Tranquillidade
TRANQUILLIDADE
Ha numa tela de Castagneto,
num recanto de mar, um veleiro alagado...
Partido o lais das vergas
e adernado todo o resbordo sobre as águas mansas.
E ao vel-o no silencio da pintura,
ermo e sombrio, na quietude do somno;
julgo que o Mestre,
que tanto amou as solidoes marinhas,
entre os lyrios da espuma das maretas,
imaginou a própria sepultura!...
Que suggestiva e para mim a idea
de uma tumba-simplissima e esquecida...
Como um velho batel sem velas e sem remos,
num remanso de mar!...
E onde um dia juntinhos nos amemos.
Namorados de sempre. Namorados!
Tendo concavo o azul por cripta cinerea
e as orações das aves e das ondas,
e as berceuses que o Vento, como um cytharedo,
num coqueiral sombrio — versos em preces —
vibra a chorar!...