Faróis: Ignez Faróis · Capítulo 42 de 49
Obra Menu

Faróis: Ignez

Ignez

Tem teu nome a estranha graça

De uma galga verde, estranha.

Certo langor te adelgaça,

Certo encanto te acompanha.

És velada, quebradiça

Como teu nome é velado.

Certa flor curiosa viça

No teu corpo edenizado.

Chamam-te a Inês dos quebrantos,

A galga verde, a felina,

Amaranto de amarantos,

Das franzinas a franzina.

Teus olhos, langues aquários

Adormentados de cisma,

Vivem mudos, solitários

Como uma treva que abisma.

Tua boca, vivo cravo

Sangüíneo, púrpuro, ardente,

De certa forma tem travo

Embora veladamente.

És lírio de velho outono,

Meiga Inês, e de tal sorte

Que já vives no abandono,

Meio enevoada da morte.

Teu beijo, do rosmaninho

Tem o sainete amargoso...

Lembra a saudade de um vinho

Secreto, mas venenoso.

Por um mistério indizível

Não te é dado amar na terra.

Vem de longe o Indefinível

Que os teus silêncios encerra!

Deus fechou-te a sete chaves

O coração lá no fundo...

Mas deu-te as asas das aves

Para irradiares no mundo.

1/1
Menu

Fazer anotação