Leia agora
O Corcunda de Notre Dame

Universo da obra

O Corcunda de Notre Dame

Capítulo 49 · O Corcunda de Notre Dame

LIVRO DÉCIMO — I. GRINGOIRE TEM VÁRIAS BOAS IDEIAS SEGUIDAS NA RUE DES BERNARDINS

49 de 59 ≈ 18 min de leitura

LIVRO DÉCIMO

I. GRINGOIRE TEM VÁRIAS BOAS IDEIAS SEGUIDAS NA RUE DES BERNARDINS

Desde que Pierre Gringoire vira o rumo tomado por toda aquela história e percebera que decididamente haveria corda, enforcamento e outros dissabores para as personagens principais daquela comédia, deixara de querer envolver-se. Os truands, entre os quais permanecera por considerar, em última análise, que eram a melhor companhia de Paris, continuavam a interessar-se pela egípcia. Achara isso muito natural em gente que, como ela, não tinha outra perspectiva além de Charmolue e Torterue e que não cavalgava, como ele, nas regiões imaginárias entre as duas asas de Pégaso. Soubera por suas conversas que sua esposa da bilha quebrada se refugiara em Notre-Dame, e ficara muito contente. Mas não sentira sequer a tentação de ir vê-la. Pensava algumas vezes na cabrinha, e era tudo. De resto, durante o dia fazia proezas para viver e, à noite, elaborava laboriosamente um memorial contra o bispo de Paris, pois se lembrava de ter sido inundado pelas rodas de seus moinhos e guardava-lhe rancor. Ocupava-se também em comentar a bela obra de Baudry le Rouge, bispo de Noyon e Tournay, De Cupa Petrarum, o que lhe dera um gosto violento pela arquitetura; inclinação que substituíra em seu coração a paixão pelo hermetismo, do qual, aliás, era apenas um corolário natural, pois existe um laço íntimo entre a hermética e a maçonaria. Gringoire passara do amor de uma ideia ao amor da forma dessa ideia.

Certo dia, detivera-se perto de Saint-Germain-l’Auxerrois, no ângulo de uma casa chamada For-l’Évêque, que ficava diante de outra chamada For-le-Roi. Havia no For-l’Évêque uma encantadora capela do século XIV cuja abside dava para a rua. Gringoire examinava devotamente suas esculturas exteriores. Estava num daqueles momentos de fruição egoísta, exclusiva, suprema, em que o artista só vê no mundo a arte e vê o mundo na arte. De repente, sentiu uma mão pousar-lhe gravemente no ombro. Voltou-se. Era seu antigo amigo, seu antigo mestre, o senhor arquidiácono.

Ficou estupefato. Havia muito não via o arquidiácono, e dom Claude era um daqueles homens solenes e apaixonados cujo encontro perturba sempre o equilíbrio de um filósofo cético.

O arquidiácono guardou silêncio por alguns instantes, durante os quais Gringoire pôde observá-lo. Achou dom Claude muito mudado, pálido como uma manhã de inverno, os olhos fundos, os cabelos quase brancos. Foi o padre quem rompeu enfim o silêncio, dizendo num tom tranquilo, mas glacial:

— Como vai, mestre Pierre?

— Minha saúde? — respondeu Gringoire. — Eh! Eh! Pode-se dizer isto e aquilo. Contudo, no conjunto, vai bem. Não exagero em nada. Sabe, mestre? O segredo da boa saúde, segundo Hipócrates: id est cibi, potus, somni, Venus, omnia moderata sint.

— Então não tem nenhuma preocupação, mestre Pierre? — tornou o arquidiácono, olhando-o fixamente.

— Por minha fé, nenhuma.

— E que faz agora?

— Está vendo, meu mestre. Examino o corte destas pedras e a maneira como este baixo-relevo foi escavado.

O padre começou a sorrir com aquele sorriso amargo que só ergue uma das extremidades da boca.

— E isso o diverte?

— É o paraíso! — exclamou Gringoire. E, inclinando-se para as esculturas com a expressão deslumbrada de um demonstrador de fenômenos vivos: — Não acha, por exemplo, esta metamorfose em baixo-relevo executada com muita habilidade, delicadeza e paciência? Veja esta coluneta. Em torno de que capitel viu folhas mais tenras e mais acariciadas pelo cinzel? Aqui estão três figuras de vulto de Jean Maillevin. Não são as mais belas obras desse grande gênio. Contudo, a ingenuidade, a doçura dos rostos, a alegria das atitudes e das roupagens e esse encanto inexplicável que se mistura a todos os defeitos tornam as figurinhas muito alegres e delicadas, talvez até demais. Não acha divertido?

— Acho — disse o padre.

— E se visse o interior da capela! — retomou o poeta com seu entusiasmo tagarela. — Esculturas por toda parte. É cerrado como o coração de um repolho! A abside é de feitura muito devota e tão particular que nunca vi nada semelhante em outro lugar!

Dom Claude o interrompeu:

— Então você é feliz?

Gringoire respondeu com ardor:

— Por minha honra, sim! Amei primeiro as mulheres, depois os animais. Agora amo as pedras. São tão divertidas quanto os animais e as mulheres, e menos pérfidas.

O padre levou a mão à testa. Era seu gesto habitual.

— Em verdade!

— Veja! — disse Gringoire. — Há prazeres!

Tomou o braço do padre, que se deixou conduzir, e o fez entrar sob a torreta da escada do For-l’Évêque.

— Eis uma escada! Sempre que a vejo, sou feliz. É o degrau da maneira mais simples e mais rara de Paris. Todos os degraus são desbastados por baixo. Sua beleza e simplicidade consistem nos pisos de um lado e de outro, com um pé ou cerca disso, que se entrelaçam, encaixam, embutem, encadeiam, engastam, recortam uns nos outros e se mordem mutuamente de maneira realmente firme e gentil!

— E não deseja nada?

— Não.

— E não lamenta nada?

— Nem lamento nem desejo. Organizei minha vida.

— O que os homens organizam — disse Claude —, as coisas desorganizam.

— Sou um filósofo pirrônico — respondeu Gringoire — e mantenho tudo em equilíbrio.

— E como ganha sua vida?

— Ainda faço aqui e ali epopeias e tragédias; mas o que mais me rende é a indústria que o senhor conhece, meu mestre: carregar pirâmides de cadeiras nos dentes.

— O ofício é grosseiro para um filósofo.

— Ainda é equilíbrio — disse Gringoire. — Quando se tem um pensamento, ele reaparece em tudo.

— Eu sei — respondeu o arquidiácono.

Depois de um silêncio, o padre retomou:

— Você é, no entanto, bastante miserável?

— Miserável, sim; infeliz, não.

Naquele momento, ouviu-se um ruído de cavalos, e os dois interlocutores viram desfilar no fim da rua uma companhia de arqueiros da ordenança do rei, lanças erguidas, o oficial à frente. A cavalgada era brilhante e ressoava no calçamento.

— Como olha para aquele oficial! — disse Gringoire ao arquidiácono.

— É que creio reconhecê-lo.

— Como se chama?

— Creio — disse Claude — que se chama Phoebus de Châteaupers.

— Phoebus! Um nome curioso! Há também Phoebus, conde de Foix. Lembro-me de ter conhecido uma moça que só jurava por Phoebus.

— Venha — disse o padre. — Tenho uma coisa para lhe dizer.

Desde a passagem daquela tropa, alguma agitação transparecia sob o invólucro glacial do arquidiácono. Pôs-se a andar. Gringoire o seguia, acostumado a obedecer-lhe, como tudo o que alguma vez se aproximara daquele homem cheio de ascendência. Chegaram em silêncio à rue des Bernardins, bastante deserta. Dom Claude parou.

— Que tem a me dizer, meu mestre? — perguntou Gringoire.

— Não acha — respondeu o arquidiácono com ar de profunda reflexão — que a roupa daqueles cavaleiros que acabamos de ver é mais bela do que a sua e a minha?

Gringoire sacudiu a cabeça.

— Por minha fé! Prefiro minha gonela amarela e vermelha àquelas escamas de ferro e aço. Belo prazer, fazer ao caminhar o mesmo barulho que o quai de la Ferraille durante um terremoto!

— Então, Gringoire, nunca invejou aqueles belos rapazes em gibões de guerra?

— Invejar o quê, senhor arquidiácono? Sua força, armadura, disciplina? Valem mais a filosofia e a independência em farrapos. Prefiro ser cabeça de mosca a cauda de leão.

— Isso é singular — disse o padre, sonhador. — Uma bela libré é, contudo, bela.

Gringoire, vendo-o pensativo, deixou-o para admirar o pórtico de uma casa vizinha. Voltou batendo palmas.

— Se estivesse menos ocupado com as belas roupas dos homens de guerra, senhor arquidiácono, eu lhe pediria para olhar esta porta. Sempre disse que a casa do senhor Aubry tem a entrada mais magnífica do mundo.

— Pierre Gringoire — disse o arquidiácono —, que fez daquela pequena dançarina egípcia?

— A Esmeralda? O senhor muda de assunto muito bruscamente.

— Ela não era sua mulher?

— Sim, por meio de uma bilha quebrada. Tínhamos quatro anos pela frente. A propósito — acrescentou Gringoire, olhando o arquidiácono com ar meio zombeteiro —, então ainda pensa nela?

— E você já não pensa?

— Pouco. Tenho tantas coisas!... Meu Deus, como era bonita a cabrinha!

— Aquela boêmia não lhe salvou a vida?

— Por Deus, é verdade.

— Pois bem! Que foi feito dela? Que fez com ela?

— Não saberia dizer. Creio que a enforcaram.

— Crê?

— Não tenho certeza. Quando vi que queriam enforcar as pessoas, retirei-me do jogo.

— É tudo o que sabe?

— Espere. Disseram-me que se refugiara em Notre-Dame, que estava ali em segurança, e fiquei encantado; não consegui descobrir se a cabra se salvara com ela, e isso é tudo quanto sei.

— Vou lhe ensinar mais! — gritou dom Claude, e sua voz, até então baixa, lenta e quase abafada, tornara-se tonitruante. — Ela está, de fato, refugiada em Notre-Dame. Mas dentro de três dias a justiça irá retomá-la ali e será enforcada na Grève. Há uma sentença do parlamento.

— Isso é desagradável — disse Gringoire.

Num abrir e fechar de olhos, o padre tornara-se outra vez frio e calmo.

— E que diabo — retomou o poeta — se divertiu em solicitar uma sentença de reintegração? Não podiam deixar o parlamento em paz? Que mal faz uma pobre moça abrigar-se sob os arcobotantes de Notre-Dame, ao lado dos ninhos de andorinha?

— Há demônios no mundo — respondeu o arquidiácono.

— Isso está diabolicamente mal encaminhado — observou Gringoire.

O arquidiácono retomou depois de um silêncio:

— Então ela lhe salvou a vida?

— Entre meus bons amigos truands. Um pouco mais, um pouco menos, eu estava enforcado. Hoje eles lamentariam.

— Não quer fazer nada por ela?

— Nada desejo mais, dom Claude. Mas se eu for enrolar uma má história em torno do corpo...

— Que importa?

— Ora, que importa! O senhor está muito à vontade, meu mestre! Tenho duas grandes obras começadas.

O padre bateu na testa. Apesar da calma que afetava, de vez em quando um gesto violento revelava suas convulsões interiores.

— Como salvá-la?

Gringoire lhe disse:

— Meu mestre, responderei: Il padelt, o que quer dizer em turco: Deus é nossa esperança.

— Como salvá-la? — repetiu Claude, sonhador.

Gringoire, por sua vez, bateu na testa.

— Escute, meu mestre. Tenho imaginação. Vou encontrar expedientes. E se pedíssemos graça ao rei?

— A Louis XI? Uma graça?

— Por que não?

— Vá tirar o osso da boca do tigre!

Gringoire começou a procurar novas soluções.

— Pois bem, veja! Quer que eu dirija às parteiras uma petição declarando que a moça está grávida?

A pupila funda do padre faiscou.

— Grávida, patife! Sabe alguma coisa disso?

Gringoire se assustou com sua expressão. Apressou-se a dizer:

— Oh! Eu, não! Nosso casamento foi um verdadeiro forismaritagium. Fiquei do lado de fora. Mas, enfim, conseguiríamos uma prorrogação.

— Loucura! Infâmia! Cale-se!

— Faz mal em irritar-se — resmungou Gringoire. — Obtém-se uma prorrogação, não faz mal a ninguém e rende quarenta deniers parisis às parteiras, que são mulheres pobres.

O padre não o escutava.

— É preciso, contudo, que ela saia dali! — murmurou. — A sentença é executória dentro de três dias! Aliás, mesmo sem sentença, aquele Quasimodo! As mulheres têm gostos muito depravados!

Ergueu a voz:

— Mestre Pierre, pensei bem. Só há um meio de salvação para ela.

— Qual? Eu já não vejo nenhum.

— Escute, mestre Pierre. Lembre-se de que lhe deve a vida. Vou lhe dizer francamente minha ideia. A igreja é vigiada dia e noite. Só deixam sair quem viram entrar. Você poderá, portanto, entrar. Virá. Eu o introduzirei junto dela. Trocará de roupa com ela. Ela vestirá seu gibão; você, a saia dela.

— Até aqui vai bem — observou o filósofo. — E depois?

— E depois? Ela sairá com suas roupas; você ficará com as dela. Talvez o enforquem, mas ela estará salva.

Gringoire coçou a orelha com ar muito sério.

— Ora! — disse. — Eis uma ideia que nunca me teria vindo sozinho.

À inesperada proposta de dom Claude, o rosto aberto e benigno do poeta escurecera bruscamente, como uma paisagem sorridente da Itália quando uma rajada inoportuna esmaga uma nuvem sobre o sol.

— Pois bem, Gringoire! Que diz do meio?

— Digo, meu mestre, que talvez não me enforquem, mas que indubitavelmente me enforcarão.

— Isso não nos diz respeito.

— A peste! — disse Gringoire.

— Ela lhe salvou a vida. É uma dívida que paga.

— Há tantas outras que não pago!

— Mestre Pierre, é absolutamente necessário.

O arquidiácono falava com autoridade.

— Escute, dom Claude — respondeu o poeta, consternado. — Está apegado a essa ideia e está errado. Não vejo por que me faria enforcar no lugar de outro.

— Que tem você que tanto o prende à vida?

— Ah! Mil razões!

— Quais, por favor?

— Quais? O ar, o céu, a manhã, a tarde, o luar, meus bons amigos truands, nossas gargalhadas com as mulheres da cidade, as belas arquiteturas de Paris para estudar, três grossos livros para fazer, um deles contra o bispo e seus moinhos, que sei eu? Anaxágoras dizia que estava no mundo para admirar o sol. E depois tenho a felicidade de passar todos os meus dias, da manhã à noite, com um homem de gênio que sou eu, e isso é muito agradável.

— Cabeça feita para guizo! — resmungou o arquidiácono. — Vamos, fale: essa vida que torna tão encantadora, quem a conservou? A quem deve respirar este ar, ver este céu e ainda poder divertir seu espírito de cotovia com ninharias e loucuras? Sem ela, onde estaria? Quer então que morra aquela por quem você vive? Que morra essa criatura bela, doce, adorável, necessária à luz do mundo, mais divina que Deus, enquanto você, meio sábio e meio louco, vão esboço de alguma coisa, espécie de vegetal que pensa andar e pensa pensar, continuará a viver com a vida que lhe roubou, tão inútil quanto uma vela ao meio-dia? Vamos, um pouco de piedade, Gringoire! Seja generoso por sua vez. Foi ela quem começou.

O padre estava veemente. Gringoire escutou-o primeiro com ar indeciso, depois enterneceu-se e acabou fazendo uma careta trágica que tornou seu rosto lívido semelhante ao de um recém-nascido com cólica.

— O senhor é patético — disse, enxugando uma lágrima. — Pois bem! Pensarei nisso. É uma ideia estranha que teve. Afinal — continuou depois de um silêncio —, quem sabe? Talvez não me enforquem. Nem todo noivo chega a marido. Quando me encontrarem naquela cela, tão grotescamente vestido de saia e touca, talvez estourem de rir. E depois, se me enforcarem, a corda é uma morte como outra qualquer; ou, para dizer melhor, não é uma morte como outra qualquer. É uma morte digna do sábio que oscilou a vida inteira, uma morte que não é carne nem peixe, como o espírito do verdadeiro cético, uma morte toda impregnada de pirronismo e hesitação, que fica a meio caminho entre o céu e a terra, que nos deixa suspensos. É uma morte de filósofo, e eu talvez estivesse predestinado a ela. É magnífico morrer como se viveu.

O padre interrompeu:

— Está combinado?

— Que é a morte, afinal? — continuou Gringoire com exaltação. — Um mau momento, um pedágio, a passagem de pouca coisa para nada. Alguém perguntou a Cercidas, de Megalópolis, se morreria de boa vontade. “Por que não?”, respondeu ele, “pois depois da morte verei esses grandes homens: Pitágoras entre os filósofos, Hecateu entre os historiadores, Homero entre os poetas, Olimpo entre os músicos”.

O arquidiácono estendeu-lhe a mão.

— Então está dito? Virá amanhã?

Esse gesto trouxe Gringoire de volta ao terreno positivo.

— Ah! Por minha fé, não! — disse no tom de um homem que desperta. — Ser enforcado! É absurdo demais. Não quero.

— Adeus, então!

E o arquidiácono acrescentou entre os dentes:

— Eu o encontrarei.

— Não quero que esse homem do diabo me encontre — pensou Gringoire.

Correu atrás de dom Claude.

— Veja, senhor arquidiácono, nada de mau humor entre velhos amigos! O senhor se interessa por essa moça, por minha mulher, quero dizer, está bem. Imaginou um estratagema para tirá-la sã e salva de Notre-Dame, mas seu meio é extremamente desagradável para mim, Gringoire. E se eu tivesse outro? Aviso que acaba de me ocorrer uma inspiração muito luminosa. Se eu tivesse uma ideia expedita para tirá-la do mau passo sem comprometer meu pescoço com o menor nó corredio, que diria? Isso não lhe bastaria? É absolutamente necessário que eu seja enforcado para que fique satisfeito?

O padre arrancava de impaciência os botões da batina.

— Riacho de palavras! Qual é seu meio?

— Sim — retomou Gringoire, falando consigo mesmo e tocando o nariz com o indicador em sinal de meditação —, é isso! Os truands são bons rapazes. A tribo do Egito a ama. Eles se levantarão à primeira palavra. Nada mais fácil. Um golpe de mão. Em meio à desordem, será fácil levá-la. Já amanhã à noite... Eles não pedirão outra coisa.

— O meio! Fale! — disse o padre, sacudindo-o.

Gringoire voltou-se majestosamente para ele.

— Deixe-me! Não vê que estou compondo?

Refletiu ainda alguns instantes. Depois começou a bater palmas diante do próprio pensamento, gritando:

— Admirável! Sucesso garantido!

— O meio! — repetiu Claude, colérico.

Gringoire estava radiante.

— Venha, vou lhe dizer em voz baixa. É uma contramina verdadeiramente galharda e que nos tira a todos da dificuldade. Por Deus! É preciso reconhecer que não sou imbecil.

Interrompeu-se:

— Ora essa! A cabrinha está com a moça?

— Sim. Que o diabo o carregue!

— É que a enforcariam também, não é?

— Que me importa?

— Sim, enforcariam. Enforcaram uma porca no mês passado. O carrasco gosta disso. Come o animal depois. Enforcar minha bonita Djali! Pobre cordeirinha!

— Maldição! — exclamou dom Claude. — O carrasco é você. Que meio de salvação encontrou, patife? Terei de arrancar sua ideia com fórceps?

— Calma, mestre! Aqui está.

Gringoire inclinou-se ao ouvido do arquidiácono e falou muito baixo, lançando um olhar inquieto de uma ponta à outra da rua, onde, no entanto, ninguém passava. Quando terminou, dom Claude tomou-lhe a mão e disse friamente:

— Está bem. Até amanhã.

— Até amanhã — repetiu Gringoire.

E, enquanto o arquidiácono se afastava por um lado, ele partiu pelo outro, dizendo a meia-voz:

— Eis uma grande aventura, senhor Pierre Gringoire. Não importa. Não está dito que, por ser pequeno, se deva ter medo de uma grande empresa. Bíton carregou um grande touro nos ombros; as alvéolas, as toutinegras e os chascos atravessam o oceano.

O Corcunda de Notre Dame

Sinopse

Tradução brasileira de O Corcunda de Notre Dame, romance de Victor Hugo sobre Quasímodo, Esmeralda, a catedral, a multidão, o desejo, a justiça e o destino na Paris medieval. Edição consolidada pelo projeto Literunico / Copa.

O Corcunda de Notre Dame

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Ir para o carrinho
Mercado de O Corcunda de Notre Dame

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral O Corcunda de Notre Dame Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 49 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de O Corcunda de Notre Dame

Capa de O Corcunda de Notre Dame
Continue a leitura LIVRO DÉCIMO — I. GRINGOIRE TEM VÁRIAS BOAS IDEIAS SEGUIDAS NA RUE DES BERNARDINS Capítulo 49 · 49 de 59 · ≈ 18 min
Todos os capítulos 59 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir