A’ memoria de uma ave Horto · Capítulo 44 de 106
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A’ memoria de uma ave

Jardim 1893.

A’ MEMORIA DE UMA AVE

Quando morre uma creança

Diz-se que o pallido anjinho,

Voou como uma esperança,

Foi para o Céo direitinho.

Mas nossa mente se cança

A voar de ninho em ninho,

Interrogando a lembrança,

Quando morre um passarinho.

Só eu, se alguem diz que a vida

De uma avesinha querida

Se extingue, como um clarão;

Ponho-me a rir, pois, divina!

Ouço cantar, em surdina,

Tu, alma em meu coração.

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