As vigilengas Calendário · Capítulo 25 de 31
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As vigilengas

AS VIGILENGAS

Velas abertas, pandas e espalmadas!...

"Juruna" ou "Tira-Teima"?...

— E' sempre a vigilenga!

Estas soltos ao vento na monção das tardes.

Galeras velas!

Albatroz do Equador!

Com aquella proa arredondada, "aberta",

parece, ao meu olhar, um coração boiando

na crista dos rebojos... palpitando.

nos banzeiros montantes,

entre as espumas lividas, ao sol.

E por ser grande e o symbolo perfeito

do generoso coração do homem

que ella conduz em seu lenhoso peito!...

Coração que se alegra ao canto das sereias,

nas ondas do alto mar, nas noites das luas cheias,

ou nas águas dos rios sobre as maretas claras

ao magnetico luar dos olhos das yaras...

A cem milhas longuissimas, distantes,

onde o Amazonas ficou brincando a pororoca...

muitas vezes, de subito,

ringem e resingam os cadernaes nos gornes,

ferra-se o panno e a vigilenga audaz

salta e caturra no fragor das águas,

ao leo do vento, no ferver da espuma...

E o Cabloco ja afeito,

intrepido e sereno

olhando o tenebroso mar, resignado espera!

E em dia de festa, no primeiro Cirio,

como toda gente,

contrictamente — symbolo de fe:

um barquinho de cera, pequenino,

leva

com o coração alegre, uma oração e um beijo

a sua santa,

Nossa Senhora de Nazareth.

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