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@Cilene

CILENE RESENDE
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O desespero é superestimado 🥹
há 1 ano
Caixas de histórias

Hoje comecei a desmontar o estoque da RHJ em São Paulo. Nós terminamos nossa parceria, e preciso devolver os livros que estão aqui.
O sentimento é de... Não sei. É de que uma parte da vida foi embora.
A cada livro encaixotado, a cada estante esvaziada, me vinha na lembrança a beleza do estoque cheio, dos livros novos que chegavam, e que eu separava sempre um para ler em casa. A cada caixa fechada, o barulho da fita me trazia à lembrança o cansaço acumulado de feiras intermináveis, onde eu conhecia tantas pessoas adoráveis, interessantes, artistas.
Enfim, é duro perceber que a vida é toda feita de ciclos, alguns que nós nunca estamos preparados para fechar, outros que nem ousamos iniciar. Fico pensando no que eu poderia ter feito melhor (e, sim, tenho a autocrítica para saber que podia ter feito muitas coisas melhor). Fico pensando no passado que vivi, mais do que no futuro que preciso decidir.
Sou melancólico. Mais que isso: sou nostálgico. E isso é triste, porque, a cada ano, tenho menos vida para viver e mais coisas para recordar... Não sei lidar com isso. Não sei olhar pra frente. Mesmo que eu precise, porque, mês que vem, tenho prestações vencendo, agora sem o salário com o qual contava.
Não era para eu estar desesperado? Talvez eu esteja. Mas a dor da perda, da nostalgia, do que "poderia ter sido", é complexa; uma pessoa como eu sente muito mais que qualquer outra.
E o pior é que a nostalgia é uma dor doce, uma dor da qual nos alimentamos e nos confortamos. Não é uma dor que nos espeta, da qual queremos nos livrar. É uma amante sedutora e envolvente, que nos prende com a falsa ilusão de que precisamos dela. A nostalgia nos faz achar que é algo bom de se sentir, quando, na verdade, é apenas algo que deve ser guardado.
"Bola pra frente", dizem. "Você é muito mais capaz que isso". "Você tem potencial pra muito mais". Mas não sei ser assim. Vivo num luto sem fim, de tentativas falhas, de dor e saudade e desilusão. Mas me visto com a melhor máscara, com a melhor roupa e com o pouco que há de bom em mim para aparecer e criar e fingir que tenho algum sucesso.
Hoje, com os livros indo embora, sinto que perdi algo intangível, algo que vou ter saudade e vou remoer. Vou pensar milhões de vezes nas vezes em que estava indo para o Box, em que estava arrumando os livros e fazendo planos. Vou deixar doer, mesmo que seja uma coisa muito fugaz e melodramática - pois sou assim, e não sei sentir pouco.
Hoje perdi algo que não cabia em caixa nenhuma. Amanhã volto para desmontar as estantes.
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Resposta de @Cilene
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
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👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
há 1 ano
Tira-se a cortina
O espetáculo se avizinha.
Ela, que toda tímida, acuada , amarrada, se obrigava a ser cordata, agora se agiganta , brilha!
No palco, ela encanta, mostra a que veio,
Seus sapatos dourados, vestem os passos acertados, antes incertos, mas agora, completamente embasados.
Embasados na sua inteligência e na sua interpretação de mundo.
Ela é grande, já extravasou suas viseiras.
Viva, repleta, ela não é metade, como a fizeram acreditar .
Essa moça, é inteira!

Eliz Leão
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Resposta de @Cilene
Uauuuu
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Uauuuu
há 1 ano
#Desafio153



Mais um dia amanhece gelado.
Mas é fogo que me toma por dentro.

Fecho os olhos, renego o real.
Me lanço a ti : febre, ritual.

Teu sorriso, safado, torto,
convida: “Vem! Me perde no corpo”.

Teu olhar me despe com fúria.
Tua língua: incêndio que murmura.

Tuas mãos: audácia e veneno.
nos meus seios, meu pescoço, terreno.

Abro as pernas. Sou altar, oferenda.
Mas tu me nega. E isso me acende.

Te demoras. Me bebes. Me cravas.
Feiticeiro da carne, desejo que lava.

Teu gozo é culto. Meu corpo, altar.
Sommelier do amor

a me devorar.

Crs Ribeiro

****Releitura
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Resposta de @Cilene
Ahhhhh como sextas..
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Ahhhhh as sextas… 🤌🏻🤌🏻
há 1 ano
VIAGEM NO TEMPO
(mais uma contribuição envergonhada para o sexxxtou)

Eu pensei que não faria outro sexxxtou na vida. Mas decidi experimentar uma mistura de poema hot com sci-fi (é a minha área, afinal de contas) A ideia é: Imagine um ménage entre uma mulher ,meu eu atual e meu eu do passado? 
Espero que gostem. Eu achei a experiência e o exercício... Bem... Deixa pra lá.
(Obs: Eu nunca sei se estou perdendo o tom; então, se vocês acharem que está além da conta, me avisem nas mensagens privadas... )

**VIAGEM NO TEMPO**

Estamos em três. Eu, você e eu.
Você, a mais centrada, no centro.
Ele te acaricia os seios,
Eu me encosto no seu traseiro.

Ele beija seus lábios, você se vira
Deixa seu rosto de lado para nós dois
Beijamos-te, cada um em uma bochecha,
Beijamos os três, línguas trançadas.

Seu hálito se espalha entre nós dois
Um mesmo aroma dividido em dois suspiros.
Seu perfume se confunde com nosso suor,
Como um bálsamo a se aquecer no nosso fogo.

Ele encosta em sua virilha e te enlaça as costas,
Eu me acomodo nas suas nádegas, e te enlaço o umbigo
Você, o recheio de um delicioso sanduíche:
Misto mais que quente.

Ele te beija como em 1996 —
Mas eu, que já conheço teus dentes,
Prefiro morder teu ombro,
onde guardo marcas de outros verões.

Quem você quer na frente? Quem você quer por trás?
Eu e meu eu do passado aguardamos...
Você será de nós dois, de toda forma:
Mas pode escolher as posições.

Está sentindo? Entre a lança e a espada,
Você deverá decidir como irá ser:
Quem adentrará em cada domínio proibido
De seu corpo, a estremecer e palpitar.

Respire. Calma. Não tenha medo.
Não vamos te machucar nem forçar a barra.
Mas você sabe que não há para onde escapar:
Hoje, você será invadida por duas eras.

Invadida por inteiro,
Gemidos diferentes, de ontem e de hoje,
Perfumes que arfam em ares distintos.
Sândalo que te envolve a alma.

Ele te acaricia como quem descobre um país,
Mas eu, navegante antigo, leio teus mapas,
E você, bússola de carne, no centro
Nos guiando e abrindo seus segredos.

Você, bússola de carne a girar, descontrolada
E nós, dois imãs do mesmo polo, a te confundir,
Te virando do avesso em êxtase e arrepios
E te repartindo em eternidades

Suas duas mãos. Duas armas em riste.
Você aceita ambas e acaricia
Cada um dos seus dois objetos de desejo,
Decidindo de qual abismo cada um será senhor.

Mas não há o que escolher: vamos trocando
E te girando a cada nova empreitada:
Ora eu, ora ele, atrás, na frente
Você no meio, você envolta.
Centrada.

Ele tem o vigor, eu tenho a experiência.
Você tem a nós dois, e está plena.
O prazer explode por várias veredas,
E inundamos você em torrentes de orgasmo.

Isso. Sente a ambos. Sem controle.
Brincamos com seu corpo e seu espírito,
Até que seu corpo não saiba se é fogo, líquido
Ou o tempo que te consome - espasmos em loop.

Mas, não, não és uma garota submissa:
És a dona do ritmo, que sabe o que quer.
És a deusa de duas fases de uma mesma vida,
És mulher o bastante para incendiar nós dois.

Não és território a ser conquistado:
És nosso centro de gravidade.
És senhora do jogo, és boca que ordena
"Mais fundo" a um, "Mais devagar" ao outro.

Entre a volúpia adolescente
E a calma da meia-idade,
És o centro e domina
És quem nos dita os caminhos dentro de ti.

Boa menina. Sedenta. Gulosa.
Mulher sem medo, louca para dar prazer
A nós dois - o mesmo homem, em dobro,
Presente e passado te devorando.
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Resposta de @Cilene
🌷🌷🌷🌷🌷
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🌷🌷🌷🌷🌷
há 1 ano
Quem pudera imaginar
Quem ousaria sonhar!
Aquele amor,
Tão simplesmente,
Que acontece na alma da gente.
Tem empatia, tem coração,
Tem doer, que nunca sentiu,
Mas, se na tua alma sangra,
Sangro eu e inflama.
Mas tem estender, de mãos e abraços.
Tem presença, mesmo de longe.
Tem permanência.
Tem gostar de graça.
Tem conversa que é cura.
Tem sorriso em meio às lágrimas.
Porque tudo que é ela, é força.
Força, que por vezes perdemos,
E doamos uma à outra.
Tem fé, em si mesma.
Tem olhar que acolhe.
Tem certeza.
Quem podia imaginar,
Que ao se aproximar
O outono da vida,
Tanta flor, floresceria.

Eliz Leão
#festadascalcinhas
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Resposta de @Cilene
Vc é como esse poema, uma esperança!
há 1 ano
O simples ato de existir
Com sua pura autonomia.
Traça sulcos pela terra
Como uma sedenta fera.
Brota, rasgando tudo pela frente
Com seus dedos tementes.
E com uma gota suave,
Breve chuva, faz irrigar forte,
E cresce a flora, com bravura.
Colorindo calçadas,
Cantos de prédios,
Saindo pelas pedras.
Enfeitando a visão de qualquer criatura.
Dando abrigo quando cresce a todos os seres viventes.
Passarinhos, pequenos roedores.
E nutrem além de tudo, com frutas e suas sementes.
Além de dar ar fresco
Ao mundo inteiro,
Vida intermitente.
E ela que não precisa de nada, nós que somos seus dependentes.

Eliz Leão
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Resposta de @Cilene
Perfeito
há 1 ano
Pavões em Linha Reta

O homem que vendia relógios
dizia que o tempo era caro,
mas aceitava figurinhas
em troca de segundos falsos.

Um peixe gritava no metrô:
“Comprem sapatos de vento!”
e ninguém achava estranho,
porque os pés já estavam cansados
de pisar em promessas de cimento.

Na escola ensinaram a contar
até treze, mas pularam o vinte
porque disseram que pensar demais
causava inchaço nas ideias.

Tinha um ministério só de espelhos,
mas todos quebrados
para refletir a liberdade
em fragmentos bem editados.

O juiz da noite
proibia o pôr do sol
com medo que as pessoas
vissem as cores
e lembrassem de sonhos.

Mulheres plantavam trovões
em vasos de cerâmica,
porque ouviam que flores
só servem pra decorar tragédias.

No fim, um cartaz dizia:
“Proibido entender.
Sentir também está sob análise.”
Mas era tarde
as crianças já estavam
brincando de revolução
com giz de cera
e as caras pintadas.

Desde que a ficção
Virou ação
Virou nação
Virou subversão...

Eder B. Jr.
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Resposta de @Cilene
Ai que essa sexta vai render, meu polvo
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Ai que essa sexta vai render, meu polvo
há 1 ano
Sem tua mão, imagino seus dedos traçando os contornos da minha derme.
A maciez dos meus lábios.
E adentra, minha boca úmida, espalhando, sugando, como se fosse você.
Sem pressa, desliza o contorno do meu pescoço esguio,
Os dedos molhados
Espalhando saliva, até o bico dos túrgidos seios.
Picos rosados, arrepiados, arfantes.
A imaginação vai longe, num beliscar.
A outra mão brinca, abaixo do umbigo.
Fabricando desejos, nos meus pensamentos.
Desejos que molham e escorrem, por entre as pernas.
Que as mãos alcançam.
Os nervos tensos, que massageados, explodem orgasmos,
Múltiplos, suados.
Intensos, aproveitados.
Tudo isso com você na imaginação.

Eliz Leão

#
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Resposta de @Cilene
São muitas camadas, poeta! Estou me desmanchando aqui
há 1 ano
#Desafio 120

*Letras e Metáforas*

Por hoje, me encontro
na lisura das palavras vagas.

Escorrego entre parênteses
e, por uma vírgula, não me entrego.
Alinho a estrofe
na barreira do parágrafo,
e escrevo, fugindo de mim.

Te leio entrementes,
e marco o texto
com um coração
que sente.

Me escrevo em palavras rasas,
fazendo o papel de tolo.
Loto a página com reticências
dos sentimentos que não escrevo,
mas absorvo.

Fujo da regra,
(— Incompetente!).
Me acho às cegas
nestes versos rimados,
algumas vezes indecentes.

Suplico em poesias
meus lamentos calados,
nessa cruel dicotomia,
que de poeta me faço.

Dedicando, em versos contidos,
tudo o que sinto,
em letras que beijam,
letras que abraçam,
me rasgo, não minto.

Em letras, acolho de ti
toda forma de poesia
E em metáforas
imaginativas,
me escrevo
devota
e escorregadia.

Escrevo uma nota,
pequena,
de quem se recorda
que um dia
um bonito sentimento
se escreveu
na nossa história.

MarU
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Resposta de @Cilene
ai que vousa mais lindaaaaa
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ai que coisa mais lindaaaaa
há 1 ano
#Desafio 113

Di(VIDA)

Tem dias
que a ferida se abre.

Tem dias
que a dor sangra,
arde.

Tem dias
que o amor não supera
o desgaste.

Tem dias
que tudo o que você tenta…
erra.

Tem dias
que você precisa deixar
escorrer a lágrima
que pesa.

Tem dias
que a vida te “prega
uma peça.”

Nesses dias,
em que o mundo mais te afeta,
parece que o vazio
é tudo o que te resta.

Que a solidão
não permitirá
que você divida isso,
e alivie o que te pesa.

Nesses dias,
quem tem um amigo,
tem tudo.

Um ombro,
pra não chorar sozinho.

E, repartindo,
ver a vida voltar
a fazer sentido.

Ter um amigo
é terapia.
É um presente
supremo.

Reencontrar o caminho,
compartilhando
o que aconteceu contigo…

Esse ombro amigo
é um tesouro.
Vale mais que ouro.
É vida.

Sua,
e de quem
se importa com você.

Se puder, di(VIDA)
e dê vida, também…

MarU

*Poema especial para meus amigos, que sabem quem são, pois já se abriram comigo e me ouviram abrir meu coração pra eles, também. Vocês são vida! Amo vocês.