SCENA I
SCENA I
MAGDALENA so, sentada junto á banca, os pés sôbre uma grande almofada,
um livro aberto no regaço, e as mãos cruzadas sôbre elle, como quem
descahiu da leitura na meditação.
*Magdalena*, _repettindo machinalmente e de vagar o que acaba de ler_.
«N'aquelle ingano d'alma ledo e cego
Que a fortuna não deixa durar muito...»
Com paz e alegria d'alma... um ingano, um ingano de poucos instantes que
seja... deve de ser a felicidade suprema n'este mundo.--E que importa
que o não deixe durar muito a fortuna? Viveu-se, póde-se morrer. Mas
eu!... (_pausa_) Oh! que o não saiba elle ao menos, que não suspeite o
estado em que eu vivo... este medo, estes continuos terrores que ainda
me não deixaram gozar um so momento de toda a immensa felicidade que me
dava o seu amor.--Oh que amor, que felicidade... que desgraça a minha!
(_Torna a descahir em profunda meditação: silencio breve_.)