Ao mar Horto · Capítulo 22 de 106
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Ao mar

Dezembro de 1893.

AO MAR

A D. Martha e D. Amelia Pacheco.

Hontem á tarde, ao pé de ti sentada,

Eu puz-me a contemplar-te, ó Mar bravio!

Pensava que acolhida em tuas ondas

Talvez minh’alma não sentisse frio!

Contei-te, uma por uma, as cruas dôres

De minha vida, toda de saudade;

Quiz afogar as minhas maguas fundas

No leito azul de tua immensidade.

Como seria bom morrer ahi,

Moça, innocente, tendo n’alma em flor,

Um mundo virgem de sagradas crenças,

Todo banhado no ideal do Amor!

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