Faróis: Lyrio astral Faróis · Capítulo 10 de 49
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Faróis: Lyrio astral

Lyrio astral

Lírio astral, ó lírio branco

Ó lírio astral,

No meu derradeiro arranco

Sê cordial!

Perfuma de graça leve

O meu final

Com o doce perfume breve,

Ó lírio astral!

Dá-me esse óleo sacrossanto

Toda a caudal

Do óleo casto do teu pranto,

Ó lírio astral!

Traz-me o alivio dos alívios,

Ó virginal,

Ó lírio dos lírios níveos,

Ó Lírio astral!

Dentre as sonatas da lua

Celestial,

Lírio, vem, Lírio, flutua,

Ó Lírio astral!

Dos raios das noites de ouro,

Do Roseiral,

Do constelado tesouro,

Ó lírio astral!

Desprende o fino perfume

Etereal

E vem do celeste fume,

Ó lírio astral!

Da maviosa suavidade

Do céu floral

Traz a meiga claridade,

Ó lírio astral!

Que bendita e sempre pura

E divinal

Seja-me a tua frescura,

Ó lírio astral!

Que ela, enfim, me transfigure,

Na hora fatal

E os meus sentidos apure,

Ó lírio astral!

Que tudo que me é avaro

De luz vital,

Nessa hora se tome claro,

Ó lírio astral!

Que portas de astros, rasgadas

Num céu lirial,

Eu veja desassombradas,

Ó lírio astral!

Que eu possa, tranqüilo, vê-las,

Limpo do mal,

Essas mil portas de estrelas

Ó lírio astral!

E penetrar nelas, calmo,

Na paz mortal,

Como um davídico salmo,

O lírio astral!

Vento velho que soluça

Meu Sonho ideal,

No Infinito se debruça,

Ó lírio astral!

Por isso, lá, no Momento,

Na hora fetal,

Perfuma esse velho vento

Ó lírio astral!

Traz a graça do Infinito,

Graça imortal,

Ao velho Sonho proscrito,

Ó lírio astral!

Adoça-me o derradeiro

Sonho feral

O lírio do astral Cruzeiro

Ó lírio astral!

Se, o Lírio, ó doce Lírio

De luz boreal

Na morte o meu claro círio,

Ó lírio astral!

Perfuma, Lírio, perfume,

Na hora glacial,

Meu Sonho de Sol, de Bruma,

Ó lírio astral!

Que eu suba na tua essência

Sacramental

Para a excelsa Transcendência,

Ó lírio astral!

E lá, nas Messes divinas,

Paire, eternal,

Nas Esferas cristalinas,

Ó lírio astral!

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