Soneto Horto · Capítulo 37 de 106
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Soneto

Macahyba 1893.

SONETO

Tudo o que é puro, santo e resplendente,

N’este mundo cruel de desenganos,

Toda a ventura dos primeiros annos

N’um’alma que desbrocha sorridente;

Tudo o que ainda vemos de potente

Na vastidão sem fim dos oceanos,

E da terra nos prantos soberanos

Trazidos pela aurora refulgente;

Tudo o que desce do infinito ousado:

O sol, a brisa, o orvalho prateado,

A luz do amor, do bem, das esperanças;

Tudo afinal que vem do Céo doirado

A despertar o coração maguado,

Deus encerrou nos olhos das creanças!

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