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O Corcunda de Notre Dame

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O Corcunda de Notre Dame

Capítulo 55 · O Corcunda de Notre Dame

LIVRO DÉCIMO — VII. CHÂTEAUPERS AO SOCORRO!

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LIVRO DÉCIMO

VII. CHÂTEAUPERS AO SOCORRO!

O leitor talvez se lembre da situação crítica em que deixamos Quasimodo. O valente surdo, assaltado por todos os lados, perdera, senão toda a coragem, ao menos toda a esperança de salvar, não a si, não pensava em si, mas a egípcia. Corria alucinado pela galeria. Notre-Dame estava prestes a ser tomada pelos truands. De repente, um grande galope de cavalos encheu as ruas vizinhas e, com uma longa fileira de tochas e uma espessa coluna de cavaleiros baixando lanças e rédeas, aqueles ruídos furiosos desembocaram na praça como um furacão:

— França! França! Cortem os camponeses! Châteaupers ao socorro! Prévôté! Prévôté!

Os truands, aterrorizados, deram meia-volta.

Quasimodo, que nada ouvia, viu as espadas nuas, as tochas, os ferros de pique, toda aquela cavalaria, à frente da qual reconheceu o capitão Phoebus; viu a confusão dos truands, o terror de uns, a perturbação dos melhores, e recebeu daquele socorro inesperado força bastante para lançar para fora da igreja os primeiros assaltantes que já transpunham a galeria.

Eram, de fato, as tropas do rei que chegavam.

Os truands combateram valentemente. Defenderam-se como desesperados. Tomados de flanco pela rue Saint-Pierre-aux-Bœufs e pela retaguarda pela rue du Parvis, encurralados contra Notre-Dame, que ainda assaltavam e que Quasimodo defendia, ao mesmo tempo sitiantes e sitiados, encontravam-se na singular situação em que mais tarde se encontrou, no famoso cerco de Turim, em 1640, entre o príncipe Thomas de Savoie, a quem sitiava, e o marquês de Leganez, que o bloqueava, o conde Henri d’Harcourt, Taurinum obsessor idem et obsessus, como diz seu epitáfio.

A luta foi terrível. Para carne de lobo, dente de cão, como diz P. Mathieu. Os cavaleiros do rei, entre os quais Phoebus de Châteaupers se comportava valentemente, não davam quartel, e a lâmina terminava o que escapava à ponta. Os truands, mal armados, espumavam e mordiam. Homens, mulheres e crianças lançavam-se às garupas e peitos dos cavalos e ali se agarravam como gatos, com os dentes e as unhas dos quatro membros. Outros esfregavam tochas no rosto dos arqueiros. Outros enganchavam ganchos de ferro no pescoço dos cavaleiros e puxavam-nos para si. Despedaçavam os que caíam.

Notou-se um que tinha uma grande foice reluzente e durante muito tempo ceifou as pernas dos cavalos. Era assustador. Cantava uma canção nasalada, lançava sem cessar e tornava a trazer a foice. A cada golpe, traçava ao redor um grande círculo de membros cortados. Avançava assim no ponto mais cerrado da cavalaria, com a lentidão tranquila, o balanço da cabeça e a respiração regular de um ceifeiro que entra num campo de trigo. Era Clopin Trouillefou. Um tiro de arcabuz o abateu.

Entretanto, as janelas tornaram a abrir-se. Os vizinhos, ouvindo os gritos de guerra dos homens do rei, misturaram-se ao combate, e de todos os andares choveram balas sobre os truands. O Parvis estava cheio de fumaça espessa que a mosquetaria riscava de fogo. Distinguiam-se confusamente a fachada de Notre-Dame e o decrépito Hôtel-Dieu, com alguns doentes lívidos que olhavam do alto de seu telhado descascado, eriçado de lucarnas.

Enfim, os truands cederam. O cansaço, a falta de boas armas, o terror da surpresa, a mosquetaria das janelas, o valente choque dos homens do rei, tudo os derrubou. Romperam a linha dos atacantes e começaram a fugir em todas as direções, deixando no Parvis um amontoado de mortos.

Quando Quasimodo, que não cessara um só momento de combater, viu a derrota, caiu de joelhos e ergueu as mãos para o céu; depois, embriagado de alegria, correu, subiu com a velocidade de um pássaro àquela cela cujas aproximações defendera com tanta intrepidez. Agora tinha um único pensamento: ajoelhar-se diante daquela que acabava de salvar pela segunda vez.

Quando entrou na cela, encontrou-a vazia.

O Corcunda de Notre Dame

Sinopse

Tradução brasileira de O Corcunda de Notre Dame, romance de Victor Hugo sobre Quasímodo, Esmeralda, a catedral, a multidão, o desejo, a justiça e o destino na Paris medieval. Edição consolidada pelo projeto Literunico / Copa.

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