Universo da obra
Universo da obra
O mesmo acontecia a Conrado, que passou uma noite agitadíssima. A revelação que Lucinda acabava de fazer-lhe, parecia-lhe um sonho, e punha-lhe o espírito quase em delírio. As tristes recordações do passado vinham juntar-se agora as apreensões do futuro, e toda a noite passou ele a cogitar nos meios mais convenientes e eficazes que deveria empregar para fazer reconhecer sua filha como livre de nascimento, sem comprometer a reputação de Adelaide. Volvendo também às vezes suas vistas para o passado, enxergava nesse estranho acontecimento um castigo da providência, que assim punia o orgulho, fatuidade e dureza desse homem, que tanto blazonava de branco e fidalgo do mais puro sangue, fazendo que sua neta até a idade de quatorze anos vivesse na humilhante condição de escrava até por fim ser vendida como tal à sua própria mãe para servir de mucama a uma irmã sua. Conrado em vão se deitava procurando conciliar o sono pela leitura de algum livro; não conseguia achar distração alguma às vivas preocupações que lhe agitavam o espírito. Levou quase toda a noite a passear por todas as salas e corredores de sua vasta habitação, consultando amiúde o relógio e a contar essas horas que para ele se escoavam com desesperadora lentidão. Assim esperou ele o fim dessa noite angustiosa, que, apesar de correr o mês de novembro, pareceu-lhe mais longa do que uma noite de junho. Enfim alvoreceu bela e risonha a aurora desse dia que tão anciosamente aguardava, e que tão decisiva influência tinha de exercer sobre seu destino e sua futura felicidade. Era um domingo. A uma noite brusca chuvosa havia sucedido um dia limpo e sereno. Os sinos das diversas igrejas dobravam e repicavam alegremente, e o povo, que acudia às missas matinais, começava a cruzar por todas as ruas da cidade. O coração de Conrado expandiu-se em palpites de prazer e de esperança.
— Perdi a amante, que devia ser minha esposa, — murmurou consigo; mas o céu teve piedade de mim e preservou-me a filha, que hoje ou amanhã terei a ventura de acolher em minha casa, e apertar em meus braços. Como era por demais cedo para ir à casa do major, Conrado tratou de vestir-se para ir à missa da Sé, que os sinos anunciavam, e isto não só para matar o tempo, que tão lento lhe corria, como também a fim de implorar a proteção do Altíssimo para o bom êxito do melindroso negócio em que se achava tão vivamente empenhado. Tendo entrado na igreja, depois de feita uma curta oração, começou a passear olhares indiferentes pelos diversos grupos de mulheres que se achavam sentadas pela nave à espera da missa. Súbito deu com os olhos em um grupo que lhe fixou a atenção. Compunha-se ele de uma senhora ainda moça, alta, esbelta e formosa, de quatro galantes crianças e de uma rapariga, que lhes servia de mucama, tão branca e tão linda, que se não fora o trajo mais simples e modesto, e a posição, que ocupava atrás do grupo, a tomaríeis seguramente por uma irmã mais velha dos outros meninos. Com aquela vista Conrado estremeceu e sentiu calafrios; na mãe de família reconhecera imediatamente Adelaide; mas toda a sua atenção a princípio concentrou-se na mucama. Era Rosaura; não podia haver a menor dúvida, era sua filha; era ela, que ali estava servindo de escrava à sua mãe e a seus irmãos!... Durante toda a missa o mancebo não arredou os olhos daquele interessante grupo, que representava para sua alma um passado cheio de saudosas e amargas recordações, e um futuro cheio de ansiedade e inquietação. Rosaura trajava um singelo vestido de chita fina, azul-claro, apertado à cintura por uma fita cor-de-rosa; os cabelos negros e lisos no alto da cabeça, presos por uma fita da mesma cor, desciam-lhe soltos pelos ombros caracolando em abundantes e luzidios cachos. A mantilha de lã escura, que trazia em volta do pescoço, em razão da frescura da manhã, ainda mais fazia sobressaírem as linhas harmoniosas de seu busto encantador. De joelhos, com a cabeça inclinada, os braços cruzados por baixo dos seios, só lhe faltavam as asas para que a julgásseis um serafim em atitude de adoração. Conrado a contemplava cheio de enlevo e orgulho, ao mesmo tempo que se lhe confrangia o coração ao considerar que por um singular capricho da sorte essa tão linda criatura, tendo nascido livre, estava reduzida à escravidão, e era cativa de sua mãe. Não há expressões que possam interpretar em toda a sua intensidade as vivas emoções que assaltaram o espírito do mancebo, ao ver diante de si, ajoelhadas ante o altar de Deus, a amante, que o céu lhe destinara para esposa, e que lhe arrancaram dos braços para entregá-la a outrem, e a filha, que logo ao nascer escapara aos braços maternos para ser por meio da mais abominável machinação reduzida ao cativeiro. Os olhos de Conrado iam de Rosaura a Adelaide, e de Adelaide a Rosaura, e confrontando as feições de uma e de outra não pôde deixar de reconhecer a notável semelhança que entre elas existia. Já nenhuma dúvida lhe restava no espírito; a voz da natureza acabava de confirmar de um modo irrefragável as suposições de Lucinda, e lhe bradava dentro d’alma: é tua filha. Ainda nada tinha sido revelado a Rosaura a respeito do seu nascimento e verdadeira condição, e nem convinha que o fosse, enquanto esse fato não estivesse verificado por meio de provas evidentes e irrecusáveis. Por isso Adelaide, posto que em sua consciência já tivesse plena e íntima convicção de que Rosaura era sua filha, continuava ainda a tratá-la como escrava, se bem que com o mesmo mimo e carinho que prodigalizava aos outros filhos. As duas mulheres com a atenção concentrada nos atos religiosos não olhavam em derredor, e por isso não notaram a presença do homem que com tanta persistência as observava. Terminada a missa, Conrado esperou que elas saíssem, e as foi acompanhando em certa distância até sumirem-se a seus olhos, dobrando o ângulo da Rua Direita com a de S. Bento, na qual residia Adelaide. Desejaria nunca mais perder de vista aquelas duas mulheres, às quais seu destino se prendia por laços de tanto afeto e de tanto mistério. Mas não era chegada ainda a ocasião, e Conrado, que morava na Rua Direita, entrou em casa unicamente para ganhar tempo, e para não fazer uma visita demasiado matinal, esperou que soassem dez horas. Às dez horas e um quarto entrava ele na loja do senhor Morais. Estava este sentado no mostrador e quase sozinho, pois o único caixeiro, que ali existia, estava quase sumido a um canto entre fardos e rolos de fazenda a olhar para as prateleiras. Depois de se terem cumprimentado friamente como pessoas que apenas se conheciam, Conrado declarou a Morais que desejava ter com ele uma conversação particular. Morais o levou a um gabinete no fundo da loja.
— Consta-me, — disse Conrado, — que V. S. possui uma linda escravinha que comprou a um senhor... não me lembra agora o nome.
— Ao senhor Basílio, morador na rua do Tabatinguera; atalhou Morais; — mas a que vem agora essa pergunta?
— Vem muito a propósito, e é até necessária, porque é justamente a respeito dessa... Conrado não teve ânimo de pronunciar a palavra — escrava, — que lhe queimava os lábios falando de sua filha.
— A respeito dessa menina, — continuou ele concluindo a frase, — que venho conversar com V. S. — Ah! — murmurou Morais, que desde começo desta conversação, por uma vaga desconfiança e sem saber bem porque, começava a sentir-se constrangido e contrariado.
— Tenha paciência, senhor Morais; escute-me alguns momentos, que em poucas palavras vou lhe explicar tudo. Essa menina, se é a mesma que eu penso, tem todo o direito à liberdade, e eu tenho o mais vivo desejo, tenho mesmo obrigação de comprá-la a fim de restituí-la à liberdade. Não olho a preço; exija, senhor Morais, que será imediatamente satisfeito.
— Sinto não poder satisfazer os seus desejos, senhor Conrado; não há dinheiro que compre essa rapariga; é um mimo, que meu sogro fez a uma filha minha, e nem ela, nem eu, nem minha mulher estamos dispostos a vendê-la, nem mesmo quando V. S. nos trouxesse todos os tesouros das Mil e uma noites.
— Deveras!... com efeito! — exclamou Conrado, com um sorriso algum tanto sarcástico; — Mas talvez essa menina não seja a mesma que eu penso; V. S. não poderá fazer-me o favor de mandar chamá-la?... desejo muito vê-la, porque se não for a que eu suponho, é escusado incomodá-lo por mais tempo.'
— Oh! porque não! — disse Morais, que chamando o caixeiro deu-lhe um recado e daí a momentos, Rosaura compareceu à presença de Conrado. Ao encarar aquele homem, que nunca tinha visto, e que fitava nela um olhar penetrante, mas afetuoso e terno, a jovem escrava sentiu indizível comoção e tomou a bênção; à maneira dos escravos, abaixou os olhos e corou. Vendo agora face a face e tão perto de se aquele rosto, em que ao lado da beleza ressumbrava toda a candura e inocência de uma alma angélica, Conrado a muito custo pôde conter e dissimular sua emoção.
— Encantadora menina! — murmurou ele, voltando-se para Morais, que fez um gesto de displicência. O primeiro impulso de seu coração foi de apertá-la nos braços, e depor-lhe na fronte o primeiro beijo do amor paterno; mas conteve-se, porque ainda não era a ocasião própria para a expansão de seus afetos.
— Como te chamas, menina? — perguntou ele a Rosaura com voz afetuosa.
— Rosaura, uma sua escrava, — respondeu a menina.
— Rosaura! bonito nome!... que idade tens?...
— Devo ter quatorze pouco mais ou menos
— Em que lugar nasceste?...
— Nasci aqui mesmo perto da cidade em uma casa, que fica para as bandas de N. Senhora do Ó.
— Quem era teu primeiro senhor?...
— Era uma mulher chamada Nhá-Tuca, que me vendeu, quando fiz dez anos, a um velho chamado Basílio, morador na rua do Tabatinguera, e este foi que me vendeu para o senhor Morais.
— Conheceste tua mãe?
— Conheci, sim senhor, eu tinha sete para oito anos, quando ela morreu.
— Não te lembras da cor e da figura, que tinha?
— Muito mal; só me lembro que era mulata clara...
— Pobrezinha!... refletiu consigo Conrado.
— Era preciso ter alma bem negra para reduzir à escravidão e à orfandade uma tão linda e interessante criatura, que aliás nasceu livre e ainda tem o pai e a mãe vivos! Morais escutava com especial desagrado e estranheza este interrogatório, do qual não podia compreender a importância, nem o alcance.
— Senhor Morais, — disse Conrado voltando-se para ele, — estou satisfeito e fico-lhe obrigado. Pelas perguntas, que fiz, e pelas respostas, que a menina me deu, fico suficientemente inteirado do que me convinha saber. Pode mandá-la retirar-se.
— Senhor Morais, — continuou ele depois que Rosaura se retirou, — tenho o maior empenho em libertar esta menina; já lhe disse que não recuo diante do preço, por exagerado que seja. Creio também que V. S. nenhum interesse pode ter em conservá-la no cativeiro, e que tem alma bastante nobre e generosa para não desejar ver por mais tempo em tão aviltante condição uma menina tão linda e tão digna de melhor sorte. É a mesmíssima rapariga que eu supunha, e tenho motivos muito particulares e poderosos para tratar de sua liberdade.
— Se V. S. — respondeu secamente Morais, — tem motivos poderosos para querer libertar essa rapariga, eu também os tenho e muito poderosos para não cedê-la por preço nenhum. Demais fique, V. S. sabendo que embora seja ela escrava é tratada com toda a brandura e carinho, como se fosse uma filha. Também nós pretendemos dar-lhe a liberdade; mas é cedo ainda; Rosaura é muito criança; precisa ainda ser vigiada e educada, e está em nossa casa como se fosse nossa tutelada.
— Pois bem, senhor Morais; fico ciente de quais sejam os motivos, por que não quer ceder-me a menina; concordo que não deixam de ser poderosos, e mesmo não duvido que V. S. se acha possuído das melhores intenções a respeito dessa escrava; mas eu tenho uma razão muito mais atendível e muito poderosa que qualquer outra, e diante da qual espero que V. S., se é homem de bem e de consciência, como creio, não hesitará um só momento em satisfazer o meu desejo.
— Eu!... talvez... mas não compreendo, que possa haver essa razão tão forte;..
— É muito simples; e para que V. S. não pense que sou levado a dar este passo por algum motivo menos nobre e honesto, aqui lhe declaro imediatamente e sem rebuço: sou pai de Rosaura.
— V. S. pai de Rosaura! — exclamou Morais atônito e desconcertado, com esta brusca e inesperada declaração. — É possível, mas... é bem difícil de acreditar-se.
— V. S. duvida?... pois saiba que não tenho o costume de mentir, nem mesmo em coisas triviais, quanto mais quando se trata de negócio tão sério, — replicou Conrado assumindo um tom de voz e uma atitude grave e imponente.
— Sim! bem pode ser, — disse Morais balbuciando. — Nada mais natural, e mais comum, do que... a gente... ter filhos naturais, mesmo com escravas; mas V. S. poderá provar...
— Posso.
— Pois bem; mesmo que o prove, que direito lhe assiste para exigir de mim a entrega de sua filha, que e minha escrava?... A estas palavras os olhos de Conrado se incendiaram em súbitos lampejos de indignação e cólera. — Sua filha, que é minha escrava!... esta frase cruel doeu-lhe mais que o mais pungente e feroz insulto, e atravessou-lhe o coração como lâmina de ferro em brasa. Entretanto, uma simples declaração lhe era bastante para fulminar ali mesmo o orgulhoso senhor que usava para com ele de semelhante linguagem. Forçoso porém lhe era por enquanto sopear os ímpetos de sua indignação; não devia e nem convinha fazer essa declaração senão em último caso, e quando já tivesse provas irrefragáveis para confirmá-la.
— Julguei que V. S. fosse mais razoável, senhor Morais, — retorquiu Conrado refreando a custo sua cólera. — Mas já que a declaração que acabo de fazer-lhe, de que essa menina é minha filha, não é bastante para fazê-lo largar mão dela, fique sabendo mais que a essa rapariga, que tem como escrava, nasceu livre, de pai e mãe livres, e que não foi senão em consequência de uma execranda e infernal machinação que ela desde a infância se acha reduzida a essa triste condição; o que tudo posso e hei de provar. V. S. não quer cedê-la por dinheiro; bem pois ver-se-há obrigado a entregá-la sem indenização alguma.
— Isso é que eu duvido, senhor Conrado; a descendência dessa rapariga é conhecida e notória, como V. S. acaba de ouvir da boca dela mesma. É filha de uma mulata já falecida, que era escrava de uma senhora por nome Gertrudes, pessoa que eu mesmo conheci, e que é geralmente conhecida pelos habitantes de São Paulo, e que talvez ainda exista para confirmar o que digo.
— Deus assim o permita, — murmurou Conrado. Quanto ao pai, — continuou Morais — pouco nos importa saber quem ele foi, por que como V. S. de certo não ignora — partus ventrem sequitur, — a cria segue a condição da mãe.
— Sei bem disso, senhor Morais; mas V. S. está bem certo de que Rosaura é realmente filha dessa mulata escrava, pertencente a tal Nhá-Tuca?...
— Tanto quanto se pode estar certo de uma coisa evidente e incontestável. A maternidade é coisa que não se pode pôr em dúvida.
— Pode-se muito, e hei de provar que a verdadeira mãe de Rosaura não é essa que se lhe atribui, não é essa escrava de Nhá-Tuca, mas uma mulher livre......
— Mas quem lhe disse isso?... quem é essa mulher?...
— Ah! senhor Morais!... praza ao céu que V. S. sempre ignore quem é ela?...
— E por que razão? que quer dizer isto, senhor? não me explicará?...
— Nada, senhor Morais; são lembranças tristes, que me atribulam o espírito, — respondeu Conrado arrependido da exclamação, que lhe escapara. Mas enfim, como V. S. de forma alguma quer aceder aos desejos, não quero importuná-lo por mais tempo, e vou tratar da liberdade de minha filha pelos meios a meu alcance.
— Faça o que entender, replicou secamente Morais. E esses dois homens, que há pouco se tinham cumprimentado com frieza e indiferença, despediram-se agora em tal tom de mau humor e desabrimento, que fazia pressagiar entre eles a mais pertinaz e encarniçada luta. Conrado voltou para a casa sumamente contrariado e aflito com as formais e terminantes negativas de Morais. Não obstante o tom de seguridade com que falara a este, não deixava de nutrir sérios receios a respeito da possibilidade de provar a condição livre de Rosaura. A sua principal esperança repousava sobre a existência dessa mulher, que a tinha reduzido à escravidão, e da qual esperava arrancar com promessas ou ameaças a confissão de seu crime. As outras provas que podia aduzir, não constituíam senão presunções, em verdade mui veementes, mas que podiam ser contestadas e infirmadas vantajosamente. O sinal que Rosaura tinha no peito, bem podia ser uma coincidência devida ao acaso, e demais alegado por uma simples escrava pouco valor podia ter, até mesmo poderia ser considerado como mero embuste de sua invenção para favorecer sua companheira de cativeiro. A semelhança que se notava entre as feições de Adelaide e de Rosaura, era uma circunstância, em que nem de leve pretendia tocar, uma vez que pudesse obter o reconhecimento da liberdade de sua filha sem declarar sua maternidade, e por consequência sem comprometer a reputação de Adelaide. O fato de ter nascido uma criança escrava no mesmo dia e na mesma casa, em que morria uma enjeitada também não autorizava a assacar contra uma pobre velha a imputação do hediondo crime de ter substituído pela enjeitada a criança morta. Era preciso um depoimento formal de qualquer testemunha insuspeita, que confirmasse as fortes presunções resultantes de todas estas circunstâncias. A única pessoa, talvez, que à exceção de Nhá-Tuca, poderia depor sobre o fato com plena ciência e consciência, era a suposta mãe de Rosaura; mas essa há muito tempo já não existia. Conrado avaliava em seu espírito todos esses prós e contras, e dando talvez a estes maior peso e valor do que realmente mereciam, afligia-se em extremo mas não sem fundamento, porque se já não existisse a velha Nhá-Tuca, o negócio do reconhecimento de Rosaura como livre de nascimento dificilmente poderia ser encaminhado com esperança de êxito feliz. Ora nada era mais natural e mesmo provável do que o fato de já ser falecida aquela mulher, que, segundo lhe dissera Lucinda, há quatorze anos já era velha e adoentada.
Enquanto Conrado espera com a mais viva impaciência a hora em que a velha escrava tem de vir dar conta de sua comissão, acompanhemo-la nos passos que deu para desempenhá-la.
Romance de Bernardo Guimarães que atravessa duas gerações, segredos familiares, relações de poder e a violência da escravidão no Brasil oitocentista. Esta edição integral apresenta ortografia normalizada para o português brasileiro moderno, com base nos dois tomos da edição Garnier de 1914 preservados pela Biblioteca Digital da UFSC.
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