SCENA VII Frei Luiz de Sousa · Capítulo 38 de 43
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SCENA VII

SCENA VII

TELMO, MAGDALENA; _depois_ JORGE _e_ MANUEL DE SOUSA

*Magdalena*, _ainda de fóra_. Jorge, meu irmão, Frei Jorge, vós estaes

ahi, que eu bem sei; abri-me por charidade, deixae-me, dizer uma unica

palavra a meu... a vosso irmão:--e não vos importuno mais, e farei tudo

o que de mim quereis, e... (_Ouve-se do mesmo lado ruido de passos

appressados, e logo a voz de Frei Jorge_.)

*Jorge*, _de fóra_. Telmo, Telmo, abri se podeis... abri ja.

*Telmo*, _abrindo a porta_. Aqui estou eu so.

*Magdalena*, _entrando desgrenhada e fóra de si, procurando, com os

olhos, todos os recantos da casa_. Estaveis aqui so, Telmo! E elle para

onde foi?

*Telmo*. Elle quem, senhora?

*Jorge*, _vindo á frente_. Telmo estava aqui aguardando por mim, e com

ordem de não abrir a ninguem em quanto eu não viesse.

*Magdalena*. Aqui havia duas vozes que fallavam: distinctamente as ouvi.

*Telmo*, _aterrado_. Ouvistes?

*Magdalena*. Sim, ouvi. Onde está elle, Telmo? onde está meu marido...

Manuel de Sousa?

*Manuel*, _que tem estado no fundo, em quanto Magdalena, sem o ver, se

adiantára para a scena, vem agora á frente_. Esse homem está aqui,

senhora; que lhe quereis?

*Magdalena*. Oh que ar, que tom, que modo esse com que me fallas!...

*Manoel*, _internecendo-se_. Magdalena... (_Cahindo em si e gravemente_)

Senhora, como quereis que vos falle, que quereis que vos diga?--Não está

tudo ditto entre nós?

*Magdalena*. Tudo! quem sabe? Eu parece-me que não. Olha: eu sei?... mas

não dariamos nós, com demasiada precipitação, uma fe tam cega, uma

crença tam implicita a essas mysteriosas palavras de um romeiro, um

vagabundo... um homem emfim que ninguem conhece? Pois dize...

*Telmo*, _áparte a Jorge_. Tenho que vos dizer, ouvi. (_Conversam ambos

áparte_.)

*Manuel*. Oh Magdalena, Magdalena! não tenho mais nada que te

dizer.--Crê-me, que t'o juro na presença de Deus: a nossa união, o nosso

amor é impossivel.

*Jorge*, _continuando a conversação com Telmo, e levantando a voz com

aspereza_. É impossivel j'agora...--e sempre o devia ser.

*Magdalena*, _virando-se para Jorge_. Tambem tu, Jorge!

*Jorge*, _virando-se para ella_. Eu fallava com Telmo, minha

irman.--(_Para Telmo_) Ide Telmo, ide onde vos disse, que sois mais

preciso lá. (_Falla-lhe ao ouvido; depois alto_) Não m'a deixes um

instante, ao menos até passar a hora fatal.

(Telmo sái com repugnancia, e rodeando para ver se chega aopé de

Magdalena. Jorge, que o percebe, faz-lhe um signal imperioso; elle

recúa, e finalmente se retira pelo fundo.)

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