SCENA I Frei Luiz de Sousa · Capítulo 3 de 43
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SCENA I

SCENA I

MAGDALENA so, sentada junto á banca, os pés sôbre uma grande almofada,

um livro aberto no regaço, e as mãos cruzadas sôbre elle, como quem

descahiu da leitura na meditação.

*Magdalena*, _repettindo machinalmente e de vagar o que acaba de ler_.

«N'aquelle ingano d'alma ledo e cego

Que a fortuna não deixa durar muito...»

Com paz e alegria d'alma... um ingano, um ingano de poucos instantes que

seja... deve de ser a felicidade suprema n'este mundo.--E que importa

que o não deixe durar muito a fortuna? Viveu-se, póde-se morrer. Mas

eu!... (_pausa_) Oh! que o não saiba elle ao menos, que não suspeite o

estado em que eu vivo... este medo, estes continuos terrores que ainda

me não deixaram gozar um so momento de toda a immensa felicidade que me

dava o seu amor.--Oh que amor, que felicidade... que desgraça a minha!

(_Torna a descahir em profunda meditação: silencio breve_.)

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