata onde o quadro falso seria pendurado.

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