Capítulo V
V
Cedo, na manhã seguinte, Melo Castro despiu a colcha num repelão, foi abrir a porta que rangia à força de murros.
Agrário entrou, estremunhado, a palmatória de níquel pendente do dedo, um risinho velhaco no canto da boca.
— Ó pinta-monos! onde dormiste?
— Pissiu! .. .. — fez misteriosamente, penetrando na mansarda com meneios cômicos, de cautela; depositou a palmatória sobre a mesa e, a distância do primo, numa momice de segredo:
— Silêncio! .. .. Vim do Paraíso, amiguinho, vim do Éden, e acabo de ser expulso pelo Micael das conveniências.
— Pois, tu. .. . naquele estado! — exclamou Melo Castro, assombrado.
Instantâneo, um ciúme rompeu por sua alma, subjugando-o. O primo estava de posse da francesinha, era senhor daquela criatura, dominador daquele corpo desejado! .. .. Pediu, então, informações dela, como era, que seduções tinha; queria para ali confidências aparentemente recebidas com gracejos, polvilhadas por qualificativos desordenados, sublinhados, friamente perversos, e que lhe caíam aos pingos, um por um, vagarosos como atendidas gotas de um tóxico violento, no sangue do coração, em pleno músculo da sua existência animal. Agrário respondia aos bocados, muito exclamativo, com desfaçatez; depois, suspirando de cansaço, atirou-se para a cama do primo, mal se desfazendo das roupas. Melo Castro parou atordoado pelo imprevisto, abatido no seu orgulho de conquistador. Terrível tudo aquilo! Mas. .. . Custavalhe, ainda, acreditar nesse domínio, parecia-lhe uma mistificação para o contrariar, para deprimir as suas pretensões de reqiestador. Que diabo! fora isto?
E aborrecido, nervoso, desajeitado, o que lhe vinha às mãos caía, entornavase, tinha esquivanças escorregadias de invertebrados. Acenderam-se-lhe impetos histéricos; hiperacusias martirizavam-no. O resfolegar dos companheiros incomodava-o; objetos que sempre encontrara ao estender dos dedos mudaram de colocação, tinham desaparecido; as três cadeiras que guarneciam o quarto multiplicaram-se, enchiam todos os lugares, impediam-lhe os passos.
E, para se acalmar, correra ao toucador, a cuidar do seu querido bigode loiro.
Qual! A idéia da preferência surdia desses segundos de distração e de novo lá se perdia ele em cogitar dos meios que o primo empregara para vencer a rapariga, como se esta indagação minuciosa e nervosamente esmiuçada lhe servisse de alívio, lhe bastasse para satisfazer a sua bazófia de infalível dominador de cabecinhas femininas. Mas. .. . não era extraordinário! Agrário vivia no quarto, dispunha de todas as horas do dia para se insinuar no espírito da rapariga, daí a vitória pela persistência do namoro. E este é que era o fato:
persistiu, venceu. Pudera! Se ela chegava à janela Agrário logo se debruçava ao peitoril; se ela abria a porta a uma visita, a um caixeiro portador de compras, Agrário corria pelas escadas abaixo a meter-se por seus olhos, e se intrometia em tudo que era dela, obstinado, perseguidor, cabeçudo, aproveitando a vadiagem da sua profissão e a ausência dele, Melo Castro, que o recebera por um dia de tolice sentimental, apiedado pelos seus botins cambados e a nojenta sujidade de uma camisa. A rapariga precisava de um homem. Tudo muito simples. O idiota do cambista andava por São Paulo, andava pelos infernos. .. .
E ela, já se deixa ver, precisava de um homem. .. . não tinha coragem de chamar o primeiro transeunte, nem agarrar o primeiro indivíduo que atravessasse o corredor. .. . mas, como a bebedeira encorajara o artista, ela o aceitou como teria aceito qualquer, Camilo, o copeiro, ou o moço do lixo. Tudo muito simples, muito simples.
A evidência desse fato, constatado pelas particularidades que ele esmiuçava, trazia-lhe um cinismo sintetizador d'experiências amorosas que, iludindo a sua própria fraqueza, era resumido neste estribilho sarcástico e canalha: — "Tudo muito simples, muito simples."
E ansiava só em pensar que, alguns metros distante da sua janela, ali fronteiro, na parede oposta à do seu quarto, ficava o aposento de uma mulher bonita, de uma mulher moça por quem se guardara em casa domingos inteiros, para ser preferido pelo último requestador! .. ..
Apenas Camilo bocejou num espreguiço de acordado, Melo Castro soltou a língua.
— E onde está o pulha? — perguntou-lhe Camilo, sentando-se na cama, amorfanado' pelo embrutecimento do sono.
— Espojou-se ali, Vês? E é a uma canastra daquele feitio que se chama artista!
— Oh! diacho! .. ..
Camilo abriu a boca, arregalando para ele os olhos avermelhados.
— Mas, qu é isto? .. .. Será despeito? .. ..
— Despeito? .. .. É boa! Despeito de quê? .. .. Dele se ter metido com a pinoiazinha? Ora, faça-me o favor. Eu, pelo menos, me tenho honrado mais. .. .
— De acordo, Melo Castro, de pleno acordo. Mas, dá-me água pro rosto, que quero rodar pra casa.
Desenfronhou-se dos lençóis, atarantado com as ceroulas que não tinham botões e segurando-lhes o cós com uma das mãos procurava com a outra vestir as calças, à pressa, para ocultar o seu deleixo.
— Com que então — ia ele dizendo — o grande Manet indígena foi pernoitar nas delícias de Montmartre? Pois, meu ilustre amigo Melo Castro, hás de convir que ele nos pregou uma boa peça. Enquanto nós andávamos a bordejar pelos fundos desta pocilga, a meter o nariz em lugares que não lembram os depósitos de Houbigand", ele lá estava repimpado em colchões macios, num dueto de amor. .. . prático! Sim, senhor; assim é que eu os admiro.
Não há negar que ao mestre-pintor falte jeito para alguma cousa, pelo menos, para substituir cambistas de teatro.
E Agrário resfolegava num sono profundo, sob a saraivada desses dichotes.
O dia vinha entrando ensolarado e azul, um belíssimo dia de maio, perfumado das emanações dos quintais vizinhos. Eram horas de trabalho. Melo Castro desceu com Camilo, sem ter o cuidado de cerrar a janela para alongar o repouso do primo. Que lhe importava aquele vencedor! Que se arranjasse. .. .
Ora sebo!
A inundação da luz despertou Agrário. Abriu as pálpebras dificilmente, esquadrinhando em derredor, numa dúvida.
Pesava-lhe a cabeça. O quer que fosse de vago, de abstrato, andava nele. Deixou-se ficar nos travesseiros a reconstruir a cena da véspera como se lhe fora um trabalho puramente imaginativo, esparso, desfigurado pelo sono.
Mas, aos bocados, por aproximações de pormenores, entrou na realidade. Certo, ele tivera a audácia de ir bater ao quarto de Henriette, e lá passara a noite e de lá saíra de manhã. .. .
E foi, insensivelmente, penetrando na lembrança desse gozo, entregando-se-lhe numa moleza, numa frouxidão sensual que docemente lhe excitavam os sentidos pela persistência da imagem. Deixou-se ficar nos travesseiros a gozá-la. Sentia-lhe o calor da pele macia à meiguice do tato, a vitalidade comunicativa dessas formas frementes de prazer que punham contrações rápidas, ziguezagueantes de nevroses no seu risinho auroral, resplandecente de frescas brancuras de dentes e contrastes sanguíneos de lábios umedecidos, salivosos de apetite. Revia, em recordação, através dos olhos dessa mulher, na cristalização azul de suas pupilas, esse âmago, como se fora uma flor vermelha e branca, camélia mosqueada do inverno seco das regiões do meridiano, aberta regiamente, tentadora e lúbrica, palpitando nos polpudos pétalos a quentura acre de vivas carnes ocultas. Uma sofreguidão animal, bruta, de necessidade contida, arrebentou-lhe pelo sangue, inflamando-o. E nesse esquecimento, nessa morrinha de sensualidade, foram-se passando os dias.
Melo Castro, cada vez mais despeitado, armava conflitos com ele por cousas insignificantes. Para perturbar a sua felicidade dizia mal de Henriette, caluniava-a. Nas suas perversas novidades, já "todo o mundo" a conhecia, era uma rameira arrancada à enfermaria-Ricord dos hospitais.
Agrário, silencioso, esmoendo fantasias que se iam sucedendo ininterruptas, agora curtia uma desperta vontade — safar-se da companhia do primo, mas levando Henriette daquele aposento fronteiro. Ao crescimento desse almejo vinha-lhe o olvido da agremiação, do grupo revolucionário de que pretendia ser o chefe.
Caíra no período piegas do amor, sonhando isolamentos românticos, cenografias de agrestidades em chapadões virgíneos, ou num vale campestre, verdejado pela Primavera, sombras altas de ipês ramalhudos, uma palhoça ou teto pequenino de aconchego noival, perto do fio cantante duma grota onde fossem beber, ao pintar da aurora, as parceiradas grasnadoras dos gansos brancos. Aproveitaria o remanso para estudar paisagem, fazer um quadro original de vida roceira, talvez mesmo uma composição característica — a fonte — a roceirinha — o quer que fosse de alma brasileira, de uma interessante poesia ignota que o europeísmo da civilização destruía inconsciente. Chegou a comunicar suas idéias à francesinha, que acolheu-as batendo palmas, rrês bien, Joli, joli! e dando-lhe tabefes cariciosos na barba, tomava-lhe da cabeça com as duas mãos, explosiva de contentamento, cobrindo-a de beijos — bien joli, mon cher, três joli çà. .. . Depois, tendo ele feito considerações sobre a exiguidade de recursos, ela veio, impetuosamente, cheia de calor, sentar-se nos seus joelhos: Zui! E tapou-lhe os lábios com a compressão chupada de sua deliciosa boca.
Ficou assente que procurariam casa para uma vida nova, em comum, duo noival de almas apaixonadas, sem testemunhos importunos e profanos olhares, e isto com a maior brevidade, enquanto o cambista não chegasse de São Paulo, onde, havia mais de três semanas, estava a negócios de uma empresa teatral.
Mas o projeto, a bela expectativa de bucolismo amoroso, despegou-se ' dos seus conjuntamentos ideais, rolou como uma colina de pó ao turbilhão do Simum, porque nesta mesma noite parava um tílburi à porta da Pension e despejava-se dele o Silvano, atarracado e rolante num guarda-pó de linho.
Agrário perdeu a cabeça, arquitetou planos terríveis, de cilada, à guisa das alcatéias vingadoras da Idade Média; pensou em bater-se à pistola com o cambista, em denunciá-lo como caften, persegui-lo pela imprensa coadjuvado pela dedicação de Camilo, que poderia levantar ódios contra os comissários de entradas de teatro, retirando-lhe os proventos, reduzindo-o à mendicagem, impossibilitando-o de manter a amante! .. .. E só se acalmou quando, uma ocasião que voltava à mansarda, ouviu Henriette chamá-lo. A rapariga estava disposta a tudo, fugiria se ele quisesse; iriam morar numa cabana ou numa caverna, até mesmo no quarto do Melo Castro.
Falava-lthe febril, atropelando as palavras, bafejando-lhe o rosto com o hálito quente de sua boca mais rubra pela emoção.
Agrário meditou durante o tempo em que ela lhe expôs esses projetos, pesou a responsabilidade. Iria ver, ele também estava disposto a um extremo, mas, em uma semana decidiria. Em todo o caso, falaria ao Melo Castro.
A negativa do primo foi cruel pelos subterfúgios capciosos que envolvia. Era o diabo. Não por uma pessoa no quarto, mas por dous motivos imperiosos: primeiro — porque o acoutamento da francesa daria um escândalo grosso, o cambista brigaria, os moradores poderiam protestar e, afinal de contas, iriam todos dar com os ossos na polícia. Em segundo lugar: um homem ali era o menos, mas, uma mulher! .. .. era demais.
— Imagina tu — expunha o guarda-livros — que tens necessidade de sair e eu de ficar. Se fico, estou em companhia da rapariga, a sós com ela, neste pequeno espaço onde não há divisões, nem mesmo as do respeito. .. . Pois bem, por mais que eu te queira respeitar na pessoa de tua amante, o contacto de dous seres de sexo diverso, moços ambos, e ainda por aumento um desejando o outro, quando mais não seja por necessidade fisiológica — produziriam consequências funestas à nossa amizade e peiores consequências à tua vida íntima, ao equilíbrio natural da tua cabeça. Em que mixórdia dos diabos pode dar esse imprudente passo! .. .. Tens uma única cousa a fazer, se estás grudado a esta descomunal sandice do Amor, é raptar a amante do cambista e fugir com a trouxa para o morro do Nheco ou a Praia Grande. AÍ tens o caso, claro e único. Mas ceder, isso eu não faço. Tem juízo.
Agrário não objetou uma palavra ao fértil arrazoado do primo. Ouviu-o, recostado à cabeceira da cama, braços cruzados sobre a nuca, o olhar contemplativo, visionário, parado a um ângulo da parede, agarrado à ascensão remoinhante dos pensamentos.
Os passos de Melo Castro rangiam nas tábuas. Como sempre, em todo ele, havia um esmero, um asseio irrepreensível. O peitilho da sua camisa brilhava, escudando-lhe o tronco; as pontas agudas do alto colarinho caíam sobre o laço firme da linda seda creme, estriada de azul ciânico e vermelhão, duma gravata; um olho de ouro fosco luzia discreto e modesto no branco de seu punho, e no seu rosto sanguíneo, na correção de seu bigode loiro, nos seus cabelos muito cuidados à escova, aparecia um imenso regozijo, de espírito venturoso. À volta do cambista satisfazia-o amplamente, era-lhe como uma vingança não procurada, realizada sem esperdiço de tempo nem responsabilidades de prática. Para gozar melhor do desastre do pintor, feri-lo mais pungentemente e contentar o seu próprio despeito, acentuava requintes no trato de sua pessoa, limando as unhas, procurando cravos na pele lavada, ou, com meneios saracoteados de poseur de rua, notava o corte das calças, mergulhando os índex nos pequeninos bolsos do colete. Numa resolução, plantou-se diante de Agrário:
— Que idéia é esta que se meteu na tua cachimônia? Ora, já se viu! .. .. Tu sabias que essa mulher tinha um amante, ou mais positivamente, tinha um homem; tu sabias ou devias saber que esse homem não a deixou abandonada, nem a repudiou, e que amanhã ou depois ele voltaria a tomar conta do que lhe pertencia por conquista, por trato e por luxo; conseguintemente, como queres que ela te pertença se não te apoderaste dela, nem a mantiveste?
"De resto, já que não és uma besta, deverias ter, desde o princípio, aceitado a rapariga como uma excelente oportunidade.
E de um para outro lado, blasé, a passos largos:
— Inexperiência, meu primo. Se fosses da minha escola, se tivesses isto aqui — ameigava, docemente, o ventre chato sob as pontas do colete —, a rica barriguinha cheia de pombas sem fel, como eu tenho, verias a cousa por outro prisma. Atende ao meu aviso — não caias em deitar paixão. Aquela que ali está tem a educação feita; o cambista enfastiou-se e ela vê iminente um pontapé.
— Homen! .. .. tu és um cínico — murmurou Agrário, desalentado.
— Se te apraz chama-me crápula; serei tudo quanto quiseres, menos idiota.
Mas, súbito, mordido de vingança, voltou mansamente:
— Vem cá. Sejamos amigos. Faze de mim o juízo que entenderes mas deixa-me a consolação de te dar um conselho. Repara a tua posição, repara o estado da rapariga. Tu vives dificilmente, ela é sustentada por um explorador que desta ou daquela maneira mantém-se na vida. Toma-a sob tua responsabilidade, e verás em que lençóis de onze varas te envolves. Casa, alimento, vestuário. .. . o diabo! Se lhe não deres esse ro! medonho de cousas serás desprezado, preterido por quem mais der. Ah! meu velho, eu conheço essas mulherinhas. São umas sanguessugas. Ela que hoje te prefere ao cambista é que o teme; talvez o bruto decida a bofetadas as mais rudimentares quizílias do interior. .. . ou, se não é este o motivo, ela teme que o pançudo a mande, mais dias menos dias, desenterrar batatas. Eu sei, esta casta de gente termina os amores como as pantomimas de circo. Agora pesa bem o que te digo, e podes injuriar-me à vontade.
Agrário abatia-se diante das considerações do primo; rofa-lhe a consciência o quer que fosse de verdade, bruscamente surgida nesse amontoado de frases pronunciadas com o mais desdenhoso desplante.
E abafado, surdo, veio-lhe um rancor pelo coração acima.
Era possível que ele se estivesse prestando a um enredo subtil. Ela que comerciava amor com outro, envolvendo o cambista e ele, Agrário, nas mesmas carícias e nos mesmos braços, é que não passava de um ser estúpido, movido pela animalidade da carne.
Mas que ela fugisse, que se fosse, que se apagasse para todo o sempre da impressionalidade da sua retina como a visão duma fantasmagorial! .. ..
Deixasse-o no isolamento da desilusão, no vazio dum empós sonhar, nu de idéias, idiota, a se debater em vão pela sensacionalidade de uma cousa que só lhe chegasse ao cérebro em fragmento esparso, inconexo, perdido, de lembrança antiqúíssima, descolorida, diluída pelo tempo! .. ..
Mas, fizesse embora todos os esforços para desapegar-se dessa idéia, ela aí viria outra vez e sempre porque se lhe tinha ligado, adaptado ao seu espírito pela obsessão do desejo, pela pertinácia do querer. E era horrível senti-la inolvidável por causa da rivalidade, da compartilhação amorosa desse vendedor de bilhetes de teatro, sócio principal do seu gozo, predecessor no domínio absoluto da mulher amada! Dofía-lhe, amargava-lhe esta verdade.
Antes a tivesse encontrado à mão numa rua, na rótula desconjuntada de uma viela, que sabê-la possuída pelo outro; e logo que outro! um inferior, desprezível na sua posição, ressupino e pútrido sobre a existência, com a pança enorme de bácoro cevado em lama e sobejos, sendo o primeiro de quem ele a recebia, talvez o primeiro que lhe houvesse comprimido a flor ardente dos seios na cabelugem áspera do peito másculo, e, no abandono de um quarto de hospedaria, pela noite febril do segredo descortinado, houvesse colhido na sua boca resfriada, aberta à exalação do prazer, o gemido dulcíssimo da virgindade rota. .. . Como lhe pesava este detalhe! Essa rapariguinha loira, delicada como uma bijuteria de alto custo, branca da doce brancura lendária dos rimances e das baladas, vivendo pela graça, vivendo pelo encanto, pela esvelteza das linhas estruturais, pela suavidade de seus olhos de céu festivo, pela irrequietabilidade infantil do seu espírito, essa doce criatura cedera à estúpida sensualidade daquele homem, que resumia em todo o seu tipo a corporificação da porcaria, sapo grotesco e imundo das estrumeiras! E essa carne beijada, a tepidez voluptuosa, convidativa dessa pele de mulher sôfrega, pareciam-lhe ter deixado pelo contato, mais que em seu próprio corpo, já em sw'alma, o visco morrinhento daquela besta ignóbil, que devia rolar, a grunhir, a focinhar nas suas volúpias. .. . Que nojo! .. ..