A morte de Helena Horto · Capítulo 47 de 106
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A morte de Helena

Angicos 1896.

A MORTE DE HELENA

«Eu não quero morrer;» dizia a pobre Helena,

E a fronte, a soluçar, cahiu no travesseiro...

(Ai! recordava assim a pallida açucena

Ou, do galho a pender, a flor do jasmineiro!)

«Não me deixem morrer assim na Primavera:

Esconde-me no seio, ó minha mãe querida!

A morte como é triste! e o noivo que me espera

Ha de chamar por mim... Quem restitue-me a vida?»

E se poz a chorar: mas, chegando o delirio,

Esqueceu-se da morte e começou a rir...

Pobre noiva do Amor! Pobre folha de lirio!

Ella os olhos cerrou, como quem vai dormir.

Miserrima creança! Estava ali bem perto

A morte, a se abeirar de seu leito sagrado,

Para arrastar-lhe o corpo ao tumulo deserto,

Onde não brilha o Sol e nem o Riso amado.

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