Tranquillidade Calendário · Capítulo 21 de 31
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Tranquillidade

TRANQUILLIDADE

Ha numa tela de Castagneto,

num recanto de mar, um veleiro alagado...

Partido o lais das vergas

e adernado todo o resbordo sobre as águas mansas.

E ao vel-o no silencio da pintura,

ermo e sombrio, na quietude do somno;

julgo que o Mestre,

que tanto amou as solidoes marinhas,

entre os lyrios da espuma das maretas,

imaginou a própria sepultura!...

Que suggestiva e para mim a idea

de uma tumba-simplissima e esquecida...

Como um velho batel sem velas e sem remos,

num remanso de mar!...

E onde um dia juntinhos nos amemos.

Namorados de sempre. Namorados!

Tendo concavo o azul por cripta cinerea

e as orações das aves e das ondas,

e as berceuses que o Vento, como um cytharedo,

num coqueiral sombrio — versos em preces —

vibra a chorar!...

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