Universo da obra
Universo da obra
§ 1. Depois que o senhor de Bois le Conte, sobrinho de Nicoláo de Villegagnon, que antes de nós estava em Onfleur, ahi mandou, á custa do rei, aparelhar em guerra trez excelentes navios, fornecidos, como foram, de viveres e outras couzas para a viagem, aos 19 de Novembro embarcamos n’eles.
O dito senhor de Bois le Conte, que, com cerca de 80 pessoas entre soldados e marujos estava em um dos navios xamado Petite Roberge, foi eleito nosso vice-almirante.
Eu embarquei em outro navio xamado Grand Roberge, no qual éramos ao todo 120 pessoas, e tinhamos por Capitão o senhor de Santa Maria, apelidado Espine, e por mestre um tal João Humbert, de Onfleur, bom piloto, e experimentado na arte da navegação, como mostrou satisfatoriamente.
No outro barco, que xamava-se Rosée, em razão do nome de quem o conduzia, iam quazi 90 pessoas, incluzive seis rapazes, que levávamos para aprender a lingua dos selvagens, e cinco raparigas com uma matrona para as quaes foram as primeiras mulheres francezas vindas á terra do Brazil, cuja xegada cauzou extrema admiração aos selvagens d’esse paiz, que, como adiante veremos, nunca tinham visto damas vestidas.
§ 2. Assim n’esse mesmo dia quazi ao meio-dia damos vélas ao vento na sahida do porto de Onfleur; e as salvas belicas, trombetas, tambores, pifanos, e, outras demonstrações festivas, que se costumam fazer aos navios quando vam viajar, não nos faltaram.
Fomos primeiramente ancorar na enseada de Caulx, que está no mar uma legoa além de Havre de Grace; e la, conforme o costume dos marujos empreendedores de viagens em paizes, depois de terem os mestres e capitães feito revista e verificado o numero certo dos soldados e marinheiros, mandaram levantar ancora, e podemos á tarde penetrar no mar. Todavia como partio-se a amarra do navio, em que eu estava, por isso suspendeo-se com grande dificuldade, e sómente no dia seguinte podemos dezaferrar.
§ 3. No dito dia 20 de Novembro, deixando terra, começamos a navegar n’esse grande e impetuozo mar Oceano, e descobrimos e, costeamos a Inglaterra, que deixamos á destra: e desde então perseguio-se grande agitação das ondas por 12 dias, durante os quaes, não obstante estarmos todos infermos da molestia abitual aos que andam no mar, nenhum de nós dirá, que não se sentisse muito assustado com tamanho movimento.
E de fato principalmente os que nunca tinham experimentado ares maritimos, nem dansado tal dansa, vendo o mar tam altaneiro e agitado, pensavam a cada golpe das ondas e a todo o momento, que as vagas nos fariam submergir. Na verdade é couza admiravel vêr, que um navio de madeira, por mais forte e maior que seja, possa assim rezistir ao furor de tam terrivel elemento.
§ 4. Pois embora os navios sejam construidos de madeira grossa, bem ligada, cavilhada e bem alcatroada, tendo aquele em que eu estava quazi oito toezas de comprimento e trez e meia de largura, o que é isso em comparação d’esse báratro, e d’essa largueza, profundidade e abismo d’agua, como é esse mar do poente?
Portanto sem amplificar mais este assunto, direi apenas de passagem, que não poderemos assás apreciar tanto em geral a arte da navegação como em particular a invenção da agulha de marear, com a qual nos dirigimos, e cujo uzo todavia, não passa além de 250 annos, como escrevem alguns autores.
Fomos pois assim inquietados, e navegamos com grandes dificuldades até o decimo terceiro dia depois do nosso embarque, quando Deos aplacou as ondas e a tempestade do mar.
§ 5. No domingo seguinte encontramos dois navios mercantes de Inglaterra, que vinham da Espanha; os nossos marinheiros os abordaram, e como n’eles avia preza, por pouco o deixaram de saquear. Conforme o que já dice, os nossos trez navios estavam bem providos de artilharia e, outras munições de guerra, por isso os nossos marinheiros mostravam-se altivos e fortes, quando navios mais fracos apareciam á sua dispozição, e não tinham portanto segurança alguma.E cumpre (pois vem a propozito), que eu diga aqui de passagem, que, n’este primeiro encontro de navio, vi praticar no mar o que mais frequentemente tambem se pratica em terra; a saber, que aquele que tem armas em punho e é mais forte, supera e dá leis ao companheiro.é, que os senhores marinheiros, fazendo arriar velas, e aproximar os mizeros navios mercantes, alegam ordinariamente, que andam por muito tempo, forçados pelas tempestades e calmarias, sem poder tomar terra nem porto, e estam no mar necessitados de viveres, de que pedem para ser supridos, mediante pagamento.
§ 6. Si porém sem este pretesto podem por pé a bordo do vizinho, não pergunteis, si vam impedir o navio de afundar-se; ali o descarregam de tudo quanto lhes parece bom e proveitozo.si por ventura alguem adverte (como de fato sempre o faziamos), que nenhuma ordem existe para assim saquearem indiferentemente, amigos e inimigos, respondem com o estribilhcomum dos nossos soldados de terra em cazo similhante, dizendo ser da guerra e de costume; e que portanto dezempenha o seo oficio quem segue os estilos.
§ 7. Além d’isso direi, á maneira de prefacio, bazeado em exemplos adiante expostos, que os Espanhóes, e ainda mais os Portuguezes, gabando-se de serem os primeiros descobridores da terra do Brazil, e tambem de todo o continente desde o estreito de Magalhães, que fica aos 50 gráos do lado do pólo antartico, até o Perú, e ainda áquem do equador, sustentam, que saiu senhores d’esse paiz, e alegam que os Francezes, que por ele viajam, sam uzurpadores; e por isso si os encontram no mar, e contam vantagem, fazem-lhes tal guerra, que xegam a ponto de os esfolar vivos, e dar-lhes outros generos de morte cruel.
Os Francezes, sustentando o contrario, afirmam, que têem parte n’esses paizes novamente conhecidos, e não cedem voluntariamente aos Espanhóes e menos aos Portuguezes, mas defendem-se valentemente, e muitas vezes dam o troco aos seos inimigos; os quaes (falando sem jatancia) não ouzariam abordal-os nem atacal-os, si não se considerassem muito mais fortes e em maior numero de navios.
§ 8. Ora, voltando á nossa viagem,direi, que o mar,continuou empolado, e esteve por espaço de seis ou sete dias tam rude, que não só vi por muitas vezes as vagas altearem-se e correrem por cima do convés do nosso navio, mas tambem rezamos todos nós o salmo 107 por cauza do furor das ondas, tinhamos desfalecidos os sentidos, cambaleavamos como ebrios, e o navio abalava tanto que não avia marinheiro, por mais veterano que fosse, que se podesse conservar de pé.
E com efeito (como diz o mesmo salmo) quando d’este modo em tempo de tormenta no mar somos repentinamente levados ácima d’essas espantozas montanhas d’agua, que parece subirmos até o céo, entretanto subitamente decemos tam baixo, que parece querermos submergir-nos nos mais profundos abismos, subzistindo assim, digo eu, no meio de um milhão de sepulcros, não é vêr as grandes maravilhas de Deos ? É bem certo, que sim.
§ 9. Como em consequencia de tal agitação das furiozas ondas o perigo muitas vezes aproxima-se dos embarcadiços, tanto quanta é a espessura das taboas, de que sam construidos os navios, lembrei-me do poeta, que dice, que aqueles que andam no mar apenas distam da morte quatro dedos, e ás vezes menos; por isso parafrazeei e amplifiquei, para mais expressa advertência aos navegantes, os seguintes versos:
Quoi que par la mer par son onde bruyante,
Face herisser de peur cil qui la hante,
Ce nonobstant l’homme se fie au bois,
Qui d’espesseur n’a que quatre ou cinq doigts
De quoy est faict lê vaisseau, que lê porte
Ne voyant pás qu’il vit en telle sorte
Qu’il a la morte á quatre doigts de luy
Reputer fol on peut donc bien celuy
Qui va sur mer, si en Dieu se ne fie,
Car c’est Dieu seul qui peut sauver as vie.
§ 10. Depois de cessar a tempestade, aquele que torne o tempo cal tranqüilo, quando lhe apraz, mandou-nos vento galerno, xegamos ao mar de Espanha, e no quinto dia de Dezembro axamos-nos na altura do cabo de São Vicente.
N’este logar encontramos um navio da Irlanda, no qual os nossos marinheiros, sob o pretesto já dito de falta de viveres, tomaram seis ou sete pipas de vinho de Espanha, figos, laranjas, e outras couzas, de que vinha carregado.
§ 11. Passados sete dias aproximamos-nos de trez ilhas, xamadas pelos pilotos da Normandia Gracioza, Lancerote, e Forteaventura, que sam as ilhas Afortunados.
Presentemente sam em numero de sete, conforme julgo, todas abitadas por Espanhóes; e embora marquem alguns nas suas cartas e ensinem os seos livros, que estas ilhas Afortunadas estam situadas apenas em 11 gráos aquém do equador, e por conseqüência, no entender d’eles, estariam dentro da zona tórrida, eu digo por ter visto tomar altura com o astrolábio, que elas ficam com certeza aos 28 gráos na direção do pólo ártico. Por tanto cumpre confessar, que existe erro de 17 gráos, e que eses autores, enganando a si e aos outros, se afastam de nós.
§ 12. N’esses lugares, em que puzemos bateis ao mar, 20 pessoas nossas, entre soldados e marinheiros, meteram-se nos bateis com falconetes, mosquetes e outras armas, e tratavam de ir prear n’essas ilhas Afortunadas; quando porem estavam a bordo, os Espanhóes, que já os tinham descoberto, os repulsaram de tal modo, que em vez de saltarem em terra, apressadamente retiraram-se para o mar.
Todavia voltearam, e tanto giraram, que por fim encontraram uma caravela de pescadores (os quaes, vendo os nossos dirigirem-se a eles, salvaram-se em terra, e abandonaram a sua embarcação), e depois de terem-se apossado d’ela, não só tomaram grande quantidade de lixa seca, bússolas, e tudo quanto axaram, inclusive algumas velas, que trouxeram, mas também, não podendo fazer maior mal aos Espanhóes, dos quaes pretendiam vingar-se, meteram a pique com golpes de maxado uma barca e um batel, que estavam proximos.
§ 13. Durante trez dias, porque nos demoramos perto d’estas ilhas Afortunadas, emquanto o mar esteve calmo, apanhamos tamanha quantidade de peixe com redes de pescaria e com anzoes, que, depois de comermos á farta, fomos obrigados a lançar ao mar mais de metade do pescado, porque não tinhamos agua doce com abundancia para. nos saciar a sede.
As especies eram dourados, lixa, e varias outras qualidades, cujos nomes ignoramos; todavia algumas eram das que os marinheiros denominam sardas, que é uma especie de peixe, que não so tem corpo tam pequeno que parece estarem juntas a cabeça e cauda (a qual não obstante é proporcionalmente larga), mas ainda a cabeça imita a um capacete de crista, e é de forma assás estraordinaria.
§ 14. Na quarta feira pela manhan, 16 de Dezembro, o mar agitou-se repentinamente e as vagas enxeram tam subitamente a barca, que desde o regresso das ilhas Afortunadas estava amarrada ao nosso navio, que não so submergio-se e perdeo-se, mas tambem dois marinheiros, que n’ela estavam para guarnecel-a, ficaram em tamanho perigo, que apenas os podemos salvar e recolher ao navio, atirando-lhes cabos apressadamente.
E alem d’isso direi tambem, como couza notavel, que quando o nosso cozinheiro durante essa tempestade (que durou quatro dias) poz pela manhan toucinho em uma grande celha de madeira para tirar o sal, veio um golpe de mar, que deo com impeto sobre o convés, e lançando a celha fora do navio na distancia de mais do comprimento de um dardo, outra vaga veio subtimente do lado oposto, e sem entornar a vazilha atirou-a sobre o convés com o conteúdo, de modo que isso restituio-nos o jantar, o qual, como se costuma dizer, já ia por agua abaixo.
§ 15. Ora, na Quinta-feira, 18 do dito mez de Dezembro, descobrimos a Gran-Canaria, qual no domingo seguinte nos aproximamos até muito perto; mas por cauza do vento contrario, embora tivessemos deliberado tomar refrescos ali, não nos foi possivel por pé em terra.
É uma formoza ilha abitada prezentemente por Espanhóes, na qual crece muita cana de assucar, e bom vinhedo; e é ela tam alta, que a podemos ver da distancia de 25 ou 30 legoas. Alguns a xamam por outro nome Pico de Tenerife, e pensam ser a que os antigos denominavam monte Atlas, donde procede a denominação do mar Atlantico
Todavia afirmam outros, que a Gran-Canaria e o Pico de Tenerife sam duas ilhas separadas; mas eu refiro-me ao que na verdade é.
§ 16. N’este mesmo dia domingo descobrimos uma caravéla de Portugal, a qual ficava ao nosso sotavento; e vendo por isso os que n’ela estavam, que não poderiam rezistir nem fugir, arriaram vélas, e vieram entregar-se ao nosso vice-almirante.
Assim os nossos capitães, que já muito antes tinham combinado entre si arranjar-se (como oje se diz) com algum navio, que sempre esperaram tomar dos Espanhóes ou dos Portuguezes, meteram gente nossa na caravéla, sem licença, afim de melhor dominal-a, e assegurar-se d’ela.
Todavia por considerações que tiveram para com o mestre d’esta, diceram, que no cazo de que ele podesse rapidamente descobrir e aprezar outra caravéla n’essas paragens, lhe restituiriam a sua, e que por sua parte ele antes dezejaria, que a perda recahisse sobre o vizinho do que sobre ele; depois do que, conforme o seo pedido, deo-se-lhe uma das nossas xalupas armada de mosquetes com 20 dos nossos soldados e parte da sua gente, e por ser verdadeiro pirata, como eu creio que o era, seguio muito adiante dos nossos navios, afim de melhormente dezempenhar o seo papel e não ser descoberto.
§ 17. Ora, costeamos então a Barbaria, abitada por Mouros, da qual escavamos afastados mais de duas legues, e conforme foi cuidadozamente observado por muitos d’entre nós, é terra plana e tam baixa que, quanto nossa vista podia estender-se, sem divulgar montanhas nem objétos, parecia-nos que estavamos superiores a toda essa região, a qual devia incontinente submergir-se, e que nós e os nossos navios iamos passar por cima d’ela.
E na verdade, parecendo á inspeção vizual ser assim em quazi todas as praias do mar, n’este lugar ainda mais notavel tornava-se o espectáculo, contemplando-se do outro lado o mar agitado, erguido em grande e espantoza montanha; e recordando-me do que a este respeito diz a Escritura, eu contemplava esta obra de Deos com suma admiração.
§ 18. Volto aos nossos piratas, os quaes, como já dice, nos tinham precedido na barca, e aos 25 de Dezembro, dia de, natal, encontraram uma caravéla espanhola, e dirigindo-lhe alguns tiros de mosquete, a tomaram á força e a trouxeram para junto dos nossos navios.
E como era bonita embarcação, e estava carregada de sal, isto agradou muito aos nossos capitães, e conforme a combinação, que já mencionei, de pretenderem arranjar algum navio, a trouxeram comnosco para a terra do Brazil ás ordens de Nicoláo de Villegagnon.
Verdade é, que manteve-se a promessa feita aos Portuguezes, autores da preza, de se lhes entregar a sua caravéla; mas os nossos marinheiros (crueis como o foram n’esse lugar), pondo os Espanhóes esbulhados do seo navio de mistura com os Portuguezes, não só não deixaram a essa pobre gente um pedaço de biscouto nem de outros viveres, como tambem (o que ainda é peior) rasgaram-lhes as velas, e até tiraram-lhes o escaler, sem a qual não poderiam aproximar-se de terra nem dezembarcar; e assim, creio eu, melhor seria então afundal-os do que deixal-os em tal estado.
Com efeito, ficando assim á mercê das ondas, si algum barco não sobreveio para socorrel-os, é certo, que por fim ou submergiram-se ou morreram de fome.
§ 19. Depois de praticada esta barbara proeza, realizada com grande pezar de muitos, fomos impelidos por vento de lesuéste, que nos era propicio, e penetramos assás no mar alto.
E afim de não ser enfadonho ao leitor, referindo particularmente todas as tomadias de caravélas, que fizemos, direi, que no dia seguinte e depois a 29 do dito mez de Novembro aprezamos mais duas embarcações, as quaes nenhuma rezistencia ofereceram.
A pimeira era de Portugal, e embora os nossos marinheiros e principalmente os que estavam na caravéla espanhola, que conduziamos, tivessem grande dezejo de saqueal-a, em razão de terem dado alguns tiros de falconete na ocazião do encontro, os nossos mestres e capitães, depois de falarem com a gente de bordo, a deixaram seguir sem lhe cauzar dano.
A outra era de um Espanhol, e d’ela tomaram vinho, biscoutos e outras victualhas. Mas o dono sobretudo lamentava a perda de uma galinha, que lhe tiraram; pois, como ele dizia, por maior tormenta que ouvesse, ela não deixava de pôr, fornecendo-lhe todos os dias um ovo fresco no seo navio.
§ 20. No domingo seguinte o omem, que estava de vigia no mastro grande do nosso navio, gritou na fórma do costume: Vela, Vela. Descobrimos então cinco caravelas ou navios grandes (pois ou não podemos bem distinguir), e os nossos marinheiros, que se descontentarão, si aqui relato as suas façanhas, não perguntavam sinão onde está? isto é, entoavam canticos ante o triunfo, e já pensavam ter os navios seguros em suas mãos; mas como os ditos navios iam adiante de nós, e nós tinhamos vento contrario, e eles no entretanto singravam, e fugiam quanto podiam, não nos foi possivel alcançal-os, nem abordal-os, não obstante a violencia feita aos nossos navios, que, por amor da preza e com perigo de submergir-nos e virar de crena, armaram todas as velas.
E para que ninguem considere extraordinario o que digo aqui, e em que já antes toquei, a saber, que aprezentando-nos assim bravamente no mar, indo para a terra do Brazil, todos fugiam ou amainavam vélas diante de nós, direi mais, que embora so tivessemos trez navios (alias bem providos de artilharia, pois aquele em que eu ia trazia 18 peças de bronze e mais de 30 falconetes e mosquetes de ferro, fóra as outras munições de guerra) todavia os nossos capitães, mestres, soldados e marinheiros, a mor parte Normandos, nação tam valente e belicoza no mar como qualquer outra que oje navegue no Oceano, tinham rezolvido n’esta jornada atacar e combater o exercito naval do rei de Portugal, si o encontrassemos, lizongeando-se de poder alcançar vitoria.
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