Noite cruel Horto · Capítulo 75 de 106
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Noite cruel

Alto da Saudade.

NOITE CRUEL

A meu irmão Henrique

Morrer... morrer... morrer... Fechar na terra os olhos

A tudo o que se ama, a tudo o que se adora;

E nunca mais ouvir a musica sonora

Da Illusão a cantar da vida nos recolhos...

Sentir o coração ferir-se nos escolhos

De tormentoso mar, pobre vaga que chora!

E no arranco final da derradeira hora,

Soluçando morrer n’um oceano de abrolhos.

Nem ao menos beijar ó supremo desgosto!

A mão doce e fiel que nos enxuga o rosto

Mostrando-nos o Céo suspenso de uma Cruz...

E perguntar a Deus na agonia e nas trevas:

Onde fica, Senhor, a terra a que nos levas,

Com as mãos postas no seio e os dous olhos sem luz

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