Noite de Natal
DA MINHA ALEGRIA
NOITE DE NATAL
A' Maria
Ao Aloysio.
Por entre a luz pequena e frouxa
que vacillante e pensativa aclara,
no silencio da alcova:
de permeio com as sombras do ambiente,
— outra sombra!... Sou eu que penitente
aos deuses do meu lar, um sumptuoso presente,
levo nas noites de Natal.
Uma boneca, um fordezinho, um guizo.
(E sem rumor, devagarinho)
do meu terreno paraiso assomo a porta
num sorriso
de ineffavel carinho!
Elles dormem!...
nem suspeitam de longe seja eu!
Manha,
antes que o sol em pérolas e em ouro
me illumine os vitraes das persianas fechadas,
cada qual descobrindo o seu thesouro
vem acordar-me, de tropel...
E quando junto a mim — "Papaezinho"!
Beijando-me... Dizendo-me segredos
para mostrar como fazem os brinquedos,
bem mais alegres que o esplendor do dia
nem compreendem — (risos de innocencia)
que ao povoar-me a vida de alegria
sao de minh'alma o seu "Papae Noel".