#Desafio 010
#
À noite
estás comigo,
ainda que não sejas carne.
És, nas minhas mãos,
distância que queima.
Tua boca desenhada na palma;
teus dedos trançando as curvas do corpo.
Não preciso de ti,
mas clamo teu nome em silêncio.
O corpo responde:
a pele acende,
os seios despertam.
A boca, seca,
implora o teu banho.
Meus dedos pedem mais:
uma chuva tardia
em lábios maiores,
molhados de ti.
Ora são teus dedos,
ora tua língua,
guiados por meu querer.
Imagino-te arfante,
mas é só meu corpo que se perde,
só meu gozo a transbordar.
Sorrio,
espreguiço a solidão.
Tua ausência deita ao meu lado.
E, sem pressa,
fecho os olhos
e te invento outra vez.
Crs Ribeiro.
#desafio 010
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Eder B. Jr.
Eu deixarei que cresça em mim,
A necessidade de amar
Uma única pessoa.
Deixarei que seja, meu destino,
O desejo de me ver,
Na luz do seu olhar,
Enquanto tua voz, canta,
Em todo canto do meu ser.
Eu deixarei os teus sorrisos,
Me alagarem como mar bravio,
Enquanto leio a gargalhada
Que saiu de ti, e me completa a vida.
Eu deixarei que saia de mim,
Todo aquele calor,
Que vai acompanhado do meu toque
Sereno, que vaga pela tua pele,
Tão linda, tão tua, tão desejo meu.
Eu deixarei tua cabeça pousar,
No regaço dos meus abraços,
No compasso, das batidas do meu coração,
E no meu amor, tão seu, quanto eu.
Eliz Leão
A necessidade de amar
Uma única pessoa.
Deixarei que seja, meu destino,
O desejo de me ver,
Na luz do seu olhar,
Enquanto tua voz, canta,
Em todo canto do meu ser.
Eu deixarei os teus sorrisos,
Me alagarem como mar bravio,
Enquanto leio a gargalhada
Que saiu de ti, e me completa a vida.
Eu deixarei que saia de mim,
Todo aquele calor,
Que vai acompanhado do meu toque
Sereno, que vaga pela tua pele,
Tão linda, tão tua, tão desejo meu.
Eu deixarei tua cabeça pousar,
No regaço dos meus abraços,
No compasso, das batidas do meu coração,
E no meu amor, tão seu, quanto eu.
Eliz Leão
#Desafio 009
Brinco de amarelinha,
olhando o céu:
pedra vai,
pé vem.
O chão dança
sob meus pés.
O jogo é simples, dizem:
errar, cair,
levantar, seguir;
fingir que não doeu.
De perna bamba,
já sou rainha
(você sabe,
é a causa, a razão).
Quem insiste
pula mais alto;
quem desiste
nem percebe
que o paraíso mora
no próximo salto.
Se a pedra cair fora,
não me aborreço.
Refaço a linha,
rabisco o chão
e desenho de novo
o mundo que me cabe.
E te puxo pra mim.
Não tem fuga,
não tem chão.
A alegria,
essa danada,
só vem
se me der sua mão.
Mas cuidado!
Ela vai com o vento,
vira espuma,
sabão em banho apressado.
No fim,
te ganho.
Volto pro bis:
sou campeã!
Até o próximo tropeço…
Que será, quem sabe,
um poema pra pular.
Crs Carneiro
Brinco de amarelinha,
olhando o céu:
pedra vai,
pé vem.
O chão dança
sob meus pés.
O jogo é simples, dizem:
errar, cair,
levantar, seguir;
fingir que não doeu.
De perna bamba,
já sou rainha
(você sabe,
é a causa, a razão).
Quem insiste
pula mais alto;
quem desiste
nem percebe
que o paraíso mora
no próximo salto.
Se a pedra cair fora,
não me aborreço.
Refaço a linha,
rabisco o chão
e desenho de novo
o mundo que me cabe.
E te puxo pra mim.
Não tem fuga,
não tem chão.
A alegria,
essa danada,
só vem
se me der sua mão.
Mas cuidado!
Ela vai com o vento,
vira espuma,
sabão em banho apressado.
No fim,
te ganho.
Volto pro bis:
sou campeã!
Até o próximo tropeço…
Que será, quem sabe,
um poema pra pular.
Crs Carneiro
#Desafio 008. Por favor, clique para ler.
#Desafio 007
O olhar do outro
é rio que me atravessa.
Carrega espelhos que não me sabem,
reflexos que não me alcançam.
Diz se sou barco que flutua
ou pedra que afunda,
mas não toca o chão
onde planto meus passos.
Lê-me feito mapa,
mas meu destino não tem linhas.
É vento que invento
quando a alma precisa ser pássaro.
É estrada improvisada
onde meus pés rejeitam a espera.
Há olhares que pesam feito tempestade,
mas sou chuva que escolhe onde cair.
Há em mim um grito de asas presas,
uma sede sem nome,
sangue inquieto que corre no fundo dos meus versos.
Sou folha, sim,
mas folha que escreve sua história.
Sou sombra, talvez.
mas sombra que dança com a luz.
Quem se dissolve no outro
perde o cheiro da terra,
o sal dos dias,
o abraço das raízes.
Quem vive no outro,
esquece-se de ser árvore:
tronco, seiva e fruto.
Sou o que invento.
E se o horizonte não me chama,
eu o desenho.
Vou mesmo sem bússola.
Sigo, ainda que doa.
Sigo, ainda que me perca.
Pois a promessa do Sol em mim
é bem maior que o silêncio do mundo.
Crs Ribeiro
O olhar do outro
é rio que me atravessa.
Carrega espelhos que não me sabem,
reflexos que não me alcançam.
Diz se sou barco que flutua
ou pedra que afunda,
mas não toca o chão
onde planto meus passos.
Lê-me feito mapa,
mas meu destino não tem linhas.
É vento que invento
quando a alma precisa ser pássaro.
É estrada improvisada
onde meus pés rejeitam a espera.
Há olhares que pesam feito tempestade,
mas sou chuva que escolhe onde cair.
Há em mim um grito de asas presas,
uma sede sem nome,
sangue inquieto que corre no fundo dos meus versos.
Sou folha, sim,
mas folha que escreve sua história.
Sou sombra, talvez.
mas sombra que dança com a luz.
Quem se dissolve no outro
perde o cheiro da terra,
o sal dos dias,
o abraço das raízes.
Quem vive no outro,
esquece-se de ser árvore:
tronco, seiva e fruto.
Sou o que invento.
E se o horizonte não me chama,
eu o desenho.
Vou mesmo sem bússola.
Sigo, ainda que doa.
Sigo, ainda que me perca.
Pois a promessa do Sol em mim
é bem maior que o silêncio do mundo.
Crs Ribeiro
#Desafio 006
As Mãos do Meu Pai
Mãos que guardam a força dos dias,
de quem cedo enfrentou o labor.
Aos nove, no campo,
cultivava esperanças,
sonhando além dos passos dos pais.
Lançou-se ao destino,
com a fé dos que teimam vencer.
Ergueu muralhas de luta:
formou um lar, semeou o amanhã,
colheu honrarias,
nunca esquecendo que o afago
vale mais que o aplauso intenso.
Mãos que tocaram mil faces
e jamais se ergueram como tempestade.
Que seguraram três filhos
com a firmeza de quem envolve o mundo.
Que se despediram da amada
em prantos calados,
cinquenta dezembros de amor,
força silente nos murmúrios do tempo.
Hoje, marcadas
por manchas e sulcos,
mapas que o tempo esculpiu sem pressa…
Cada traço é história,
cada linha, uma estrada que ficou.
Mãos que ainda seguram o peso do mundo,
mas o erguem com graça serena.
São porto onde ancoro meus dias,
baluartes contra ventos bravios.
Teus gestos são mais que memórias,
são futuro que ainda pulsa,
vida que germina,
que deseja e insiste
em ser raiz e ser asa.
Crs Ribeiro
#desafio 006
As Mãos do Meu Pai
Mãos que guardam a força dos dias,
de quem cedo enfrentou o labor.
Aos nove, no campo,
cultivava esperanças,
sonhando além dos passos dos pais.
Lançou-se ao destino,
com a fé dos que teimam vencer.
Ergueu muralhas de luta:
formou um lar, semeou o amanhã,
colheu honrarias,
nunca esquecendo que o afago
vale mais que o aplauso intenso.
Mãos que tocaram mil faces
e jamais se ergueram como tempestade.
Que seguraram três filhos
com a firmeza de quem envolve o mundo.
Que se despediram da amada
em prantos calados,
cinquenta dezembros de amor,
força silente nos murmúrios do tempo.
Hoje, marcadas
por manchas e sulcos,
mapas que o tempo esculpiu sem pressa…
Cada traço é história,
cada linha, uma estrada que ficou.
Mãos que ainda seguram o peso do mundo,
mas o erguem com graça serena.
São porto onde ancoro meus dias,
baluartes contra ventos bravios.
Teus gestos são mais que memórias,
são futuro que ainda pulsa,
vida que germina,
que deseja e insiste
em ser raiz e ser asa.
Crs Ribeiro
#desafio 006
#desafio 365 dias
Dia 05 - Cite um livro do seu autor favorito. Como você definiria o motivo de ser seu autor favorito e por que escolheu esse livro dentre os que ele já escreveu?
Difícil escolher um autor favorito porque tenho alguns. Para este post, vamos de Italo Calvino, pois, para mim, sua escrita é a mais inovadora e experimental em termos de romance. Nada nunca é tedioso ou “mais do mesmo”.
Mais difícil ainda é citar o melhor livro dele. Temos um Barão que mora nas árvores; um cavaleiro que, por inexistir, é o melhor dentre eles; um visconde que foi para guerra contra os “mouros”, mas leva um tiro de canhão e volta, literalmente, partido ao meio; um castelo onde as pessoas se juntam para, por meio de cartas de tarô, criar narrativas.
Porém, o que eu considero “melhor” é “Se um Viajante numa Noite de Inverno” porque ele leva a metalinguagem ao extremo e brinca com as ideias de leitura e escrita. Nele, nós — leitores — vamos acompanhar a história do Leitor que tenta ler o novo romance de Italo Calvino, mas que por meio de interrupções (não direi quais para não dar spoiler) é levado a começar outros livros. Então cada capítulo do livro é um novo começo de livro!
O outro motivo de eu escolhê-lo é porque acredito que é o melhor começo de livro que eu já li. Segue um trechinho para vocês conferirem:
“Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, ‘Se um viajante numa noite de inverno’. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: ‘Não, não quero ver televisão!’ Se não ouvirem, levante a voz: ‘Estou lendo! Não quero ser perturbado!’ (…) Regule a luz para que ela não lhe canse a vista. Faça isso agora, porque, logo que mergulhar na leitura, não haverá meio de mover-se. (…) Procure providenciar tudo aquilo que possa vir a interromper a leitura. Se você fuma, deixe os cigarros e os cinzeiros ao alcance da mão. O que falta ainda? Fazer xixi? Bom, isso é com você.”
Dia 05 - Cite um livro do seu autor favorito. Como você definiria o motivo de ser seu autor favorito e por que escolheu esse livro dentre os que ele já escreveu?
Difícil escolher um autor favorito porque tenho alguns. Para este post, vamos de Italo Calvino, pois, para mim, sua escrita é a mais inovadora e experimental em termos de romance. Nada nunca é tedioso ou “mais do mesmo”.
Mais difícil ainda é citar o melhor livro dele. Temos um Barão que mora nas árvores; um cavaleiro que, por inexistir, é o melhor dentre eles; um visconde que foi para guerra contra os “mouros”, mas leva um tiro de canhão e volta, literalmente, partido ao meio; um castelo onde as pessoas se juntam para, por meio de cartas de tarô, criar narrativas.
Porém, o que eu considero “melhor” é “Se um Viajante numa Noite de Inverno” porque ele leva a metalinguagem ao extremo e brinca com as ideias de leitura e escrita. Nele, nós — leitores — vamos acompanhar a história do Leitor que tenta ler o novo romance de Italo Calvino, mas que por meio de interrupções (não direi quais para não dar spoiler) é levado a começar outros livros. Então cada capítulo do livro é um novo começo de livro!
O outro motivo de eu escolhê-lo é porque acredito que é o melhor começo de livro que eu já li. Segue um trechinho para vocês conferirem:
“Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, ‘Se um viajante numa noite de inverno’. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: ‘Não, não quero ver televisão!’ Se não ouvirem, levante a voz: ‘Estou lendo! Não quero ser perturbado!’ (…) Regule a luz para que ela não lhe canse a vista. Faça isso agora, porque, logo que mergulhar na leitura, não haverá meio de mover-se. (…) Procure providenciar tudo aquilo que possa vir a interromper a leitura. Se você fuma, deixe os cigarros e os cinzeiros ao alcance da mão. O que falta ainda? Fazer xixi? Bom, isso é com você.”
#Desafio 005
Ah, esse coração armadilhado,
tão perito em fugir do risco!
Não sabes que a fragilidade
é linha fina,
fio que nos cose ao outro,
o rasgo que refaz.
A vida exige:
gira na roda dos ventos,
ou rompe, de vez,
a costura do medo.
Sê o afago,
riso que dança,
beleza que corta e cura.
Amor que queima,
lapida,
brilha diamante
no peito dos dias.
Renasce, menina,
olhar inquieto,
encantada com o mundo
pela primeira vez.
Entrega-te!
Flor que corta,
mistério que resta…
Amor é salto,
passo além do medo,
o infinito que pulsa
e não pede licença.
Simplesmente é.
Foi no ventre do tempo,
será no sopro do sempre…
E um dia, quem sabe,
tê-lo vivido bastará.
Crs Ribeiro
#desafio005
Ah, esse coração armadilhado,
tão perito em fugir do risco!
Não sabes que a fragilidade
é linha fina,
fio que nos cose ao outro,
o rasgo que refaz.
A vida exige:
gira na roda dos ventos,
ou rompe, de vez,
a costura do medo.
Sê o afago,
riso que dança,
beleza que corta e cura.
Amor que queima,
lapida,
brilha diamante
no peito dos dias.
Renasce, menina,
olhar inquieto,
encantada com o mundo
pela primeira vez.
Entrega-te!
Flor que corta,
mistério que resta…
Amor é salto,
passo além do medo,
o infinito que pulsa
e não pede licença.
Simplesmente é.
Foi no ventre do tempo,
será no sopro do sempre…
E um dia, quem sabe,
tê-lo vivido bastará.
Crs Ribeiro
#desafio005
#Desafio 004
Onde se esconde o divino?
Nos teus olhos,
nos meus.
Dois pontos no vazio:
somados,
fazem-se horizonte;
alados,
procura aflita
e, se permitidos,
carne viva
a pulsar ardida,
intermitente,
no descompasso da vida.
Ao deparar com o belo,
um suspiro;
mas que ventura descobrir
algo mais raro,
que arde na língua do espírito:
o despir da alma
revelando o avesso do véu,
descosturando a veste apática
ao expor o ser desconstruído.
E, perpetuando o olhar,
(doce, meigo, palatável)
o sagrado ali se nota
e o silêncio, outrora incômodo,
agora se torna cântico.
Crs Ribeiro
#desafio 004
Onde se esconde o divino?
Nos teus olhos,
nos meus.
Dois pontos no vazio:
somados,
fazem-se horizonte;
alados,
procura aflita
e, se permitidos,
carne viva
a pulsar ardida,
intermitente,
no descompasso da vida.
Ao deparar com o belo,
um suspiro;
mas que ventura descobrir
algo mais raro,
que arde na língua do espírito:
o despir da alma
revelando o avesso do véu,
descosturando a veste apática
ao expor o ser desconstruído.
E, perpetuando o olhar,
(doce, meigo, palatável)
o sagrado ali se nota
e o silêncio, outrora incômodo,
agora se torna cântico.
Crs Ribeiro
#desafio 004
#Desafio 003
#
Gosto do que és.
Não apenas na forma,
mas na essência que se revela,
emudecida,
entre um suspiro e outro.
Teu corpo,
horizonte aberto
onde desejo e admiração se cruzam.
Nudez que se oferece ao toque:
pelos macios no peito,
mapa que orienta minha língua em descoberta.
Teu umbigo,
vértice oculto
onde os mistérios me atraem ao centro.
As pintas,
astros negros
orientam meu anseio
quando navego nas rotas do deleite.
A pele,
brisa e convite,
frescor que me toma
gota a gota;
sutil perfume que guia o toque entre calores:
cheiro que devoro,
tato que entorpece;
superfície rosada,
quente e tesa no limite do querer.
Tuas veias,
riachos vivos,
revelam a pulsação do teu ser.
Os sinais,
destino traçado.
Não hesito,
não fujo:
a trilha leva à entrega.
O amor?
Um ritual de tempo efêmero,
feito por quem sabe que
(naquele instante)
o eterno me cabe.
Crs Ribeiro
#desafio 003
#
Gosto do que és.
Não apenas na forma,
mas na essência que se revela,
emudecida,
entre um suspiro e outro.
Teu corpo,
horizonte aberto
onde desejo e admiração se cruzam.
Nudez que se oferece ao toque:
pelos macios no peito,
mapa que orienta minha língua em descoberta.
Teu umbigo,
vértice oculto
onde os mistérios me atraem ao centro.
As pintas,
astros negros
orientam meu anseio
quando navego nas rotas do deleite.
A pele,
brisa e convite,
frescor que me toma
gota a gota;
sutil perfume que guia o toque entre calores:
cheiro que devoro,
tato que entorpece;
superfície rosada,
quente e tesa no limite do querer.
Tuas veias,
riachos vivos,
revelam a pulsação do teu ser.
Os sinais,
destino traçado.
Não hesito,
não fujo:
a trilha leva à entrega.
O amor?
Um ritual de tempo efêmero,
feito por quem sabe que
(naquele instante)
o eterno me cabe.
Crs Ribeiro
#desafio 003