Público
*Tragédia*
Contra o ócio,
trocava
um quilo de "compreender"
por um punhado de
"ser compreendido".
Nos negócios,
cobrava
velhos sonhos démodé
que há muito
havia perdido.
Não lhe tiveram compaixão:
chorava
com arrítmico coração,
protegendo
seus caros poemas nas mãos.
Falido.
Alberto Busquets.
#Desafio 075
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Público
Minhas vidas vão seguindo
Minhas dúvidas vão sumindo
Decolando da minha janela.
Eu, constante, fiquei.
Sempre fico,
como se eu fosse
o próprio ficar.
Cada vez mais rijo,
mais lítico, mais pedra.
Não demora, agora:
já já serei eu o aparante
Parapeito rochoso
da janela de outro
ficante.
E ao fim, desmoronar.
Alberto Busquets.
#Desafio 074
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Público
Os deuses
escrevem
"beleza"
por linhas
sinuosas.
Eu sei:
vi e acredito.
A luz também,
quando brinca
nas tuas curvas.
Mas minhas mãos
só creem no que tocam.
Heresia!
Querem agarrar tua cintura
fazendo do teu suor
liturgia.
Ficassem alheias
ao teu corpo,
Pecado maior seria!
Alberto Busquets
#Desafio 073
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Público
Repesagem
Não me interessa a leveza
da pluma ou da pena.
Imutabilidade para mim
é incompletude;
não há eternidade
que seja serena.
Gosto do que
torna-se leve,
metamorfoseando-se
por interna vontade.
Invejo a beleza
da água em vapor
após cumprir sua missão
de tempestade.
Admiro a fluidez
e doçura da brisa
depois de acalmar-se
das monções da tarde.
Encanta-me tudo o que
alça voos com esforço.
Ainda que findos Ícaros,
ou em pleno processo:
brainstorming de esboços.
Não quero a leveza certa
das plumas constantes;
prefiro a transformação
das coisas
hoje esvoaçantes,
mas que já foram
plúmbeas
em algum instante.
Alberto Busquets
#Desafio 072
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Público
A sua história
mais bela
ainda está
lhe esperando lá fora.
Abra a porta,
destranque a janela,
o coração,
o portão e a gaiola.
Vá sem pressa!
Vá contente
confiança latente
que o que é bom
não demora:
Derrame-se pela vida!
Com sorriso
e coragem
aproveite a viagem.
Ela é curta. Mas pode ser
bem cumprida...
Só não deixe-se
parado(a) na garagem!
;)
Alberto Busquets
#Desafio 071
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Público
Sou um anjo
sem asas ou aspas
nem penas, fonemas
ou a crase da tarde.
Sou demônio
sem meus cornos curvos
nem cauda, ditongos
ou acentuado alarde.
Sou são
insano qual santo caído
capacho de sobras despido
Sem ponto ou final que me agrade.
Sou bufão
sou tudo que o amor odeia
sou a aranha paciente na teia
das mentiras que sinto de verdade.
Não mereço rimas.
Mas ofereço poesias.
O intento é bom, mas é falho.
Oferto-me também
mas findo por afugentar
quem me quer bem:
Sou um poeta-espantalho.
Alberto Busquets.
#Desafio 069
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Público
E para a semana?
Despertar-se à vida
como nas segundas,
sonhar sem fronteiras
como nas terças,
esmerar-se em afinco
como nas quartas,
esperançar qual apaixonado
como nas quintas,
desejar tudo o que merecemos
como nas sextas.
Tudo antes do café
de cada dia.
Alberto Busquets.
#Desafio 068
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Público
Elas têm um dia
Formalmente só delas
Para lembrar-nos
Que, na verdade,
São incontestes proprietárias
De todos os nossos momentos.
Feliz dia internacional das mulheres!
Alberto Busquets.
#Desafio 067
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