Resumo ou Pós-face - A Essência do Fenômeno Humano O Fenômeno Humano - Tradução Literunico · Capítulo 16 de 17
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Resumo ou Pós-face - A Essência do Fenômeno Humano

## Resumo ou Pós-face - A Essência do Fenômeno Humano

Desde a época em que este livro foi composto, a intuição que ele procura exprimir não variou em mim. No conjunto, continuo hoje a ver o Homem exatamente da mesma maneira que quando escrevia estas páginas pela primeira vez. E, no entanto, essa visão de fundo não ficou, nem podia ficar, imóvel.

Por aprofundamento irresistível da reflexão, por decantação e arranjo automático das ideias associadas, por acesso de fatos novos, por necessidade contínua, também, de ser melhor compreendido, certas formulações e articulações novas me apareceram gradualmente, há dez anos, tendendo ao mesmo tempo a destacar e simplificar as linhas maiores de minha antiga redação.

É essa essência, inalterada e repensada, do "Fenômeno Humano" que julgo útil, à maneira de resumo ou conclusão, apresentar aqui sob a forma das três proposições encadeadas que seguem.

### 1. Um Mundo que se Enrola: ou, a Lei Cósmica de Complexidade-Consciência

Recentemente nos familiarizamos, na escola dos astrônomos, com a ideia de um Universo que, há alguns bilhões de anos, somente, estaria florescendo em galáxias a partir de uma espécie de átomo primordial. Essa perspectiva de um Mundo em estado de explosão ainda é discutida; mas a nenhum físico ocorreria rejeitá-la como manchada de filosofia ou finalismo.

Não é mau ter esse exemplo diante dos olhos para compreender ao mesmo tempo o alcance, os limites e a perfeita legitimidade científica das visões que proponho aqui.

Reduzida, com efeito, à sua medula mais pura, a substância das longas páginas precedentes se reconduz inteira a esta simples afirmação: se o Universo nos aparece sideralmente como em via de expansão espacial, do ínfimo ao imenso, do mesmo modo, e ainda mais claramente, ele se apresenta a nós, físico-quimicamente, como em via de enrolamento orgânico sobre si mesmo, do muito simples ao extremamente complicado. Esse enrolamento particular "de complexidade" se encontra experimentalmente ligado a um aumento correlativo de interiorização, isto é, de psique ou consciência.

No domínio estreito de nosso planeta, o único ainda em que podemos fazer Biologia, a relação estrutural aqui notada entre complexidade e consciência é experimentalmente incontestável, e desde sempre conhecida.

O que confere originalidade à posição adotada no livro que apresento é pôr, desde o início, que essa propriedade particular, possuída pelas substâncias terrestres, de se vitalizarem cada vez mais ao se complicarem cada vez mais, é apenas a manifestação e a expressão local de uma deriva tão universal, e sem dúvida ainda mais significativa, quanto aquelas já identificadas pela Ciência, que arrastam as lâminas cósmicas não só a espalhar-se explosivamente tal qual uma onda, também a condensar-se corpuscularmente sob as forças do eletromagnetismo e da gravidade, ou ainda a desmaterializar-se por irradiação. Essas diversas derivas serão provavelmente reconhecidas um dia como estritamente conjugadas entre si.

Se é assim, vê-se que a consciência, definida experimentalmente como o efeito específico da complexidade organizada, transborda de muito o intervalo, ridiculamente pequeno, no qual nossos olhos conseguem distingui-la diretamente.

De um lado, com efeito, ali mesmo onde valores muito pequenos, ou até médios, de complexidade a tornam estritamente imperceptível para nós, quero dizer, a partir e abaixo das moléculas muito grandes, somos logicamente levados a conjecturar em todo corpúsculo a existência rudimentar, em estado de infinitamente pequeno, isto é, de infinitamente difuso, de alguma psique, exatamente tal como o físico admite, e poderia calcular, as mudanças de massa, completamente inapreensíveis para uma experiência direta, que se produzem no caso dos movimentos lentos.

De outro lado, precisamente ali no Mundo onde, por causa de diversas circunstâncias físicas, temperatura, gravidade..., a complexidade não chega a atingir os valores para os quais uma irradiação de consciência poderia influenciar nossos olhos, somos conduzidos a pensar que, tornando-se favoráveis as condições, o enrolamento, momentaneamente detido, retomaria logo sua marcha para diante.

Observado segundo seu eixo das Complexidades, digo bem, o Universo está, no conjunto e em cada um de seus pontos, em pressão contínua de redobramento orgânico sobre si mesmo, e portanto de interiorização. O que equivale a dizer que, para a Ciência, a Vida está desde sempre em pressão por toda parte; e que, ali onde conseguiu romper apreciavelmente, nada poderia impedi-la de levar ao máximo o processo de que saiu.

É nesse meio cósmico ativamente convergente que é necessário, a meu ver, colocar-se, se se quer fazer aparecer em todo o seu relevo e explicar de maneira plenamente coerente o Fenômeno Humano.

### 2. A Primeira Aparição do Homem: ou, o Passo Individual da Reflexão

Para superar a improbabilidade dos arranjos que conduzem a unidades de tipo cada vez mais complexo, o Universo em via de enrolamento, considerado em suas zonas pré-refletidas[1], progride passo a passo, à custa de bilhões e bilhões de ensaios.

É esse procedimento de tateamentos, combinado com o duplo mecanismo de reprodução e hereditariedade, permitindo armazenar e melhorar aditivamente, sem diminuição, ou mesmo com aumento do número de indivíduos engajados, as combinações favoráveis uma vez obtidas, que dá nascimento ao extraordinário conjunto de linhagens vivas que chamei acima de "Árvore da Vida". Também se poderia compará-lo a um espectro de dispersão em que cada comprimento de onda corresponde a uma nuance particular de consciência ou instinto.

Observados sob certo ângulo, os diversos raios desse leque psíquico podem parecer, e muitas vezes ainda são de fato considerados pela Ciência, vitalmente equivalentes: tantos instintos, tantas soluções, igualmente válidas e não comparáveis entre si, de um mesmo problema.

Uma segunda originalidade de minha posição no "Fenômeno Humano", depois daquela que consiste em fazer da Vida uma função universal de ordem cósmica, é atribuir, ao contrário, valor de "limiar" ou de mudança de estado à aparição, na linhagem humana, do poder de reflexão. Afirmação nada gratuita, que se tome bem cuidado, nem baseada inicialmente em qualquer metafísica do Pensamento.

Antes, opção experimentalmente apoiada no fato, curiosamente subestimado, de que a partir do "passo da Reflexão" acedemos verdadeiramente a uma nova forma de Biologia[2], caracterizada, entre outras singularidades, pelas propriedades seguintes:

a) Emergência decisiva, na vida individual, dos fatores internos de arranjo, invenção, acima dos fatores externos de arranjo, jogo das probabilidades utilizadas.

b) Aparição igualmente decisiva, entre elementos, de verdadeiras forças de aproximação ou afastamento, simpatia e antipatia, que substituem as pseudoatrações e pseudorrepulsões da Pré-vida, ou mesmo da Vida inferior, referíveis, parece, umas e outras, a simples reações às curvaturas do Espaço-Tempo e da Biosfera, respectivamente.

c) Despertar, enfim, na consciência de cada elemento em particular, em consequência de sua aptidão nova e revolucionária para prever o Futuro, de uma exigência de "sobrevida ilimitada". Isto é, passagem, para a Vida, de um estado de irreversibilidade relativa, impossibilidade física de o enrolamento cósmico parar uma vez iniciado, ao estado de irreversibilidade absoluta, incompatibilidade dinâmica radical de uma perspectiva assegurada de Morte Total com a continuação de uma Evolução tornada refletida.

Essas diversas propriedades conferem ao grupo zoológico que as possui uma superioridade indiscutível, quantitativa e numérica, além de funcional e vital. Indiscutível, digo bem, desde que se decida aplicar até o fim, sem fraquejar, a lei experimental de Complexidade-Consciência à evolução global do grupo inteiro.

### 3. O Fenômeno Social: ou, a Subida para um Passo Coletivo da Reflexão

De um ponto de vista estritamente descritivo, acabamos de ver, o Homem representa originariamente apenas uma entre as inúmeras nervuras que formam o leque, ao mesmo tempo anatômico e psíquico, da Vida.

Mas, porque essa nervura, ou, se preferimos, esse raio, conseguiu, único entre todos, graças a uma posição ou estrutura privilegiada, emergir fora do Instinto no Pensamento, ele se mostra capaz, dentro desse domínio ainda inteiramente livre do Mundo, de se estender por sua vez, a ponto de engendrar um espectro de segunda ordem: a imensa variedade dos tipos antropológicos que conhecemos. Observemos esse segundo leque.

Em virtude da forma particular de Cosmogênese adotada por nós nestas páginas, o problema posto por nossa existência à nossa Ciência é evidentemente este: em que medida, e eventualmente sob que forma, a lâmina humana obedece ainda, ou escapa, às forças de enrolamento cósmico que lhe deram nascimento?

A resposta a essa questão, vital para nossa conduta, depende inteiramente da ideia que fazemos, ou, mais exatamente, da ideia que devemos fazer, da natureza do Fenômeno Social, tal como ele se desdobra em pleno impulso ao nosso redor.

Por rotina intelectual, e também porque nos é positivamente difícil dominar um processo no seio do qual estamos mergulhados, a auto-organização, sempre ascendente, da Miríade humana sobre si mesma ainda é considerada, na maioria das vezes, como processo jurídico e acidental, apresentando apenas uma analogia superficial, "extrínseca", com as construções da Biologia.

Desde sua aparição, admite-se tacitamente, a Humanidade continua a multiplicar-se, o que naturalmente a obriga a encontrar para seus membros arranjos cada vez mais complicados. Mas não confundamos esses modus vivendi com verdadeiro progresso ontológico. Evolutivamente, há muito tempo o Homem já não se move, se algum dia se moveu...

Pois bem, é aqui que, como homem de ciência, creio dever fazer ato de oposição e protesto.

Em nós, Homens, sustenta ainda certa forma de senso comum[3], a evolução biológica atinge um teto. Ao refletir-se sobre si, a Vida teria ficado imóvel. Mas não seria preciso dizer, ao contrário, que ela ricocheteia para diante?

Observem antes a maneira pela qual, quanto mais a Humanidade organiza tecnicamente sua multidão, mais nela, pari passu, sobem a pressão psíquica, a consciência do Tempo e do Espaço, o gosto e o poder da Descoberta. Esse grande acontecimento nos parece sem mistério.

E, no entanto, nessa associação reveladora do Arranjo técnico e da Centração psíquica, como deixar de reconhecer ainda em trabalho, embora com proporções e numa profundidade jamais atingidas, a grande força de sempre, a mesma que nos fez?

Como deixar de ver que, depois de nos ter enrolado individualmente, cada um de nós, você e eu, sobre nós mesmos, é sempre o mesmo ciclone, desta vez em escala social, que continua sua marcha acima de nossas cabeças, apertando-nos todos juntos num abraço que tende a aperfeiçoar cada um de nós ao nos ligar organicamente a todos os outros ao mesmo tempo?

"Pela socialização humana, cujo efeito específico é fazer redobrar sobre si o feixe inteiro das escamas e fibras refletidas da Terra, é o próprio eixo do vórtice cósmico de Interiorização que prossegue seu curso": substituindo e prolongando os dois postulados preliminares acima destacados, um referente ao primado da Vida no Universo e outro ao primado da Reflexão na Vida, tal é a terceira opção, a mais decisiva de todas, que acaba de definir e esclarecer minha posição científica diante do Fenômeno Humano.

Este não é o lugar de mostrar em detalhe com que facilidade e coerência essa interpretação organicista do fato social explica, ou mesmo, segundo certas direções, permite prever, a marcha da História.

Notemos apenas que, se, para além da hominização elementar que culmina em cada indivíduo, desenvolve-se realmente acima de nós uma outra hominização, coletiva, esta, e da espécie, então é inteiramente natural constatar que, paralelamente à socialização da Humanidade, as três mesmas propriedades psicobiológicas se exaltam sobre a Terra que o passo individual da Reflexão havia inicialmente destacado, cf. acima.

a) Poder de invenção, primeiro, tão rapidamente intensificado em nossos dias pelo escoramento racionalizado de todas as forças de pesquisa que já se tornou possível falar, como eu dizia há pouco, de um rebote humano da Evolução.

b) Capacidade de atrações, ou de repulsões, depois, ainda exercendo-se de modo caótico pelo Mundo, mas subindo tão rapidamente ao nosso redor que o econômico, digam o que disserem, corre o risco de contar bem pouco amanhã diante do ideológico e do passional no arranjo da Terra.

c) Exigência, enfim e sobretudo, de irreversível, saindo da zona ainda um pouco hesitante das aspirações individuais para exprimir-se categoricamente na consciência e pela voz da Espécie.

Categoricamente, repito: no sentido de que, se um homem isolado pode chegar a imaginar que lhe é possível, física ou mesmo moralmente, encarar uma supressão completa de si mesmo, diante de uma aniquilação total, ou mesmo simplesmente de uma preservação insuficiente reservada ao fruto de seu labor evolutivo, a Humanidade, ela, começa a perceber de uma vez por todas que só lhe restaria fazer greve. O esforço de empurrar a Terra para diante se torna pesado demais, e ameaça durar tempo demais, para que continuemos a aceitá-lo se não trabalhamos no incorruptível.

Reunidos entre si, e com muitos outros, esses diversos indícios me parecem constituir uma prova científica séria de que, em conformidade com a lei universal de centro-complexidade, o grupo zoológico humano, longe de derivar biologicamente, por individualismo desencadeado, rumo a um estado de granulação crescente, ou ainda de se orientar, por meio da astronáutica, para uma fuga da morte por expansão sideral, ou simplesmente de declinar para uma catástrofe ou senescência, dirige-se em realidade, por arranjo e convergência planetários de todas as reflexões elementares terrestres, para um segundo ponto crítico de Reflexão, coletivo e superior.

Ponto para além do qual, justamente por ser crítico, nada podemos ver diretamente; mas ponto pelo qual podemos prognosticar, como mostrei, o contato entre o Pensamento, nascido da involução sobre si da substância das coisas, e um foco transcendente "Ômega", princípio ao mesmo tempo irreversibilizante, motor e coletor dessa involução.

Só me resta, ao terminar, precisar meu pensamento sobre três questões que costumam causar dificuldade aos que me leem; quero dizer: a) qual é o lugar deixado à liberdade, e portanto à possibilidade de um fracasso do Mundo? b) qual é o valor concedido ao Espírito, em relação à Matéria? e c) que distinção subsiste entre Deus e o Mundo, na teoria do Enrolamento cósmico?

a) No que diz respeito às chances de sucesso da Cosmogênese, não decorre de modo algum, pretendo eu, da posição aqui adotada, que o êxito final da hominização seja necessário, fatal, assegurado.

Sem dúvida, as forças "noogênicas" de compressão, organização e interiorização sob as quais se opera a síntese biológica da Reflexão não afrouxam em nenhum momento sua pressão sobre a substância humana. Daí a possibilidade, assinalada acima, de prever com certeza, se tudo correr bem, certas direções precisas do futuro[4].

Mas, em virtude de sua própria natureza, não o esqueçamos, o arranjo dos grandes complexos, isto é, de estados cada vez mais improváveis, embora encadeados entre si, só se opera no Universo, e mais especialmente no caso do Homem, por dois métodos conjugados: 1) utilização tateante dos casos favoráveis, provocados em sua aparição pelo jogo dos grandes números, e 2) numa segunda fase, invenção refletida.

Que significa isso, senão que, por persistente e imperiosa que seja em sua ação a energia cósmica de Enrolamento, ela se encontra intrinsecamente afetada, em seus efeitos, por duas incertezas ligadas ao duplo jogo: embaixo, das probabilidades; no alto, das liberdades.

Observemos, contudo, que, no caso dos conjuntos muito grandes, tal como aquele representado justamente pela massa humana, o processo tende a "infalibilizar-se", crescendo as chances de sucesso do lado do acaso, e diminuindo as chances de recusa ou erro do lado das liberdades, com a multiplicação dos elementos engajados[5].

b) No que toca ao valor do Espírito, observo que, do ponto de vista fenomenal ao qual sistematicamente me restrinjo, Matéria e Espírito se apresentam não como "coisas" ou "naturezas", e sim como simples variáveis conjugadas. Delas se trata de determinar a curva em função do Espaço e do Tempo, e não a essência secreta.

E recordo que, nesse nível de reflexão, a "consciência" se apresenta, e pede para ser tratada, não como uma espécie de entidade particular e subsistente, e sim como um "efeito", como o "efeito específico" da Complexidade.

Ora, dentro desses próprios limites, por modestos que sejam, algo muito importante me parece fornecido pela experiência em favor das especulações da metafísica.

De um lado, com efeito, admitida a transposição acima indicada da noção de Consciência, nada nos impede mais, ao contrário, nós o vimos, de prolongar para baixo, na direção das fracas complexidades, sob forma invisível, o espectro do "dentro das coisas"; o que quer dizer que o "psíquico" se descobre sustentando, em graus diversos de concentração, a totalidade do Fenômeno.

E, de outro lado, seguido para o alto, na direção dos complexos muito grandes, o mesmo "psíquico", a partir do momento em que se torna perceptível nos seres, manifesta, em relação à sua matriz de "Complexidade", uma tendência crescente ao domínio e à autonomia.

Nas origens da Vida, pareceria que é o foco de arranjo, F1, que, em cada elemento individual, engendra e controla seu foco conjugado de consciência, F2. Mas, mais alto, eis o equilíbrio que se inverte.

Muito nitidamente, primeiro a partir do "passo individual da reflexão", se não já antes, é F2 que começa a assumir, por "invenção", os progressos de F1. E depois, mais alto ainda, isto é, nas aproximações conjecturadas da Reflexão coletiva, eis F2 dando sinais de dissociar-se de seu quadro temporoespacial para conjugar-se com o foco universal e supremo Ômega.

Depois da emergência, a emersão!

Nas perspectivas do Enrolamento cósmico, não apenas a Consciência se torna coextensiva ao Universo; o Universo cai em equilíbrio e consistência, sob forma de Pensamento, sobre um polo de interiorização suprema.

Que suporte experimental mais belo do que esse para fundar metafisicamente o primado do Espírito?

c) E enfim, para terminar e acabar de uma vez com os receios de "panteísmo" constantemente levantados por certos defensores do espiritualismo tradicional a propósito da Evolução, como deixar de ver que, no caso de um Universo convergente tal como o apresentei, longe de nascer da fusão e da confusão dos centros elementares que reúne, o Centro Universal de unificação, justamente para preencher sua função motora, coletora e estabilizadora, deve ser concebido[6] como preexistente e transcendente.

"Panteísmo" muito real, se se quiser, no sentido etimológico da palavra, mas panteísmo absolutamente legítimo: pois se, no fim das contas, os centros refletidos do Mundo já não fazem efetivamente mais que "um com Deus", esse estado se obtém não por identificação, Deus tornando-se tudo, e sim por ação diferenciadora e comuniante do amor, Deus tudo em todos, o que é essencialmente ortodoxo e cristão.

## Notas

[1] A partir da Reflexão, o jogo das combinações "planejadas" ou "inventadas" vem acrescentar-se, e em alguma medida substituir-se, ao das combinações fortuitamente "encontradas", ver abaixo.

[2] Exatamente como muda a Física, por aparição e dominância de certos termos novos, quando passa do Médio ao Imenso, ou, ao contrário, ao Extremamente Pequeno. Esquece-se demasiado isto: deve haver, e há, uma Biologia especial dos "infinitamente complexos".

[3] O mesmo "senso comum", observemos, que acaba de ser retificado em tantos pontos, sem apelação, pela física.

[4] Estas, por exemplo: que nada poderia deter o Homem em sua marcha para a unificação social, para o desenvolvimento, libertador para o espírito, da máquina e dos automatismos, para o "tentar tudo" e "pensar tudo" até o fim.

[5] Para um crente cristão, é interessante notar que o sucesso final da Hominização, e portanto do Enrolamento cósmico, é positivamente garantido pela "virtude ressuscitante" do Deus encarnado em sua criação. Mas aqui já deixamos o plano do fenômeno.

[6] Como já expliquei superabundantemente: cf. pp. 297 e 327.

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