Nos olivaes do meu jardim
DA MINHA TRISTEZA
NOS OLIVAES DO MEU JARDIM
Versos a Mario
Emquanto vejo tantas rosas espargidas,
na frieza das pedras dos sepulchros,
por mãos piedosas,
tremulas de dor:
Concentro-me!...
E a minh'alma ascende a altura
aonde estas — ó meu Filho!
Ó pequenina criatura,
ó criatura immensa para o meu amor!
Levo-te beijos.
Os beijos que sao as lágrimas que a tua Mãe,
a tua Mãezinha,
por ti, nas horas tristes de saudade,
enche o seu seio em pérolas azues.
Levo-te o meu carinho atormentado
por te não ver! Sentindo-te a meu lado,
sou como um cego encarcerado em luz!
Levo-te rosas — sao meus versos humildes,
mundos de sentimento e de ternura,
rosas de pranto! Os meus versos em flor...
quando a minh'alma ascende a altura
para num gozo torturado e afflicto,
nos silencios profundos do infinito,
embalar-te de novo — ó Filho — nos meus braços.
Embalar-te de novo!...
Ó criatura...
que te fizestes estrella!
Pó e chimera:—
sonho desfeito para o meu amor.