#Desafio 066
Na costura sensível do teu prazer
Teu hálito quente me fustiga. A respiração entrecortada te entrega: tua fragilidade, tua ânsia. Teus olhos cravados nos meus trazem uma súplica velada, um desafio silencioso. Minhas mãos deslizam em tua pele, decifram-te sem pressa. És território aberto, entregue, mas ainda resistente. Essa tensão me fascina.
Exploro-te reivindicando minha conquista. Seguro-te com firmeza, exponho-te sem pudor. A pele esticada revela tua vulnerabilidade latejante sob meus dedos. Dedilho-te como quem toca uma harpa e, a cada movimento, arranco uma nota: um arrepio, um suspiro, uma contração involuntária.
Molho meus dedos na tua boca: um gesto quase sagrado. Te batizo no sal e no desejo. Desço lenta, inexorável, enquanto traço círculos delicados, quase cruéis, na costura onde se concentra tua vontade.
Te beijo como quem se despede antes de uma travessia. Um último gosto teu na minha língua antes do mergulho. E então me ponho a teus pés, não como ato de rendição, mas como quem detém o controle absoluto do teu prazer.
Seguro-te com a reverência de quem segura o inevitável. Minha língua encontra teu frenulum e só ali permanece. Dedicada, obsessiva, negando-te todo o resto. Subo, desço, desenho círculos enquanto minha saliva te marca, te assina, te reclama. Sucções lentas, depois urgentes, depois quase ternas: tortura doce, precisão perversa.
Teu corpo responde como um instrumento afinado: cada fibra, cada músculo, cada estremecimento sob meu comando. Minhas mãos te exploram por baixo, amplificam a tensão enquanto minha língua dita o ritmo. Te vejo sucumbir. Teu olhar se perde, teus lábios entreabertos tentam formar palavras que não vêm. E essa fraqueza só aumenta minha fome.
Tuas mãos se crispam, teu corpo se contrai impotente diante da exatidão da minha língua, da pressão calculada dos meus lábios.
Vês a ti mesmo: ereto, entregue, vulnerável. Me vês devota e faminta, a boca aberta para o teu prazer. A lambida se aprofunda sem que a boca te acolha e não há mais distância. Só a umidade, a textura, o desespero e a rendição.
E quando o prazer te invade uma onda te consome inteiro: olhos, boca, mãos, respiração. E ainda assim, minha língua não para. Minha boca permanece, insaciável. Desejando-te além do gozo, além da carne, além de qualquer fim.
Crs Ribeiro
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#Desafio 065
Viajar
Para fora e dentro de
mim
um desassossego
doce…
Na bagagem, febre e
delírio.
A vida entrando sem
portas,
sem cadeados, sem
avisos.
Relógio? Só o tempo das
marés.
Esse tempo molhado,
distraído
que nem se importa em
passar.
Trafego de peito aberto, alma
nua
vielas de eternidades
miúdas
percorro com sede
absurda
uma fome cruel
de viver até doer,
até ser demais,
até não sobrar
nada.
Crs Carneiro
Viajar
Para fora e dentro de
mim
um desassossego
doce…
Na bagagem, febre e
delírio.
A vida entrando sem
portas,
sem cadeados, sem
avisos.
Relógio? Só o tempo das
marés.
Esse tempo molhado,
distraído
que nem se importa em
passar.
Trafego de peito aberto, alma
nua
vielas de eternidades
miúdas
percorro com sede
absurda
uma fome cruel
de viver até doer,
até ser demais,
até não sobrar
nada.
Crs Carneiro
#Desafio 064
Entre o Salto e o Chão, Você
Abraçou a intensidade dela
sem escudo, sem medo.
Ela, vertigem e furacão
oscila entre êxtase e dor
chama que se desfaz
mar que recua.
Ele, herói improvável
linha tênue entre polos
fio invisível que a sustenta
sem querer prendê-la,
sem conseguir soltá-la.
Ela, à beira do grito.
Ele, suspenso nos entremeios.
No lugar onde os extremos se beijam
nasce o infinito:
um amor que não pousa
mas se recria em voos.
O que seria mais irônica e poética
que a ferida que nos refaz,
nos parte e nos une?
Crs Ribeiro
Entre o Salto e o Chão, Você
Abraçou a intensidade dela
sem escudo, sem medo.
Ela, vertigem e furacão
oscila entre êxtase e dor
chama que se desfaz
mar que recua.
Ele, herói improvável
linha tênue entre polos
fio invisível que a sustenta
sem querer prendê-la,
sem conseguir soltá-la.
Ela, à beira do grito.
Ele, suspenso nos entremeios.
No lugar onde os extremos se beijam
nasce o infinito:
um amor que não pousa
mas se recria em voos.
O que seria mais irônica e poética
que a ferida que nos refaz,
nos parte e nos une?
Crs Ribeiro
#Desafio 063
Vela de barco:
tensionada, amarrada, presa.
Nó de azelha
firmando, puxando, enterrando.
Mas quem vai prender o vento?
Quem vai domar a vertigem do mar?
Que me rasgue a carne,
que me curvem os ossos.
Nada estanca o gozo das águas,
o incêndio branco do sol,
o azul que engole a dor e a saudade:
esse chamado obsceno do infinito.
Minha alma desaprendeu a ter bordas:
é fome, é riso de coisa solta.
Guio a direção sem pretender o porto.
Quero a perda, a queda, o voo;
quero o devaneio de nunca chegar.
E, se nunca chegar,
que seja porque me perdi,
que seja porque o chão se fez ilusão.
E eu, vento, me faço mar,
e não há mais volta…
Porque já não sou quem partiu.
Crs Ribeiro
Vela de barco:
tensionada, amarrada, presa.
Nó de azelha
firmando, puxando, enterrando.
Mas quem vai prender o vento?
Quem vai domar a vertigem do mar?
Que me rasgue a carne,
que me curvem os ossos.
Nada estanca o gozo das águas,
o incêndio branco do sol,
o azul que engole a dor e a saudade:
esse chamado obsceno do infinito.
Minha alma desaprendeu a ter bordas:
é fome, é riso de coisa solta.
Guio a direção sem pretender o porto.
Quero a perda, a queda, o voo;
quero o devaneio de nunca chegar.
E, se nunca chegar,
que seja porque me perdi,
que seja porque o chão se fez ilusão.
E eu, vento, me faço mar,
e não há mais volta…
Porque já não sou quem partiu.
Crs Ribeiro
#Desafio 062
O Pai escuta,
Mas até quando?
Por ora, afasta o cálice.
Mas a mancha de vinho tinto
é impressa na pele,
lateja na alma:
amarga cicatriz que o tempo não lava.
A boca não cerra
não pode, não deve!
Há um grito entranhado na carne
Um grito obsceno
visceral
que ainda rasga pela voz de Chico:
alerta sem calmaria.
O monstro?
Esse nunca dorme.
Ronda, espreita, saliva.
Tem fome:
fome de silêncio,
fome de medo
fome da carne
fome de sangue fresco.
Mas há quem não se cale
quem faça do peito uma ferida aberta
do grito, um corpo em convulsão.
E que ecoe
que tome o mundo,
que arrombe as portas trancadas
que profane e impeça o retorno da noite.
Porque há corpos demais sob a terra
e memórias que urram na escuridão.
E enquanto houver voz
o cálice não se erguerá.
E que o vento leve esse grito
como leva as sementes
fazendo germinar a palavra
no caos da devastação.
Que a coragem seja nossa arte
a arte seja o nosso berro
e que o berro seja insubmisso
feroz, imbatível.
Ainda estamos aqui.
Sempre estaremos.
Crs Ribeiro
O Pai escuta,
Mas até quando?
Por ora, afasta o cálice.
Mas a mancha de vinho tinto
é impressa na pele,
lateja na alma:
amarga cicatriz que o tempo não lava.
A boca não cerra
não pode, não deve!
Há um grito entranhado na carne
Um grito obsceno
visceral
que ainda rasga pela voz de Chico:
alerta sem calmaria.
O monstro?
Esse nunca dorme.
Ronda, espreita, saliva.
Tem fome:
fome de silêncio,
fome de medo
fome da carne
fome de sangue fresco.
Mas há quem não se cale
quem faça do peito uma ferida aberta
do grito, um corpo em convulsão.
E que ecoe
que tome o mundo,
que arrombe as portas trancadas
que profane e impeça o retorno da noite.
Porque há corpos demais sob a terra
e memórias que urram na escuridão.
E enquanto houver voz
o cálice não se erguerá.
E que o vento leve esse grito
como leva as sementes
fazendo germinar a palavra
no caos da devastação.
Que a coragem seja nossa arte
a arte seja o nosso berro
e que o berro seja insubmisso
feroz, imbatível.
Ainda estamos aqui.
Sempre estaremos.
Crs Ribeiro
#Desafio 061
Torto.
Amo de viés:
a linha ziguezagueia,
se perde na curva,
se enrosca na tua alma
sem pudor.
O dedal cai.
Não há mais precisão.
Sem rumo,
sem medida,
mas ainda assim
não se desfaz.
Sobra amor…
Entre um remendo e outro,
a peça vai se refazendo.
Um abraço no descuido,
uma costura no erro…
e aos poucos
vai se tornando mais forte,
mais firme,
encorpada,
quase invencível.
Chegará o momento
em que nada a rasgará:
nem o tempo,
nem o seu olhar cortante,
nem os dentes da solidão.
Porque, no fundo,
o torto, o desalinhado,
é o que sobrevive.
E no fim, talvez,
o torto seja o único lugar
onde o amor ainda possa ser inteiro,
onde o erro se faz caminho,
onde a costura,
mesmo fora do lugar,
seja o que me mantém
(num alinhavo justinho)
bordada em você.
Crs Ribeiro
Torto.
Amo de viés:
a linha ziguezagueia,
se perde na curva,
se enrosca na tua alma
sem pudor.
O dedal cai.
Não há mais precisão.
Sem rumo,
sem medida,
mas ainda assim
não se desfaz.
Sobra amor…
Entre um remendo e outro,
a peça vai se refazendo.
Um abraço no descuido,
uma costura no erro…
e aos poucos
vai se tornando mais forte,
mais firme,
encorpada,
quase invencível.
Chegará o momento
em que nada a rasgará:
nem o tempo,
nem o seu olhar cortante,
nem os dentes da solidão.
Porque, no fundo,
o torto, o desalinhado,
é o que sobrevive.
E no fim, talvez,
o torto seja o único lugar
onde o amor ainda possa ser inteiro,
onde o erro se faz caminho,
onde a costura,
mesmo fora do lugar,
seja o que me mantém
(num alinhavo justinho)
bordada em você.
Crs Ribeiro
#Desafio 060
Tem blues no meu Carnaval…
NO MEU PEITO
(depois do tiro, o blues)
A voz rouca
arranhada de cigarro:
whisky barato,
palavras presas,
sussurros de dor.
(Repetindo… sempre repetindo…)
Leva uma verdade suja,
tão funda quanto o grito que morre,
tão amarga quanto o fim,
um acorde suspenso
que não sabe quando vai cair.
A dor gira,
gira,
desliza
feito faca cega.
O peito bate:
descompasso.
O peito bate:
quase dança à beira do caos.
O peito bate:
afunda.
E a guitarra…
não chora,
geme.
Rasga, suplica, sangra.
É uma boca aberta no escuro,
e só quer mais.
As feridas cortam,
curam,
voltam a cortar
no mesmo ritmo,
sangue quente que não estanca.
Soul’s Cry
é o amor que se perde e se refaz
no abismo da carne,
onde o silêncio grita,
e se contorce na ausência.
E depois,
só o vazio
tocando em surdina.
Uma nota que ninguém ouve,
mas que atravessa tudo.
Crs Ribeiro
Tem blues no meu Carnaval…
NO MEU PEITO
(depois do tiro, o blues)
A voz rouca
arranhada de cigarro:
whisky barato,
palavras presas,
sussurros de dor.
(Repetindo… sempre repetindo…)
Leva uma verdade suja,
tão funda quanto o grito que morre,
tão amarga quanto o fim,
um acorde suspenso
que não sabe quando vai cair.
A dor gira,
gira,
desliza
feito faca cega.
O peito bate:
descompasso.
O peito bate:
quase dança à beira do caos.
O peito bate:
afunda.
E a guitarra…
não chora,
geme.
Rasga, suplica, sangra.
É uma boca aberta no escuro,
e só quer mais.
As feridas cortam,
curam,
voltam a cortar
no mesmo ritmo,
sangue quente que não estanca.
Soul’s Cry
é o amor que se perde e se refaz
no abismo da carne,
onde o silêncio grita,
e se contorce na ausência.
E depois,
só o vazio
tocando em surdina.
Uma nota que ninguém ouve,
mas que atravessa tudo.
Crs Ribeiro
#Desafio 059
Como seria tocar uma pele
tão macia quanto a minha?
Um sopro: suave, tão leve,
seria a minha rendição?
Tua voz aveludada,
teu riso, desordem sutil.
Palavra doce, safada,
veneno que ensina
a febre a ser mais febril.
Texturas de fina seda,
renda a roçar meus dedos…
Teu toque? Promessa acesa
deslizo dentro dos teus segredos.
Tua língua, trilha aberta:
labirinto que me invade
em doce oferta
acende ais,
me deixa tensa,
me embriaga,
entorpece.
Envolve-me no teu véu,
Que fere sem machucar,
me faz tocar o céu,
em queda delirante:
descer sem aterrissar.
Te quero sem mais demora,
teu querer é minha verdade.
Me toma,
agora,
sem hora
E derreto…
Sem salvação.
Crs Ribeiro
Como seria tocar uma pele
tão macia quanto a minha?
Um sopro: suave, tão leve,
seria a minha rendição?
Tua voz aveludada,
teu riso, desordem sutil.
Palavra doce, safada,
veneno que ensina
a febre a ser mais febril.
Texturas de fina seda,
renda a roçar meus dedos…
Teu toque? Promessa acesa
deslizo dentro dos teus segredos.
Tua língua, trilha aberta:
labirinto que me invade
em doce oferta
acende ais,
me deixa tensa,
me embriaga,
entorpece.
Envolve-me no teu véu,
Que fere sem machucar,
me faz tocar o céu,
em queda delirante:
descer sem aterrissar.
Te quero sem mais demora,
teu querer é minha verdade.
Me toma,
agora,
sem hora
E derreto…
Sem salvação.
Crs Ribeiro
#Desafio 057
Deserto da Espera
A cama, vazia:
campo sem dono.
O relógio derrete
sob o sol da dúvida:
— Virá?
Um fantasma me toca,
a borda de um beijo
que não houve.
Os ponteiros giram:
carcereiros do tempo,
comandam o crepúsculo.
Intervalo interminável
entre o fim e o talvez.
O coração pulsa devagar,
economiza esperança;
enquanto uma flor insiste
em nascer entre pedras.
Um fio de luz
fura a escuridão.
No deserto do não saber,
te espero.
Vigília de quem aguarda
sem entender o que espera,
sem saber o que fazer
com a chegada que não vem.
Crs Ribeiro
Deserto da Espera
A cama, vazia:
campo sem dono.
O relógio derrete
sob o sol da dúvida:
— Virá?
Um fantasma me toca,
a borda de um beijo
que não houve.
Os ponteiros giram:
carcereiros do tempo,
comandam o crepúsculo.
Intervalo interminável
entre o fim e o talvez.
O coração pulsa devagar,
economiza esperança;
enquanto uma flor insiste
em nascer entre pedras.
Um fio de luz
fura a escuridão.
No deserto do não saber,
te espero.
Vigília de quem aguarda
sem entender o que espera,
sem saber o que fazer
com a chegada que não vem.
Crs Ribeiro
#Desafio 056
Teus olhos
clareiras de urgência
penhascos do céu onde me lanço
sem medo
com ânsia do fim.
Minhas mãos
raízes em busca de terra
fome que clama teu nome
aves inquietas
querendo pouso
no teu incêndio.
Tua boca
verso, pranto, naufrágio.
Me embriaga,
me leva,
me perde…
Me jogo.
Teu peito
templo onde me desfaço
onde o silêncio exala
prece e perdição:
eu rezo tua pele
com a língua.
Pelas veias
vida, vertigem
me arrasto
te subo
te habito…
me calas.
As pernas
pilares do desejo
me prendem
me quebram
me oferecem o cárcere
onde quero morrer
e renascer,
no instante eterno
do nosso ardor.
E o meu amor por mim,
por ti…
é só um eco
(só um eco)
do que nos consome
do que nos cria
do que somos juntos
do que, em tempo algum,
ousaremos deixar de ser.
Crs Ribeiro
Teus olhos
clareiras de urgência
penhascos do céu onde me lanço
sem medo
com ânsia do fim.
Minhas mãos
raízes em busca de terra
fome que clama teu nome
aves inquietas
querendo pouso
no teu incêndio.
Tua boca
verso, pranto, naufrágio.
Me embriaga,
me leva,
me perde…
Me jogo.
Teu peito
templo onde me desfaço
onde o silêncio exala
prece e perdição:
eu rezo tua pele
com a língua.
Pelas veias
vida, vertigem
me arrasto
te subo
te habito…
me calas.
As pernas
pilares do desejo
me prendem
me quebram
me oferecem o cárcere
onde quero morrer
e renascer,
no instante eterno
do nosso ardor.
E o meu amor por mim,
por ti…
é só um eco
(só um eco)
do que nos consome
do que nos cria
do que somos juntos
do que, em tempo algum,
ousaremos deixar de ser.
Crs Ribeiro