SCENA IV Frei Luiz de Sousa · Capítulo 19 de 43
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SCENA IV

SCENA IV

MARIA, MANUEL DE SOUSA, JORGE

*Jorge*. Ora alviçaras, minha dona sobrinha! venha-me ja abraçar,

senhora D. Maria. (_Maria beija-lhe o escapulario; e depois abraçam-se_)

Inda bem que vieste, meu irmão! Está tudo feito: os governadores deixam

cahir o caso em esquecimento; Miguel de Moura ja cedeu.--O arcebispo foi

hontem a Lisboa e volta ésta tarde. Vamos eu e mais quatro religiosos

nossos buscá-lo para o acompanhar, e tu hasde vir comnosco para lhe

agradecer; que não teve parte no aggravo que te fizeram, e foi quem

acabou com os outros que se não resentissem da offensa ou do que lhes

prouve tomar como tal... deixêmos isso. Volta para o convento e quasi

que vem ser teu hóspede: é preciso fazer-lhe cumprimento, que no-lo

merece.

*Manuel*. Se elle vem so, sem os outros...

*Jorge*. So, so: os outros estão por essas quintas d'áquem do Tejo. E

nós não chegâmos aqui senão lá por noite.

*Manuel*. Se intendes que posso ir...

*Jorge*. Pódes e deves.

*Manuel*. Vou decerto.--E até eu preciso de ir a Lisboa: tenho negócio

de importancia no Sacramento, no vosso convento novo de freiras abaixo

de San'Vicente; necessito fallar com a abbadessa.

*Maria*. Oh meu pae, meu querido pae, levae-me, por quem sois, comvosco.

Eu queria ver a tia Joanna de Castro; é o maior gôsto que posso ter

n'esta vida. Quero ver aquelle rosto... De mim não se hade tapar...

*Manuel*. E tua mãe?

*Maria*. Minha mãe dá licença, dá. Ella ja está boa... oh, e em vos

vendo fica boa de todo, e eu vou.

*Manuel*. E os ares maus de Lisboa?

*Jorge*. Isso ja acabou de todo: nem signal de peste.--Mas emfim a

prudencia...

*Maria*. A mim não se me péga nada.--Meu querido pae, vamos, vamos.

*Manuel*. Veremos o que diz tua mãe, e como ella está.

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