SCENA VIII Frei Luiz de Sousa · Capítulo 23 de 43
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SCENA VIII

SCENA VIII

MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA, JORGE

*Magdalena*, _seguindo com os olhos a filha e respondendo a Manuel de

Sousa_. Cuidados!... eu não tenho ja cuidados. Tenho este medo, este

horror de ficar so... de vir a achar-me so no mundo...

*Manuel*. Magdalena!

*Magdalena*. Que queres? não está na minha mão.--Mas tu tens razão de te

infadar com as minhas impertinencias. Não fallêmos mais n'isso. Vai.

Adeus!--Outro abraço. Adeus!

*Manuel*. Oh querida mulher minha, parece que vou eu agora imbarcar n'um

galeão para a India... Ora vamos: ao anoitecer, antes da noite, aqui

estou.--E Jesus!... Olha a condessa de Vimioso, ésta Joanna de Castro

que a nossa Maria tanto deseja conhecer... olha se ella faria esses

prantos quando disse o último adeus ao marido...

*Magdalena*. Bemditta ella seja! Deu-lhe Deus muita fôrça, muita

virtude. Mas não lh'a invejo, não sou capaz de chegar a essas

perfeições.

*Jorge*. É perfeição verdadeira; é a do Evangelho: Deixa tudo e

segue-me.

*Magdalena*. Vivos ambos... sem offensa um do outro, querendo-se,

estimando-se... e separar-se cada um para sua cova! Verem-se com a

mortalha ja vestida--e... vivos, sãos... depois de tantos annos de

amor... e convivencia... condemnarem-se a morrer longe um do outro--sos,

sos!--E quem sabe se n'essa tremenda hora... arrependidos!

*Jorge*. Não o permittirá Deus assim... oh, não. Que horrivel coisa

seria!

*Manuel*. Não permitte, não.--Mas não pensêmos mais n'elles: estão

intregues a Deus... (_pausa_) E que temos nós com isso? A nossa situação

é tam differente... (_pausa_) Em todas nos póde Elle abençoar.--Adeus,

Magdalena, adeus! até logo. Maria ja lá vai no caes a ésta hora...

adeus! Jorge, não a deixes. (_Abraçam-se; Magdalena vai até fóra da

porta com elle_.)

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