SCENA XII Frei Luiz de Sousa · Capítulo 43 de 43
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SCENA XII

SCENA XII

MARIA, MAGDALENA, MANUEL; o ROMEIRO e TELMO _que apparecem no fundo da

scena sahindo detrás do altar-mór_.

*Romeiro*, _para Telmo_. Vai, vai; ve se ainda é tempo: salva-os,

salva-os, que ainda podes... (_Telmo dá alguns passos para deante_.)

*Maria*, _apontando para o romeiro_. É aquella voz, é elle, é elle.--Já

não é tempo... Minha mãe, meu pae, cobri-me bem éstas faces, que morro

de vergonha... (_Esconde o rosto no seio da mãe_) morro, morro... de

vergonha... (_Cái e fica morta no chão. Manuel de Sousa e Magdalena

prostram-se ao pé do cadaver da filha_.)

*Manuel*, _depois de algum espaço, levânta-se de joelhos_. Minha irman,

rezemos por alma... incommendemos a nossa alma a este anjo que Deus

levou para si.--Padre prior, podeis-me lançar aqui o escapulario?

*Prior*, _indo buscar os escapularios ao altar-mór e tornando_. Meus

irmãos, Deus afflige n'este mundo áquelles que ama. A coroa de glória

não se dá senão no céu.

(_Toca o orgam; e cái o panno_.)

FREI LUIZ DE SOUSA

Depois do brilhantissimo livro «Viagens na minha terra», de que os

maiores escriptores, como Rebello da Silva, Castilho, Gomes d'Amorim,

Theophilo Braga, etc., disseram ser um monumento immorredouro da

litteratura portugueza, a melhor obra de Garrett é, sem contestação, o

«Frei Luiz de Sousa». Vegezzi Ruscalla, na revista «Cornelia» de

Florença, diz, a pag. 180, que Portugal tem no auctor do «Frei Luiz de

Sousa» o seu Goethe, o seu Byron, o seu Lamartine e o seu Manzoni,

ajuntando: «Questo drama é un vero capolavoro». A. P. Lopes de Mendonça

(«Memorias da litteratura contemporanea», Lisboa 1855) escreveu:

«...talvez pareçam demasiadamente singelos os dados d'esta funebre

tragedia, e todavia cremos que a litteratura moderna não possue

monumentos de mais superior e acabado molde...» Th. Braga («Questões de

litteratura e arte portugueza», Lisboa 1882, pag. 384) chama-lhe

_tragedia unica, e sem rival nas litteraturas modernas_. Rebello da

Silva acha que as scenas do terceiro acto do «Frei Luiz de Sousa» são as

mais tragicas que conhece, e o quarto acto é o maior esforço dramatico

de que tem noticia.

«Frei Luiz de Sousa» tem tres traducções francezas; está tambem vertido

em hespanhol, italiano, inglez e allemão. Foi representado em Paris.

Muito se tem escripto sobre a grandiosa tragedia, sendo a ultima

producção--_«Frei Luiz de Sousa» de Garrett_--Notas com um prefacio de

Th. Braga, por Joaquim d'Araujo.

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