SCENA IV Frei Luiz de Sousa · Capítulo 35 de 43
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SCENA IV

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*Telmo* _so_. Virou-se-me a alma toda com isto: não sou ja o mesmo

homem. Tinha um presentimento do que havia de acontecer... parecia-me

que não podia deixar de succeder... e cuidei que o desejava em quanto

não veiu.--Veiu, e fiquei mais aterrado, mais confuso que ninguem!--Meu

honrado amo, o filho do meu nobre senhor está vivo... o filho que eu

criei n'estes braços... vou saber novas certas d'elle--no fim de vinte

annos de o julgarem todos perdido--e eu, eu que sempre esperei, que

sempre suspirei pela sua vinda...--era um milagre que eu esperava sem o

crer! Eu agora tremo... É que o amor d'est'outra filha, d'esta última

filha, é maior, e venceu... venceu, apagou o outro. Perdoe-me Deus, se é

peccado. Mas que peccado hade haver com aquelle anjo?--Se me ella

viverá, se escapará d'esta crise terrivel!--Meu Deus, meu Deus!

(_ajoelha_) levae o velho que já não presta para nada, levae-o por quem

sois! (_Apparece o romeiro á porta da esquerda, e vem lentamente

approximando-se de Telmo que não dá por elle_.) Contentae-vos com este

pobre sacrificio da minha vida, Senhor, e não me tomeis dos braços o

innocentinho que eu criei para vós, Senhor, para vós... mas ainda não,

não m'o leveis ainda. Já padeceu muito, já traspassaram bastantes dores

aquella alma: esperae-lhe com a da morte algum tempo!

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