Cello (II)
Vem,
abrace-me.
Encaixe-me
entre tuas pernas,
pois nossas formas
se completam
qual escala maior.
Vem,
Toque-me de leve.
Acaricie minhas curvas
com a ponta dos dedos.
Deslize tuas mãos
por todo o meu braço.
Vem,
Sinta-me por inteiro...
Sou firme,
gentil
e vigoroso.
Sou lindo,
tonante
e companheiro.
Sou teu:
Vem,
toque-me.
Deite em mim
tua cabeça.
Traga-me tua paixão
dissonante
que a harmonizarei
com amor às nossas
partituras.
Toque-me com
a ênfase que
tocas-te a ti.
Retribuirei sonoro:
cantarei teus talentos,
gemerei por tuas mãos
ao teu bel-prazer.
Vem,
deságua-te
em mim
e vibrarei-me
para ti.
Vem.
Sinta meus acordes
e esqueça
o que não for música
aos teus ouvidos.
Alberto Busquets.
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#desafio 365 dias
Dia 46 - Poemas de outrora
Areias (fevereiro, 2000)
Amor, amor,
e agora?
Como me verei a sós?
Não há alegria, há a aurora
e o romper dela
a tudo destrói:
corrói a alma, fere o ser
esmaece a vida, faz-me escrever.
Amor, amor,
não há o que se saber.
Como ter o olhar
de um girassol
se vejo apenas
pedras no caminho?
Não se escreve versos livres
se os olhos da alma a nada podem ver.
Amor, amor,
adeus?
É, anoiteceu o dia
não se pode reverter:
esgotou o tempo
da ampulheta de nossas
vidas... Amor
amor, esgotamos eu e você!
Dia 46 - Poemas de outrora
Areias (fevereiro, 2000)
Amor, amor,
e agora?
Como me verei a sós?
Não há alegria, há a aurora
e o romper dela
a tudo destrói:
corrói a alma, fere o ser
esmaece a vida, faz-me escrever.
Amor, amor,
não há o que se saber.
Como ter o olhar
de um girassol
se vejo apenas
pedras no caminho?
Não se escreve versos livres
se os olhos da alma a nada podem ver.
Amor, amor,
adeus?
É, anoiteceu o dia
não se pode reverter:
esgotou o tempo
da ampulheta de nossas
vidas... Amor
amor, esgotamos eu e você!
Logo novidades....
Meus Demônios
Lá estava eu, sob a mesa em pedaços, enquanto lá estavam eles, me olhando, salivando!
Me encaravam com desdém, me fitavam me julgando, devoravam o devorado, machucavam o machucado
Mastigavam, me rasgavam, retiravam os meus órgãos, trituravam os meus ossos, me partiam, me dobravam, e eu senti que merecia
Me cuspiram, me abusaram, me afogaram no meu sangue, me mostraram meus pecados, os meus erros, meu passado!
Me culpei, me desculpei, mas senti que não valia! Me amarraram em uma corda, pendurado balançava, entre pedras e porradas
E lá em cima pendurado questionei será eu todo culpado, ou meio todo, talvez meio terço? E já todo espancado percebi que por mim mesmo, fui culpado e condenado!
Lá estava eu, sob a mesa em pedaços, enquanto lá estavam eles, me olhando, salivando!
Me encaravam com desdém, me fitavam me julgando, devoravam o devorado, machucavam o machucado
Mastigavam, me rasgavam, retiravam os meus órgãos, trituravam os meus ossos, me partiam, me dobravam, e eu senti que merecia
Me cuspiram, me abusaram, me afogaram no meu sangue, me mostraram meus pecados, os meus erros, meu passado!
Me culpei, me desculpei, mas senti que não valia! Me amarraram em uma corda, pendurado balançava, entre pedras e porradas
E lá em cima pendurado questionei será eu todo culpado, ou meio todo, talvez meio terço? E já todo espancado percebi que por mim mesmo, fui culpado e condenado!
#Desafio 047
Leve
Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.
O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).
Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.
Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.
Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.
Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.
Crs Ribeiro.
Leve
Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.
O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).
Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.
Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.
Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.
Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.
Crs Ribeiro.
Hoje consegui chorar
sem pressa, sem medo
sem me desculpar.
De peito aberto, sem desviar os olhos,
talvez pedindo socorro,
talvez um abraço.
Normalmente escondo tudo
nos prazos, nos e-mails
na voz firme ao telefone
como quem diz:
“está tudo bem”.
Mas hoje não.
Hoje senti o peso nos ombros
e, pela primeira vez em muito tempo
não tentei carregar sozinha.
Deitei a cabeça, não para dormir
mas para sentir e chorar.
Meu corpo pediu um abraço
minha alma gritou sem palavras
e, mesmo sem ninguém por perto,
eu escutei.
Talvez fosse cansaço,
talvez fosse saudade
Talvez fosse só eu
sendo humana
sendo vulnerável
sem precisar esconder
eu e o travesseiro a me acolher.
“Está tudo bem.”
sem pressa, sem medo
sem me desculpar.
De peito aberto, sem desviar os olhos,
talvez pedindo socorro,
talvez um abraço.
Normalmente escondo tudo
nos prazos, nos e-mails
na voz firme ao telefone
como quem diz:
“está tudo bem”.
Mas hoje não.
Hoje senti o peso nos ombros
e, pela primeira vez em muito tempo
não tentei carregar sozinha.
Deitei a cabeça, não para dormir
mas para sentir e chorar.
Meu corpo pediu um abraço
minha alma gritou sem palavras
e, mesmo sem ninguém por perto,
eu escutei.
Talvez fosse cansaço,
talvez fosse saudade
Talvez fosse só eu
sendo humana
sendo vulnerável
sem precisar esconder
eu e o travesseiro a me acolher.
“Está tudo bem.”
Desafio d escrita: aventura infantil
Infância mágica
Observar o mágico tirar o coelho da cartola
Tudo é novo, o mundo lá fora.
Antes das primeiras palavras falar;
Já sabia dançar e encantar.
Antes de aprender a rimar
Já sabia desenhar
Um fururo com a métrica
Da simplicidade.
E a falar a verdade...
Os amigos da vizinhança.
A procura de temperança.
A luz vermelha na linha da estação.
O plano d fuga; uma missão!
Domínio do pensamento bem discreta.
Penso e logo uma bicicleta.
Um gostinho da realidade,
Me desperta;
A conquistar a vida.
Inocência de criança
Brincadeira sadia;
Eu era feliz e não sabia ...
#rlloco
Infância mágica
Observar o mágico tirar o coelho da cartola
Tudo é novo, o mundo lá fora.
Antes das primeiras palavras falar;
Já sabia dançar e encantar.
Antes de aprender a rimar
Já sabia desenhar
Um fururo com a métrica
Da simplicidade.
E a falar a verdade...
Os amigos da vizinhança.
A procura de temperança.
A luz vermelha na linha da estação.
O plano d fuga; uma missão!
Domínio do pensamento bem discreta.
Penso e logo uma bicicleta.
Um gostinho da realidade,
Me desperta;
A conquistar a vida.
Inocência de criança
Brincadeira sadia;
Eu era feliz e não sabia ...
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#desafio 365 dias
Dia 47 - Retalhos
Porque algumas pessoas têm o dom de tornar o mundo mais confuso, mesmo que não queiram. Era, justamente, o que eu tentava, sem sucesso, explicitar, quando encontrei mais ou menos isto confidencialmente perdido em uma rede social.
Claro que minha veia de escritora não me deixaria apresentar a frase como se fosse minha, mas também não seria justo recitá-la assim, como se exprimir o que eu sentia nas exatas palavras não fosse mérito meu.
Engraçado que eu, até ontem, transcendia, em poesia, o que era segredo. Uma forma de revelar-me em palavras que se fingiam endereçadas a todos que as lessem, quando, na verdade, havia um só destinatário. Eu escolhia os códigos e me esquecia em questionamentos se você os compreenderia.
Eu ria sozinha, imaginando situações prováveis, quando você perceberia, numa palavra-espelho, o seu rosto. Mas pra que pressa? Eu despedaçava o espelho em metáforas mil, para que seu trabalho de juntar os cacos se tornasse mais infértil e você desistisse. Afinal eu queria um mundo simples.
E sempre havia um quê de voz na minha apreensão, quando conversávamos. E essa frase também não é minha, porque o que me resta dizer, se o segredo já não há? A poesia sempre me foi dizer o que era preciso ser deixado no quase esquecimento. Quase. Quase porque uma lembrança, com um resquício de vida, ainda brinca por aqui.
O mais importante era que eu sou uma casa de cômodos repetidos. O poeta da rede social, de quem roubei os versos, que me desculpe, mas tudo que eu fizera, tudo que eu dissera, só havia significado uma coisa e uma coisa apenas. E eu não tenho como dizer isto melhor.
Dia 47 - Retalhos
Porque algumas pessoas têm o dom de tornar o mundo mais confuso, mesmo que não queiram. Era, justamente, o que eu tentava, sem sucesso, explicitar, quando encontrei mais ou menos isto confidencialmente perdido em uma rede social.
Claro que minha veia de escritora não me deixaria apresentar a frase como se fosse minha, mas também não seria justo recitá-la assim, como se exprimir o que eu sentia nas exatas palavras não fosse mérito meu.
Engraçado que eu, até ontem, transcendia, em poesia, o que era segredo. Uma forma de revelar-me em palavras que se fingiam endereçadas a todos que as lessem, quando, na verdade, havia um só destinatário. Eu escolhia os códigos e me esquecia em questionamentos se você os compreenderia.
Eu ria sozinha, imaginando situações prováveis, quando você perceberia, numa palavra-espelho, o seu rosto. Mas pra que pressa? Eu despedaçava o espelho em metáforas mil, para que seu trabalho de juntar os cacos se tornasse mais infértil e você desistisse. Afinal eu queria um mundo simples.
E sempre havia um quê de voz na minha apreensão, quando conversávamos. E essa frase também não é minha, porque o que me resta dizer, se o segredo já não há? A poesia sempre me foi dizer o que era preciso ser deixado no quase esquecimento. Quase. Quase porque uma lembrança, com um resquício de vida, ainda brinca por aqui.
O mais importante era que eu sou uma casa de cômodos repetidos. O poeta da rede social, de quem roubei os versos, que me desculpe, mas tudo que eu fizera, tudo que eu dissera, só havia significado uma coisa e uma coisa apenas. E eu não tenho como dizer isto melhor.
Porto
Um barco
veleiro
perdido
no cais
do porto
na escuridão.
Um marco
de jeito
sentido
nos ais
do corpo
no coração.
Um barco
no peito
sofrido
no cais
do corpo
na solidão.
#sinais
Um barco
veleiro
perdido
no cais
do porto
na escuridão.
Um marco
de jeito
sentido
nos ais
do corpo
no coração.
Um barco
no peito
sofrido
no cais
do corpo
na solidão.
#sinais