Nos olivaes do meu jardim Calendário · Capítulo 14 de 31
Obra Menu

Nos olivaes do meu jardim

DA MINHA TRISTEZA

NOS OLIVAES DO MEU JARDIM

Versos a Mario

Emquanto vejo tantas rosas espargidas,

na frieza das pedras dos sepulchros,

por mãos piedosas,

tremulas de dor:

Concentro-me!...

E a minh'alma ascende a altura

aonde estas — ó meu Filho!

Ó pequenina criatura,

ó criatura immensa para o meu amor!

Levo-te beijos.

Os beijos que sao as lágrimas que a tua Mãe,

a tua Mãezinha,

por ti, nas horas tristes de saudade,

enche o seu seio em pérolas azues.

Levo-te o meu carinho atormentado

por te não ver! Sentindo-te a meu lado,

sou como um cego encarcerado em luz!

Levo-te rosas — sao meus versos humildes,

mundos de sentimento e de ternura,

rosas de pranto! Os meus versos em flor...

quando a minh'alma ascende a altura

para num gozo torturado e afflicto,

nos silencios profundos do infinito,

embalar-te de novo — ó Filho — nos meus braços.

Embalar-te de novo!...

Ó criatura...

que te fizestes estrella!

Pó e chimera:—

sonho desfeito para o meu amor.

1/1
Menu

Fazer anotação