O Leilão Fechado A Arte Contra-ataca! · Capítulo 8 de 16
Obra Menu

O Leilão Fechado

O convite para o leilão fechado chegou ao celular de Teo meia hora depois do alarme no armazém. Bárbara avisava que a venda privada fora antecipada para aquela noite e que investidores estrangeiros já estavam na cidade. Teo leu a mensagem duas vezes, depois entregou o aparelho a Nina. A decisão da galeria tinha lógica. Se a obra falsa fosse vendida depressa, a prova mudaria de mãos, o comprador exigiria sigilo e qualquer discussão técnica viraria disputa comercial. Nina abriu a maleta no banco do carro e conferiu o envelope com a etiqueta original. A moldura vazia já bastava para derrubar a placa nova. Faltava ligar a peça ao lote em venda.

Malu conseguiu dois crachás de apoio para a noite, um de fotógrafo extra e outro de assistência técnica. Nina entrou pela lateral usando roupa preta, cabelo preso e uma pasta rígida sob o braço. Teo entrou pela frente, cumprimentando colecionadores, fazendo o papel que a família esperava dele. No salão reservado, A Mulher de Luvas Verdes não estava na parede principal. A obra fora transferida para uma sala menor, atrás de cortina bege, onde compradores recebiam catálogo impresso e champanhe sem rótulo. Nina passou pela porta com a cabeça baixa e viu o número do lote preso ao cavalete. Era o mesmo número da foto antiga entregue por Teo.

O leiloeiro Otávio Lemos comandava a sala com voz baixa e sorriso de homem que nunca pergunta demais. Bárbara ficava perto da mesa de lances, acompanhada por dois advogados. Nina fotografou a base do cavalete, a placa nova, o selo de transporte e a assinatura falsificada no catálogo de venda. Depois passou a câmera para Malu, que fingia ajustar a luz perto dos convidados. Teo se aproximou de Bárbara e falou alto o suficiente para Nina ouvir do outro lado da cortina. Perguntou por que a obra estava sendo vendida sem novo parecer técnico depois da denúncia da noite anterior. Bárbara respondeu que parecer técnico serve a quem paga por ele.

Nina entrou na sala menor no instante em que Otávio abriu o primeiro lance. Não interrompeu a venda. Apenas se posicionou perto da obra e pediu ao assistente que afastasse a cortina para reduzir reflexo na foto oficial. O assistente obedeceu por hábito. A luz direta expôs a diferença de cor no canto da luva e revelou a linha da tinta azul sob o verde. Dois compradores se inclinaram para olhar. Bárbara atravessou a sala com pressa contida e segurou o braço de Nina perto do cotovelo. Teo chegou antes que a diretora falasse. Colocou a etiqueta original da moldura vazia sobre a mesa de lances e pediu que Otávio lesse o nome em voz alta.

O leilão parou por segundos que valeram mais que qualquer discurso. Otávio pegou a etiqueta, viu o nome de Olívia Vale e baixou o rosto para o catálogo. A sala perdeu a confiança. Um comprador pediu a suspensão do lote, outro exigiu a proveniência completa e um advogado de Bárbara tentou recolher a etiqueta sem autorização. Nina tirou do bolso a foto da moldura vazia e colocou ao lado da peça original. Teo, enfim, deixou de parecer convidado e passou a falar como curador responsável. Disse que o lote seria retirado até apresentação de prova técnica externa. Bárbara olhou para ele com uma frieza antiga. Então avisou que Teo acabara de perder acesso ao acervo da própria família.

1/1
Menu

Fazer anotação