Clássico da Piedade Filial

Universo da obra

Clássico da Piedade Filial

Capítulo 1 · Clássico da Piedade Filial

Capítulo 1 — Princípios e sentido do clássico

Nota editorial O Clássico da Piedade Filial é um breve diálogo confuciano sobre o cuidado com os pais, a formação moral, a responsabilidade pública, a remonstrância contra a injustiça e os ritos de luto. A tradição o vinculou a Confúcio e a seu discípulo Zengzi, mas a autoria histórica não é comprovada. Por isso, esta edição o apresenta como obra tradicionalmente atribuída a Confúcio, sem converter a atribuição em fato.

Adotamos a divisão corrente em dezoito capítulos. O texto chinês foi estabelecido a partir da tradição recebida do Xiaojing, com conferência da transcrição do Xiaojing com o comentário de Zheng Xuan disponível no Wikisource e comparação independente com a tradução inglesa de James Legge, publicada em 1879. A tradução portuguesa foi feita diretamente do chinês clássico; Legge foi usado somente como testemunho histórico de comparação.

O texto chinês e a tradução de Legge estão em domínio público. Esta tradução, as notas e a organização editorial em português brasileiro são próprias desta edição.

Critérios de tradução 1. Traduzir diretamente do chinês clássico, preservando o argumento integral. 2. Distinguir com clareza texto-fonte, tradução e nota editorial. 3. Manter uma redação brasileira contemporânea, sem apagar a estrutura ritual e política da China antiga. 4. Traduzir 孝 por “piedade filial”, explicando pelo contexto que o conceito inclui cuidado, reverência, formação moral e remonstrância contra a injustiça. 5. Usar “Caminho” para 道 quando o termo designa a ordem moral orientadora. 6. Preservar os nomes próprios em pinyin e explicar as referências essenciais. 7. Manter os dezoito capítulos na ordem tradicional, sem acréscimos ao texto.

Glossário essencial

孝 xiào: piedade filial; cuidado, reverência e continuidade moral entre gerações. 悌 tì: respeito fraterno, sobretudo do mais jovem para com o mais velho. 德 dé: virtude; força moral que se manifesta na conduta. 至德 zhìdé: virtude suprema. 道 dào: Caminho; orientação moral e prática. 義 yì: retidão; adequação moral de vínculos e atos. 禮 lǐ: ritos; formas rituais, normas de conduta e decoro. 樂 yuè: música, especialmente em sua função ritual e formadora. 敬 jìng: reverência. 忠 zhōng: lealdade íntegra, que inclui o dever de remonstrar. 君子 jūnzǐ: homem nobre, sobretudo pela conduta moral. 天子 tiānzǐ: Filho do Céu, o soberano. 諸侯 zhūhóu: príncipes ou senhores dos Estados. 卿大夫 qīng dàfū: altos ministros e grandes oficiais. 士 shì: oficial letrado. 庶人 shùrén: povo comum. 三才 sāncái: as Três Potências — Céu, Terra e humanidade. 宗廟 zōngmiào: templo ancestral. 社稷 shèjì: altares do solo e dos cereais; imagem ritual do Estado. 諍 zhèng: remonstrar, advertindo com franqueza contra a injustiça.

Sumário

Capítulo 1 — Princípios e sentido do clássico — 開宗明義章 Capítulo 2 — O Filho do Céu — 天子章 Capítulo 3 — Os príncipes — 諸侯章 Capítulo 4 — Altos ministros e grandes oficiais — 卿大夫章 Capítulo 5 — Os oficiais letrados — 士章 Capítulo 6 — O povo comum — 庶人章 Capítulo 7 — As Três Potências — 三才章 Capítulo 8 — Governar pela piedade filial — 孝治章 Capítulo 9 — O governo dos sábios — 聖治章 Capítulo 10 — A ordem dos atos filiais — 紀孝行章 Capítulo 11 — Os Cinco Castigos — 五刑章 Capítulo 12 — Ampliação do Caminho essencial — 廣要道章 Capítulo 13 — Ampliação da virtude suprema — 廣至德章 Capítulo 14 — Ampliação da difusão do nome — 廣揚名章 Capítulo 15 — Admoestação e contestação — 諫諍章 Capítulo 16 — Influência e resposta — 感應章 Capítulo 17 — Servir ao governante — 事君章 Capítulo 18 — O luto pelos pais — 喪親章

Capítulo 1 — Princípios e sentido do clássico 開宗明義章第一 Chinês clássico 仲尼居,曾子侍。子曰:先王有至德要道,以順天下,民用和睦,上下無怨。汝知之乎?曾子避席曰:參不敏,何足以知之?子曰:夫孝,德之本,教之所由生。復坐,吾語汝。身體髮膚,受之父母,不敢毁傷,孝之始也;立身行道,揚名於後世,以顯父母,孝之終也。夫孝,始於事親,中於事君,終於立身。《大雅》云:「無念爾祖,聿修厥德。」

Tradução Quando Zhongni estava em repouso, Zengzi o acompanhava. O Mestre disse:

— Os reis antigos possuíam a virtude suprema e o Caminho essencial. Por meio deles, punham em harmonia tudo sob o Céu; o povo vivia em concórdia, e não havia ressentimento entre os de cima e os de baixo. Sabes em que consistiam?

Zengzi levantou-se de seu assento e respondeu:

— Shen não é perspicaz. Como poderia sabê-lo?

O Mestre disse:

— A piedade filial é a raiz da virtude e a fonte da qual nasce o ensinamento. Senta-te novamente, e eu te falarei dela. Corpo, cabelos e pele, tudo recebemos de nossos pais; não ousar danificá-los é o começo da piedade filial. Firmar a própria pessoa, praticar o Caminho e deixar um nome honrado às gerações futuras, tornando assim ilustres os pais, é a sua realização final. A piedade filial começa no serviço aos pais, prossegue no serviço ao governante e se completa quando se firma a própria vida.

O Livro das Odes diz:

“Não deixes de recordar teus antepassados;

continua a cultivar a virtude que deles recebeste.” Nota. Zhongni é o nome de cortesia de Confúcio; Shen é o nome pessoal de Zengzi. A abertura apresenta a piedade filial como formação integral da pessoa, não como simples obediência.

Clássico da Piedade Filial

Sinopse

Edição bilíngue do Xiaojing (孝經), o Clássico da Piedade Filial, em chinês clássico e português brasileiro. Seus dezoito capítulos tratam do cuidado com os pais, da formação moral, da responsabilidade pública, da remonstrância contra a injustiça e dos ritos de luto. Obra tradicionalmente atribuída a Confúcio e transmitida pela tradição de Zengzi.

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