Dadá Horto · Capítulo 101 de 106
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Dadá

Dadá tinha um filhinho muito louro,

Tão louro como um raio de luar.

Aquela criancinha era o tesouro,

O imaculado encanto do seu lar.

Dadá o amava tanto que no mundo

Su’alma em cousa alguma achava brilho.

Nada alterava aquele amor profundo:

Só via o berço onde sonhava o filho.

Quanto cuidado e que afeição tão santa!

A areia onde brincando ele corria,

Se ela pudesse (ah! se não fosse tanta!)

Mesmo dentro do seio a guardaria.

Desejava que a terra fosse um ninho

Habitado por ela e os seus amores;

Queria mais que o buliçoso anjinho

Só visse o céu e só pisasse em flores.

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