Feliz Horto · Capítulo 95 de 106
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Feliz

Jardim - 1893

Dizes-me que a ventura te foi dada

E contente tu’alma jamais chora:

Vives sorrindo à luz de uma alvorada

E a noite para ti é cor da aurora...

Não creio nessa dita, me perdoa.

Ninguém na terra pode ser feliz.

Até o sino que na torre soa

Tem sua dor, nem sempre ele bem-diz.

Longe... distante... Pelo azul chalrando,

A modular uns hinos tão suaves,

Pássaros meigos lá se vão cantando...

Mas tu crês na ventura d’essas aves?

Repara bem naquela que ficou

Pousada lá no cimo da aroeira:

Ela chora, coitada, pois deixou

Muito longe perdida a companheira.

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