Pobre flor Horto · Capítulo 60 de 106
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Pobre flor

Angicos 1896

POBRE FLOR!

Deu-m’a um dia uma antiga companheira

Do tempinho feliz de adolescente;

E os meus labios roçaram docemente

Pelas folhas da nivea feiticeira.

Como se apaga uma illusão primeira,

Um sonho estremecido e resplendente,

Eu beijei-lhe a corolla, rescendente

Inda mais que a da flor da laranjeira.

E como amava o seu formoso brilho!

Tinha-lhe quasi essa affeição sagrada

Da joven mãe ao seu primeiro filho.

Dei-lhe no seio uma pousada franca...

Mas, ai! depressa ella murchou, coitada!

Doce e misera flor, cheirosa e branca!

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