Ave do Cruzeiro Calendário · Capítulo 19 de 31
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Ave do Cruzeiro

DENTRO DA NOITE

AVE DO CRUZEIRO

Diz-se que o mutum (crax tomentosa), canta quando

O Cruzeiro do Sul attinge o zenith. Avifauna e

Flora, C. Teschauer S. J.

Noites amenas da Amazonia.

Cae o sereno. E em luminosos fios,

no velludo da sombra, a Fiandeira dos astros,

tece redes de orvalho e estrellas sobre os rios.

Gargalha no silencio a "mãe da lua".

Lugubre a selva abre as fauces trevosas...

e em risinhos de mofa as rondas tenebrosas

dos duendes do matto esgueiram-se nas moitas.

E e de ouvir-se contar de uma ave,

que em subito momento,

como um poeta, olhando o firmamento,

com os seus olhos de contas rubros e deslumbrados

canta

quando ao alto, nos zeniths do azul,

a Fiandeira dos céus tece em flocos de estrellas,

na Via-lactea — bandeira do infinito,

o Cruzeiro do Sul.

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