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@Albertobusquets

Alberto Knobbe Busquets
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Ainda não segue ninguém.
Público
Confesso:
Eu poemo.

Todos nós
Deveríamos poemar
com mais frequência;
desengaiolar a língua,
desencaixotar sentidos.

Só então,
com essa poemação,
daremos abrigo da solidão
a nós mesmos:

Crisálidas
de novos desejos
que, revelados,
poderão se abrir
em um mundo
poematizalmente
e livremente amado.

E então?
Poemiremos ou não?

Alberto Busquets

#Desafio 080
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Público
Oh, brisa leve,
levante-me
e me leve

além das luzes,
da praia, do mar.

Leve brisa
em levante,
relativiza
meu peso
massante

embalando
meu corpo
à luz do luar...

Leva-me acima
e avante:

indefeso,
inconstante

mas em ti confiante
(mesmo uspenso no ar)

que meu corpo pairante
lembrará cada instante

das paixões-tempestades
rimantes

Às monções-calamidades
de amar.

Alberto Busquets.

#Desafio 079
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Público
Silêncio.

Os ventos cessaram.

Os mundos pararam
enquanto eu contava
as estrelas em seus olhos.

Silêncio.

O calmo azul marinho
faz com que pareça
que é no céu que navegamos.

Silêncio.

E o fogo nos seus lábios
me aquece e me nutre,

Enquanto, de mãos dadas,

navegamos não ao sol poente,
Mas ao nascente lunar
que espelha a luz da sua pele
para pavimentar de prata
a rota do nosso drakkar.

Alberto Busquets

#Desafio 078
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Público
Omnia Mutantur...

Que os fantasmas do passado
tornem-se
as fadas belas do presente.

Que as marcas do passado
tornem-se
o solo fértil do presente.

Que as mágoas do passado
tornem-se
as flores perfumadas do presente.

E que este presente,
quando passado,
dê mais viço às rosas
que guardarão a estrada
do nosso futuro.

Alberto Busquets.

#Desafio 077
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Público
Amanhece.

Respingos de chuva
em minha janela.

Um bom café
fumegando,

Um ronronar
do gato,

vestir uma roupa
a contra-gosto,

E enfrentar
os compromissos.

Hoje,
quisera eu ser o gato.
manteria-me à janela,
com o respingo da chuva
e alguns raios de sol,
Olhando aquele homem
apressado
entrar num carro e ir embora.

Pularia para a cama,
aninhando-me à bela adormecida
e esqueceria do mundo.

Aliás,
que mundo?

Alberto Busquets

#Desafio 076
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Público
*Tragédia*

Contra o ócio,
trocava
um quilo de "compreender"
por um punhado de
"ser compreendido".

Nos negócios,
cobrava
velhos sonhos démodé
que há muito
havia perdido.

Não lhe tiveram compaixão:
chorava
com arrítmico coração,
protegendo
seus caros poemas nas mãos.

Falido.

Alberto Busquets.

#Desafio 075
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Público
Minhas vidas vão seguindo
Minhas dúvidas vão sumindo
Decolando da minha janela.

Eu, constante, fiquei.

Sempre fico,
como se eu fosse
o próprio ficar.

Cada vez mais rijo,
mais lítico, mais pedra.

Não demora, agora:
já já serei eu o aparante

Parapeito rochoso
da janela de outro
ficante.

E ao fim, desmoronar.

Alberto Busquets.

#Desafio 074
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Público
Os deuses
escrevem

"beleza"

por linhas
sinuosas.

Eu sei:
vi e acredito.

A luz também,
quando brinca
nas tuas curvas.

Mas minhas mãos
só creem no que tocam.

Heresia!

Querem agarrar tua cintura
fazendo do teu suor
liturgia.

Ficassem alheias
ao teu corpo,
Pecado maior seria!

Alberto Busquets

#Desafio 073
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Público
Repesagem

Não me interessa a leveza
da pluma ou da pena.

Imutabilidade para mim
é incompletude;

não há eternidade
que seja serena.

Gosto do que
torna-se leve,
metamorfoseando-se
por interna vontade.

Invejo a beleza
da água em vapor
após cumprir sua missão
de tempestade.

Admiro a fluidez
e doçura da brisa
depois de acalmar-se
das monções da tarde.

Encanta-me tudo o que
alça voos com esforço.

Ainda que findos Ícaros,
ou em pleno processo:
brainstorming de esboços.

Não quero a leveza certa
das plumas constantes;

prefiro a transformação
das coisas
hoje esvoaçantes,

mas que já foram
plúmbeas
em algum instante.

Alberto Busquets

#Desafio 072
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