Meu pae (2) Horto · Capítulo 91 de 106
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Meu pae (2)

A Eloy

Desce, meu Pai, a noite baixou mansa.

Nem uma nuvem se vê mais no céu:

Aninharam-se aqui no peito meu,

Onde, chorando, a negra dor descansa.

Quando morreste eu era bem criança,

Balbuciava, sim, o nome teu,

Mas d’este rosto santo que morreu

Já não conservo a mínima lembrança.

A noite é clara; e eu, aqui sentada,

Tenho medo da lua embalsamada,

Corta-me o frio a alma comovida.

Se lá no Céu teu coração padece,

Vem comigo rezar a mesma prece:

Tua bênção, meu pai, me dará vida!

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