Prefacio da Iª edição Horto · Capítulo 1 de 106
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Prefacio da Iª edição

PREFACIO DA 1ª EDIÇÃO

Encontrar entre os livros de versos (tantos, Santo Deus!) que por ahi se publicam, um livro como este, de uma tão simples e ingenua sinceridade, é coisa que sorprende e encanta. Não ha nas estrofes do Horto o labor pertinaz de um artista, transformando as suas idéas, as suas torturas, as suas esperanças, os seus desenganos em pequeninas joias: certo, a poetisa Auta de Souza não poderia dizer como o Orfèvre de Heredia:

Aqui a alma vibra em liberdade, sem a preoccupação dos affeites da Forma, livre da complicada teia do artificio. Ingenuamente, commovida e meiga, essa alma de mulher vae traduzindo em versos os mundos de sensações, agora ardentes, agora tristes, que o espectaculo da vida lhe vae suggerindo. A’s vezes, é um aspecto da Natureza:

Outras vezes é uma recordação da infancia:

Mais adiante um encontro fortuito, que desperta um pensamento adormecido:

Depois um desfallecimento moral, uma hora de duvida, em que a alma pergunta:

Mas a nota mais encantadora do livro é a do mysticismo que dá a algumas das suas poesias o amplo e solemne recolhimento de uma nave de templo, resoante da grave harmonia dos orgãos, com balbucios de preces entre suaves espiraes de incenso.

Vejam-se as quadras De joelhos:

E, mais adeante, em Regina cœli:

E, ainda:

Mas... não convém privar o leitor das sorpresas que encontrará, de pagina em pagina, neste formoso volume, que vem revelar uma poetisa de raro merecimento. Horto será, para os que amam a linguagem divina do verso, um desses raros livros que se leem e releem com um encanto crescente. Olavo Bilac Rio. Outubro 99.

“Mieux qu’aucun maitre inscrit au livre de maitrise,

Qu’il ait nom Ruiz, Arphée, Ximenez Bécerril,

J’ai serti le rubis, la perle et le béryl,

Tordu l’anse d’un vase, et martelé sa frise...”

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