A ronda dos centauros: Os vaqueiros Calendário · Capítulo 22 de 31
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A ronda dos centauros: Os vaqueiros

A RONDA DOS CENTAUROS

OS VAQUEIROS

Norte, Centro e Sul.

Campos Geraes da Minha Terra?

Marajó? a pérola luminosa

entre os verdes dos rios e o Atlantico azul?

Comburidos sertoes?

Matto-Grosso? Nordeste?

Pampa?

Querencia amiga da minha outra Terra? —

Meu Rio Grande do Sul!

Sonho?

E' possivel sonhar si eu vejo em realidade?!...

Acaso não ouvis pelo espaço,

nos corropios do vento,

um ruido a vibrar do coração da terra,

em uivos de tempestade,

rugir subterraneo de vulcoes?...

E os astros pelos céus, como num cataclysmo

a tremer e a tremer,

num extranho fulgor?

E acaso não sentis que as janglas repercutem,

as dunas e os areaes,

o maciço e a collina,

na orchestração maior do alisio e dos pampeiros,

symphonias de amor?

São os Vaqueiros que vem!

Ouvi — São os Centauros que passam!

Vede-os —

Ponche — Gibão — Camisa aberta!...

Eil-os que vem, na carreira indomavel,

em sanhudos corceis, nas asas dos bolidos,

entre nuvens de pó,

doirados pelos soes...

E, estrepitosamente

saltam, trepidam e corcoveiam,

coriscando, aos boleos, no campo e nas caatingas

galgando os cerros, resvalando os montes,

cochilhas e grotoes, penhascos e barreiras,

sebes de espinheiraes, rudissimos capoes —

sob os dardos do sol e os crivos das estrellas,

no fragor da tormenta, gume dos minuanos

aboiando a cantar!

E vao e vem

e um e todos,

lado a lado, emparelhados,

sentindo um coração o outro coração,

num bloco esculptural de invencivel cohorte —

— Unidos para a vida — Unidos para a morte —

Correr!... Correr!... Correr!...

Lágrimas do meu olhar accendei-vos em astros!

Olhae, eil-os que vem! Por Deus, eil-os que passam,

e numa apocalyptica visao;

flancos unidos, distendendo ao alto,

tendida ao vento — semeando estrellas,

em apotheose, o Signo da Terra —

Bandeira do Brasil!

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