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O Pássaro Azul

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O Pássaro Azul

Capítulo 33 · O Pássaro Azul

Décimo Segundo Quadro - Parte 2

33 de 33 ≈ 5 min de leitura

Teu pássaro... Para o caso que fazes dele... Nem sequer olhas mais para ele... Ela morre de vontade de tê-lo há tanto tempo!...

TYLTYL

Olha, é verdade, meu pássaro... Onde está ele?... Ah! mas eis a gaiola!... Mytyl, vês a gaiola?... É a que o Pão carregava... Sim, sim, é exatamente a mesma; mas agora só há um pássaro... Então ele comeu o outro?... Olha, olha!... Mas ele é azul!... Mas é minha rolinha!... Mas ela está muito mais azul do que quando parti!... Mas este é o Pássaro Azul que nós procuramos!... Fomos tão longe, e ele estava aqui!... Ah! isso é espantoso!... Mytyl, vês o pássaro?... Que diria a Luz?... Vou desprender a Gaiola... [Ele sobe numa cadeira e desprende a gaiola, que traz à Vizinha.] Ei-la, senhora Berlingot... Ele ainda não está inteiramente azul; isso virá, vereis... Mas levai-o depressa à vossa menininha...

A VIZINHA

Não?... De verdade?... Tu mo dás, assim, agora mesmo e de graça?... Deus! como ela vai ficar feliz!... [Beijando Tyltyl.] Preciso te beijar!... Vou correndo!... Vou correndo!...

TYLTYL

Sim, sim; ide depressa... Há alguns que mudam de cor...

A VIZINHA

Voltarei para vos dizer o que ela terá dito...

[Ela sai.]

TYLTYL, [depois de olhar longamente ao redor.]

Papai, Mamãe; que fizestes com a casa?... É a mesma coisa; mas está muito mais bela...

O PAI TYL

Como, está mais bela?...

TYLTYL

Mas sim, tudo foi repintado, tudo está renovado, tudo reluz, tudo está limpo... Não era assim no ano passado...

O PAI TYL

No ano passado?...

TYLTYL, [indo à janela.]

E a floresta que se vê!... Como é grande, como é bela!... Dir-se-ia que é nova!... Como somos felizes aqui!... [Indo abrir a arca.] Onde está o Pão?... Olha, eles estão bem tranquilos... E depois, aí está Tylô!... Bom dia, Tylô, Tylô!... Ah! como lutaste bem!... Lembras-te, na floresta?...

MYTYL

E Tylette?... Ela me reconhece bem, mas já não fala...

TYLTYL

Senhor Pão... [Apalpando a testa.] Olha, já não tenho o Diamante! Quem tomou meu chapeuzinho verde?... Paciência! já não preciso dele... — Ah! o Fogo!... Como é bom!... Crepita rindo para fazer a Água se enfurecer... [Correndo à fonte.] — E a Água?... Bom dia, Água!... Que diz ela?... Fala sempre, mas já não a compreendo tão bem...

MYTYL

Não vejo o Açúcar...

TYLTYL

Deus, como estou feliz, feliz, feliz!...

MYTYL

Eu também, eu também!...

A MÃE TYL

Que têm eles para girarem assim?...

O PAI TYL

Deixa, não te inquietes... Estão brincando de ser felizes...

TYLTYL

Eu gostava sobretudo da Luz... Onde está sua lâmpada?... Pode-se acendê-la?... [Olhando ainda ao redor.] Deus! como tudo isto é belo e como estou contente!...

[Batem à porta da casa.]

O PAI TYL

Entrai, pois!...

[Entra a Vizinha, segurando pela mão uma menininha de beleza loura e maravilhosa, que aperta nos braços a rolinha de Tyltyl.]

A VIZINHA

Vede o milagre!...

A MÃE TYL

Não é possível!... Ela anda?...

A VIZINHA

Ela anda!... Isto é, corre, dança, voa!... Quando viu o pássaro, saltou assim, de um pulo, para a janela, para ver à luz se era mesmo a rolinha de Tyltyl... E depois, pfff!... para a rua, como um anjo... Mal consegui acompanhá-la...

TYLTYL, [aproximando-se, maravilhado.]

Oh! como ela se parece com a Luz!...

MYTYL

É muito menor...

TYLTYL

Certo!... Mas ela crescerá...

A VIZINHA

Que dizem eles?... Ainda não vai bem?...

A MÃE TYL

Vai melhor, isso passa... Quando tiverem tomado o desjejum, já não parecerá nada...

A VIZINHA, [empurrando a menininha para os braços de Tyltyl.]

Vamos, vai, minha pequena, vai agradecer a Tyltyl...

[Tyltyl, subitamente intimidado, recua um passo.]

A MÃE TYL

Então, Tyltyl, que tens?... Tens medo da menininha?... Vamos, beija-a... Vamos, um grande beijo... Melhor que isso... Tu, tão atrevido de costume!... Mais um!... Mas que tens, afinal?... Dir-se-ia que vais chorar...

[Tyltyl, depois de beijar desajeitadamente a menininha, fica por um momento de pé diante dela, e as duas crianças se olham sem nada dizer; depois, Tyltyl acaricia a cabeça do pássaro.]

TYLTYL

Ele é suficientemente azul?...

A MENININHA

Mas sim, estou contente...

TYLTYL

Vi outros mais azuis... Mas os inteiramente azuis, sabes, por mais que se faça, não se consegue apanhá-los.

A MENININHA

Não faz mal, ele é bem bonito...

TYLTYL

Ele comeu?...

A MENININHA

Ainda não... Que é que ele come?...

TYLTYL

De tudo, trigo, pão, milho, cigarras...

A MENININHA

Como é que ele come, dize?...

TYLTYL

Com o bico, vais ver, vou te mostrar...

[Ele vai pegar o pássaro das mãos da menininha; esta resiste instintivamente e, aproveitando a hesitação de seu gesto, a rolinha escapa e voa.]

A MENININHA, [soltando um grito de desespero.]

Mamãe!... Ele se foi!...

[Ela rompe em soluços.]

TYLTYL

Não é nada... Não chores... Eu o apanharei de novo... [Avançando para a boca de cena e dirigindo-se ao público.] Se alguém o encontrar, faria o favor de nos devolver?... Precisamos dele para sermos felizes mais tarde...

PANO

O Pássaro Azul

Sinopse

Tradução integral em português-BR de L'oiseau bleu, féerie em seis atos e doze quadros de Maurice Maeterlinck, preparada pelo Literunico a partir do texto francês em domínio público do Project Gutenberg para a Copa do Mundo Literunico.

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