Flor das águas Calendário · Capítulo 4 de 31
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Flor das águas

PRIMA VERA

FLOR DAS AGUAS

Os teus braços abertos e o busto fluctuando

na caricia da água verde

e das espumas no fervido aranhol —

como pareces, da minha Terra, uma victoria-regia,

à tona do igapó, aureolada de sol!...

E lá, quando as victorias-regias, no silencio dos lagos

descerram a tarde os véus brancos da flor,

às vezes vem poisar

sobre os charoes das folhas os guarás vermelhos

e num pequeno pallio, escarlate e bizarro,

abrem o setim das asas furta-cor.

E eis-me agora sorrindo a porcellana rara

os teus braços, das mãos, do busto, fluctuando

na caricia da água clara e furta-cor —

vendo-te emfim numa visao de yara!

e ao pensamento como vem ligeiras,

asas rubras do ardor dos meus desejos,

para toda cobrir-te em luminosa umbella:

Lembrando a tarde em que te achei mais bela!

Lembra! —

Na tarde em que eu te dei mil beijos!...

E abriste a alma... e em minha vida foste

a regia flor!

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