Universo da obra
Universo da obra
Os estudantes se retiraram descontentíssimos com o resultado do passeio. O Azevedo principalmente levava na alma o mais entranhado rancor, não tanto contra o Belmiro, como contra o major e sua filha. Em consequência, Belmiro teve de aguentar pelo caminho todos os efeitos do mau humor de seus companheiros. Foi o bode expiatório, sobre o qual iam descarregando sem cessar os desapiedados golpes da cólera, que lhes atearam na alma os desdéns de Adelaide e as impertinências do major. Teve de ouvir as mais terríveis imprecações contra o pai, e as mais cruas e desbragadas apreciações a respeito da filha... Analisando-a detalhadamente, emprestavam-lhe todos os defeitos imagináveis e não reconheciam nela nem graça, nem beleza, nem espírito.
Azevedo logo ao sair tinha contado aos companheiros, menos a Belmiro, toda aquela conversação algum tanto misteriosa, que tivera com o major ao despedir-se; mas fê-lo com cuidado e segredo, para que não chegasse aos ouvidos da vítima. Isto reunido à frieza cerimoniosa com que foram tratados, levou ao cúmulo o despeito e indignação dos rapazes. Estimavam muito ao colega, e a desfeita, que lhe foi irrogada, doeu-lhes como se fosse feita a todos, e juraram castigar a filáucia e petulância do major do modo mais cruel que pudessem.
Vamos a escutar um pouco a edificante conversação, com que a trote largo se iam entretendo pelo caminho.
— Que saloia desenxabida, meu Deus!... eu pensei que a tal Adelaide tão decantada fosse outra coisa. No corpo é uma almanjarra desengonçada, cheia de requebros desengraçados.
— E no espírito... oh!... no espírito ainda é pior; é uma lesma.
— É uma foca.
— E que bigodes de granadeiro tem ela! não repararam?
— Lá quanto aos bigodes, passe; mas que ventas! parecem duas trombetas! bem se lhe esta vendo a raça.
— E que gosto aprimorado!... namorar-se aqui do nosso Belmiro?
— De certo? assim devia ser por achar nele um outro palerma, que não despregava dela os olhos, como um cão a namorar um pedaço de carne.
— Que dois!... Deus os fez, e o diabo os ajuntará talvez.
— Mas nós os separaremos; é obra de misericórdia; não devemos consentir em semelhante namoro.
— Qual, namoro!
— acudiu o moço dos bigodinhos, que já conhecemos.
— Vocês deveras tem a simplicidade de acreditar que ela esteja realmente namorada do Belmiro?...
— Ao menos as aparências...
— Pois são aparências e nada mais. Não viram por lá rondando o tal biltre do arrieiro ou do capataz? Não repararam, quando ele passava por perto de nós, como fitava nela uns olhos de fogo, e como ela abaixava os seus cheia de confusão?...
— Oh! isso é verdade. Uma vez que o tal maganão achou-se em nossa presença, ela mostrou-se por tal sorte inquieta e perturbada, que parecia estar sentada em uma cadeira de espinhos.
— E o mais é que o rapazola não deixa de ter uma bonita figura; vale cem vezes mais do que o Belmiro. Que olhos negros e cintilantes! que fisionomia expressiva! que talhe esbelto e vigoroso! é um Cacambo, um Adônis americano.
— E é mesmo; no seu gênero é um dos mais lindos e vistosos rapazes que tenho visto. Cuidado, Belmiro! tem pela frente um guapo competidor.
— Querem saber uma coisa, meus amigos? creio que já percebi a tática da moça. Ah! que raposa matreira não é a tal senhora Adelaide!...
— Então o que é?
— Vocês ainda não atinaram com a razão, porque no meio de toda a rapaziada luzida, que lhe faz a corte, ela escolheu o sorna do Belmiro para objeto de suas predileções?...
— Ainda não; qual é?
— É porque é ele o menos próprio para inspirar ciúmes ao namorado de casa.
— Oh! deve ser isso mesmo. Pobre Belmiro! não és mais que um pau de cabeleira!...
— É isto, podem ter toda a certeza. Quando o sujeitinho se mostrar agoniado com a menina, esta lhe dirá ingenuamente: tenho dó e simpatia por aquele pobre moço; ele facilmente acreditará, e eis aí tudo explicado.
Foi por esta maneira, que os estudantes vieram por todo o caminho retalhando o coração de seu infeliz colega com alfinetadas de ciúme, que lhe doíam mais que todas as outras caçoadas. De feito, ele também havia notado certos sintomas, que faziam crer que as observações de seus companheiros não eram totalmente destituídas de fundamento, e por isso pensativo e silencioso marchava como uma sombra entre seus gárrulos companheiros, levando para a casa as mais desencontradas impressões. Por um lado afagavam-lhe a imaginação, como um bando de borboletas matizadas de azul e ouro, as lembranças das demonstrações inequívocas de afeição, que lhe dera Adelaide; por outro lhe fazia horrendos esgares a petulante e desalmada caterva dos colegas, que lhe moviam mil dificuldades. Não eram porém ainda estes, que mais o aterravam; já por duas vezes os tinha suplantado sem grande dificuldade; o que mais dolorosa impressão lhe causava era a existência do rival doméstico, sem dúvida o mais formidável de todos, e que bem via, não ser pura invenção de seus colegas. É verdade, que também compreendia otimamente, que o major, todo enfatuado de fidalguia como era, não podia consentir em tal amor. Mas que importava isso, se tal amor existia?... e existiria deveras?
Assim oscilava perplexo o espírito de Belmiro, mas inclinando-se sempre a crer que semelhante amor era uma quimera, a que a inveja maliciosa de seus colegas e a nímia suscetibilidade de seu próprio ciúme davam algum vulto. Esse jovem curitibano era um pobre rapaz estimado na casa e nada mais. Nesta convicção, ainda que mal baseada, entendeu que devia continuar a frequentar a casa do major, esperando que os acontecimentos viessem desenlear tão intrincada situação.
Encerradas as aulas e durante o tempo dos atos acadêmicos, Azevedo e seus comparsas tiveram tempo de sobra para combinarem e realizarem seu plano de vingança. O Couto, a quem não foi possível conservar-se por muito tempo oculta a singular prevenção do major contra ele em razão da cor, posto que afetando ignorar ou desprezar esse incidente, foi o mais encarniçado em promover a mais terrível cruzada contra o pretendido fidalgo. É verdade que nunca mais pôs os pés em casa deste, mas por fora preparava os elementos e açulava os companheiros com atividade incansável e satânica habilidade. Com repreensível espírito de libertinagem continuaram eles a frequentar em grupos de quatro, cinco e mais a casa do major, de cujo fraco achavam-se bastantemente inteirados, acatando-lhe sempre a alta linhagem, e rodeando a filha de todo o gênero de lisonjas e seduções, próprias, senão para perverter-lhe o coração, ao menos para lhe estontear a cabeça. Não digo que quisessem arrasta-la à perdição; mas desejavam leva-la a ponto de cair em alguma indiscrição ou fraqueza,
— por exemplo uma carta, uma entrevista,
— para dar mote a maledicência, coisa que também nada tem de louvável.
Com a repetição dessas reuniões escolásticas em sua casa, Adelaide foi-se habituando e mesmo tomando certo prazer em receber homenagem de tantos e tão guapos adoradores. Como porém a todos prestasse igual atenção e tratasse com a mesma amabilidade, nenhum deles ganhava terreno, de modo que fizesse desanimar aos outros. Nenhum deles podia jactar-se de receber dela a mais leve demonstração de preferência, à exceção de um só, e esse era Belmiro. Este, entretanto, pobre e obscuro provinciano era o que menos convinha às ambiciosas e aristocráticas vistas do major. Por sua parte também Adelaide, conhecedora das baldas do pai, e delas profundamente imbuída, bem compreendia que ele jamais acharia de bom gosto a escolha de semelhante noivo.
E qual será a razão,
— perguntará o leitor,
— porque, a despeito disso o distinguia ela entre os seus companheiros, mostrando-lhe sem reserva especial simpatia e predileção?...
É tempo já de destruir o engano, que por ventura ainda exista, a respeito da natureza da afeição que Adelaide consagrava a Belmiro. Mesmo em abono da honra e reputação da moça, cumpre-nos aqui declarar que essa afeição tão francamente revelada não era nem um capricho de loureira, nem tão pouco resultado de uma paixão amorosa; era um simples sentimento de benevolência, que lhe inspirava o provinciano por suas maneiras lhanas e despretensiosas, e por sua índole um pouco menos maligna que a de seus colegas. A infeliz moça fora fadada a amar uma só vez, e já amava; mas tinha a triste convicção de que esse amor nunca poderia ser feliz. Ela mesma iludida, como vivia, a respeito da procedência de sua linhagem, esforçava-se em vão por arranca-lo do coração. Em razão da pouca idade e da educação negligente, que ia tendo, não podia deixar de ser faceira e leviana; mas não o era a ponto de desconhecer que a sociedade tem exigências, a que ninguém pode eximir-se, e que seu pai jamais consentiria que ela desposasse pessoa abaixo de sua categoria. Vendo-o franquear sua casa aos estudantes, logo atinou que ele pensava em deparar-lhe um noivo digno dela. Com o coração ocupado desde infância com a imagem de um só, não sabia nem queria escolher entre tantos e tão elegantes mancebos, que todos os dias lhe eram apresentados.
Estava convencida de que tarde ou cedo teria de aceitar um noivo de alta hierarquia, fosse qual fosse, e seria arrastada ao altar de himeneu como vitima da obediência filial e das conveniências sociais. Era um sacrifício doloroso, mas à força de considera-lo como inevitável, já se tinha resignado a ele.
Portanto, não podendo apaixonar-se por nenhum dos pretendentes, que com boas ou más intenções a cercavam de homenagens, Adelaide, talvez mesmo para procurar uma diversão à posição difícil em que se achava, entregava-se ingênua e francamente ao sentimento de simpatia, que Belmiro lhe havia inspirado, sentimento, que mal interpretado fazia arder a cabeça a este, e raivar aos outros de inveja e de ciúme.
Assim neste negócio quase todos andavam mais ou menos enganados. Belmiro julgava ser amado, e apenas merecia alguma simpatia e consideração, e seus companheiros, quando em ar de chacota lhe diziam isto em caminho, bem longe estavam de pensar que diziam a pura verdade. O major e sua filha estavam intimamente convencidos de que os estudantes disputavam com ardor a posse do coração da rica e formosa herdeira daquele nobre solar, quando estes pela maior parte desde o dia em que o major deshouve-se até certo ponto com Azevedo e seu séquito, só tinham em vista desmoronar aquele castelo imaginário, e com bárbara malignidade expor ao ridículo não só o pai, como também o nome de sua infeliz filha, que por certo não merecia semelhantes desacatos. Alguns deles tiveram a audácia de fazer chegar às mãos de Adelaide cartas amorosas, que ela teve a prudência e a discrição de queimar sem dar resposta alguma. Havia contudo um ou outro, que sinceramente apaixonado pela beleza e atrativos da moça, empregava de boa fé seus esforços para ganhar-lhe o coração, e que fechando os olhos à sua genealogia, estava disposto a pedir-lhe a mão de esposa; mas esse mesmo não era mais bem sucedido.
A Adelaide! a Adelaide
— eis o nome que mil vezes se ouvia repetir nos círculos dos dândis acadêmicos de São Paulo. Era um namoro espantoso; Adelaide era um astro rodeado de miríades de satélites. Quanto verso da mais vaporosa e requintada, quanta carta da mais acrisolada, ardente, profunda e frenética paixão tinha de ler, e que lhe eram entregues como por encanto!... A moça via-se atarantada; acreditou-se uma deusa, que tinha por dever aceitar o culto e adoração universal. Assim o fez, e foi isso talvez a sua salvação. Divindade sobranceira e sem caprichos, não quis em seus altares sacerdotes privilegiados, aceitando com igual benignidade as oblações e o incenso de todos.
Desgostosos por fim e desanimados, os falsos adoradores de Adelaide por não terem conseguido, depois de dois meses de inúteis tentativas, que ela,
— servindo-nos de uma expressiva alocução popular,
— pusesse o pé em ramo verde, deliberaram tomar vingança por outro meio mais cruel e mais positivo. Suprimiram completamente as visitas a casa do major, mas faziam lá chegar alguns números de jornais contendo epigramas ferinos, cuja alusão era bem manifesta. O major os lia com prazer, porque lhes não compreendia o alcance; mas Adelaide bem lhes compreendia a ponta acerada. Entre eles foi uma poesia intitulada
— A rosa e o cravo caboclo —, em que se aludia de modo bem claro, mas com delicadeza, ao incidente, que conhecemos, dado entre Azevedo e Belmiro. O major achou-a lindíssima, e riu-se; mas Adelaide arrepiou-se e estremeceu. Como porém era concebida em termos delicados, e ornada de imagens graciosas, Adelaide calou-se, e abafou dentro d'alma certas apreensões, que não deixavam de inquieta-la.
Um belo dia porém Adelaide recebeu das mãos de uma velha escrava um mimoso e perfumado papelzinho, e julgando ser uma dessas missivas apaixonadas, com que seus inúmeros amantes costumavam importuna-la, abriu-o sem escrúpulo, e começou a lê-lo para depois consumi-lo, como era seu costume, na pira ardente, não direi do seu desprezo, mas de sua indiferença. Esta missiva, que era anônima não pode ter o mesmo destino. Dentro desse papelzinho perfumoso e acetinado estava contida uma terrível bomba, que devia estourar com grande estrondo, e fazendo horrível conflagração, produzir completa mudança nos destinos de Adelaide. Era uma poesia em forma de lundu, na qual se punha em público e raso a genealogia de Adelaide, tendo por guizo o seguinte estribilho:
Mas por essa desventura
Não chores, linda menina;
Nasce a pérola da lama,
Nasce do esterco a bonina.
Bem se vê que este modo de consolar não podia agradar muito à Adelaide. A princípio enrubesceu até à raiz dos cabelos, e pouco depois sua linda tez morena ficou pálida como a cera de uma tocha fúnebre; suas pupilas negras se incendiaram lançando chispas como as da cainana ofendida; seus seios ofegaram violentos como mar tempestuoso. Ela, acostumada a ser o alvo de todos os mimos e adorações, nunca pensara nem mesmo na possibilidade de tão feroz ultraje.
— Lucinda!
— gritou ela, chamando pela escrava, que lhe entregara o papel, a qual imediatamente apareceu.
— Toma esta carta... tu te enganaste... quem foi que a trouxe?... isto seguramente não é para mim.
— É mesmo para sinhazinha,
— respondeu a escrava; o moleque, que trouxe esse papel, falou assim:
— É para sinhá Adelaide, filha do senhor major Damásio.
— Ah! meu Deus!... será possível!... exclamou a moça, levando as mãos aos cabelos.
— Meu pai!... chama depressa meu pai... ele há de vingar-me.
— Que é isso, sinhazinha?!... o que é que mecê tem, que está zangada?
— Não é nada, Lucinda,
— respondeu secamente a moça.
— Anda!... sai chamar meu pai.
Daí a instantes apareceu o major.
— Que temos de novo, minha querida?
— Olhe, meu pai; olhe o que se atrevem a escrever para sua filha;
— disse ela, apresentando com mão convulsa o papel, que o pai tomou e começou a ler com avidez. À medida, que ia lendo, os olhos do major se injetavam, convertendo-se em duas poças de sangue, e as cordoveias do pescoço batiam-lhe como bordões de rabecão feridos em valente pizzicato.
— Há de morrer como um perro vil!...
— bradou dando um furioso murro sobre a mesa, junto à qual Adelaide se achava sentada.
— Há de morrer o insolente, que teve o atrevimento de... Olá..., quem foi que te trouxe este papel, minha filha?...
— Foi Lucinda.
— Ó lá, Lucinda...,
Lucinda imediatamente apareceu espavorida.
— Crioula! quem foi que entregou este papel à sinhazinha?...
— Fui eu, sim senhor.
— Quem o trouxe?
— Foi um moleque.
— Que moleque?...
— Não sei, não senhor.
— Como se chama?
— Não sei, não, senhor.
— De quem é?
— Não sei, não, senhor.
— Não, não, não, não sei, não sei, não sei!... e esta!... pois é preciso saber, maldita! vai, corre já atrás do moleque, que aqui trouxe este maldito papel. Anda... não perdas tempo traze-o já aqui agarrado... senão... anda, cachorra tinhosa!... anda, demônio dos meus pecados...
O major berrava estas palavras espumando em fúria, e espescoceando desapiedadamente a pobre rapariga. Enquanto ele continuava a vociferar feito um possesso, Adelaide escondeu a cabeça sobre a mesa entre os braços, e desatou a chorar, e Lucinda toda atarantada pelos berros e pescoções do major, foi-se escorregando dali para fora sem compreender nada do que se passava, e tratou logo de esconder-se no mais recôndito canto da cozinha. Houve silêncio de alguns instantes, enquanto a filha soluçava, e o pai bufava como um boi no laço.
— Meu pai!
— disse por fim Adelaide, levantando o rosto banhado em copioso pranto. Estava encantadora então. A raiva tinha-se desafogado em lágrimas, e achava-se restabelecida a harmonia de suas graciosas feições, que a cólera por momentos havia transformado. Se a vissem naquele instante os estudantes, que a tinham levado a tal extremo, ter-se-iam prostrado aos pés dela atassalhados de remorsos e implorando perdão. Meu pai!... bem me estava agourando o coração, que essa corja de estudantes malcriados havia de nos pregar alguma; eu não gostava nada de semelhantes reuniões.
— Nem todos, minha filha; isto não vem senão de gente ruim e de baixa ralé; e não pode ser d'outro senão daquele cão tinhoso, daquele esconjurado tapuia, que o Azevedinho aqui nos trouxe um dia.
— Não duvido; mas seja de quem for, meu pai, isto não deve ficar sem castigo. Ah! meu Deus! meu Deus! que desaforo!... pelo amor de Deus, meu pai!... não abra mais sua porta a semelhante canalha.
— Eu, minha filha!... Deus me defenda!., não quero vê-los mais nem pintados.
— Mas não basta só isso, meu pai; uma afronta destas não pode ficar sem vingança...
— Sim, não pode; dizes bem, minha filha. O maroto há de pagar ao menos com uma boa sova de pau... já se viu maior desaforo! estes estudantinhos cuidam que podem zombar do mundo inteiro!... hão de conhecer se o major Damásio Augusto de Aguiar e Andrada é da laia deles... há de se descobrir, quem foi o brejeiro infame... hei de falar ao compadre Tobias... a polícia há de indagar... hei de falar também aos lentes... há de haver congregação... reprovação... expulsão mesmo!... arre... não se insulta assim, assim uma família distinta...
— Não, não, meu pai,
— interrompeu a moça; com esse espalhafato vamos de mal a pior; então é que vamos virar peteca na mão desses biltres. Não diga nada ao padrinho, nem aos lentes, nem a ninguém. Eu mesma hei de descobrir quem foi o desaforado, que mandou-me estes versos, e hei de vingar-me.
— Tu, menina...
— Eu mesma.
— Cala-te aí, criança!... mas como?...
— Deixe por minha conta.
— Pois sim... vê lá, se descobres, e conta certo, que a mão que escreveu estas sandices, nunca mais pegará na pena para escrever coisa nenhuma desta vida.
Romance de Bernardo Guimarães que atravessa duas gerações, segredos familiares, relações de poder e a violência da escravidão no Brasil oitocentista. Esta edição integral apresenta ortografia normalizada para o português brasileiro moderno, com base nos dois tomos da edição Garnier de 1914 preservados pela Biblioteca Digital da UFSC.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.