Caminho do sertão Horto · Capítulo 41 de 106
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Caminho do sertão

1897

CAMINHO DO SERTÃO

A meu irmão João Cancio

Tão longe a casa! Nem siquer alcanço

Vel-a atravez da matta. Nos caminhos

A sombra desce; e sem achar descanço

Vamos nós dois, meu pobre irmão, sosinhos!

E’ noite já. Como em feliz remanso

Dormem as aves nos pequenos ninhos...

Vamos mais devagar... de manso e manso,

Para não assustar os passarinhos.

Brilham estrellas. Todo o céo parece

Rezar de joelhos a chorosa prece

Que a Noite ensina ao desespero e á dôr...

Ao longe, a Lua vem dourando a treva...

Thuribulo immenso para Deus eleva

O incenso agreste da jurema em flôr.

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