Adeus, Gentil! Horto · Capítulo 76 de 106
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Adeus, Gentil!

Alto da Saudade — 14 de Maio de 1899.

A Olindina Medeiros.

Que manhã feia e escura aquella em que partiste!

Recordas te, Gentil? O Céo estava triste,

Sem um raio de sol, nevoento, sombrio,

Bem como um coração amargurado e frio...

Um sorriso divino inundava-te o rosto

De innocencia e de luz... e eu sentia o Desgosto

Ferir-me o seio, emquanto, a beijar-te, chorando

Meu labio estremecia um adeus murmurando.

Ah! dentro de minh’alma, assim como n′um mar,

O batel da Saudade, a boiar, a boiar,

Parecia attrahir-me á ventura e á Alegria

Para o abysmo cruel onde mora a Agonia.

Pequenino como és, não sabes comprehender

A magua que allucina e que faz padecer

Ao pobre coração pela angustia ferido

Ao ver sumir-se longe um rosto estremecido.

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