O Quadro Devolvido A Arte Contra-ataca! · Capítulo 15 de 16
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O Quadro Devolvido

Dois dias depois, a obra verdadeira saiu da Sala 9 dentro de uma caixa própria, acompanhada por peritos, pelo delegado e por Elisa Vale. Nina ficou na entrada do depósito com Lúcio, vendo a tela ser aberta apenas o suficiente para confirmar assinatura, estado de conservação e número antigo de lote. A luva verde tinha pequenas perdas de tinta no canto inferior, e o fundo marrom preservava marcas que a versão falsa jamais conseguiu copiar. Elisa chorou sem som quando viu o nome da irmã no canto da tela. Teo permaneceu perto da porta, afastado por respeito, embora o sobrenome dele estivesse escrito em quase todos os papéis ruins daquela semana.

O conselho da Galeria Avelar afastou Bárbara ainda naquela manhã. O comunicado público falava em investigação interna, bloqueio de venda e colaboração com autoridades. Sérgio publicou a reportagem completa com os documentos liberados pela delegacia, e o nome de Nina apareceu no título pela primeira vez sem acusação. Restauradora identifica fraude em acervo de luxo. Ela leu a chamada uma vez e fechou o celular. Não havia comemoração fácil ali. O nome dela tinha sido usado, depois limpo por prova, e isso deixava cansaço onde outros esperavam euforia.

Teo pediu reunião no ateliê antes de voltar à galeria. Chegou sem motorista, sem paletó e com uma pasta simples na mão. Dentro havia uma renúncia formal ao cargo de curador enquanto o conselho revisasse o acervo inteiro. Nina leu em silêncio. Ele explicou que não queria comandar uma limpeza que também precisava alcançá-lo. Ficaria disponível para entregar documentos, responder pelos acessos usados e devolver à família Vale qualquer valor ligado à obra de Olívia. Nina apoiou a folha sobre a bancada e perguntou se aquilo era gesto público ou escolha real. Teo respondeu que público era a parte mais fácil. O resto começaria depois, quando ninguém estivesse fotografando.

Elisa levou a tela verdadeira para perícia e pediu que, depois do processo, a obra fosse exibida na antiga escola de arte. Nina aceitou ajudar no restauro sem cobrar honorários, desde que tudo fosse registrado e acompanhado por Lúcio. Malu ofereceu fotografar o processo para o arquivo da família Vale. A sala da escola, antes fechada, começou a receber mesas, cavaletes e uma vitrine simples para as cartas de Olívia. O quadro voltaria para a parede certa antes de qualquer venda. Dessa vez, com nome inteiro, data certa e contrato lido por quem precisasse ler.

Na última tarde de montagem, Nina encontrou Teo no corredor da escola segurando uma caixa de catálogos novos. Ele mostrava menos pressa, talvez por estar fora do prédio da família e sem plateia para impressionar. Nina pegou metade da caixa, e os dois seguiram juntos até a sala principal. No catálogo da escola, a primeira página trazia a reprodução de A Mulher de Luvas Verdes com autoria de Olívia Vale. Abaixo, em letras menores, vinha a ficha técnica assinada por Nina Falcão e Lúcio Ferraz. Teo passou os dedos pelo nome da artista, fechou o catálogo e deixou sobre a mesa, como quem devolve um objeto no lugar correto.

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