As vigilengas
AS VIGILENGAS
Velas abertas, pandas e espalmadas!...
"Juruna" ou "Tira-Teima"?...
— E' sempre a vigilenga!
Estas soltos ao vento na monção das tardes.
Galeras velas!
Albatroz do Equador!
Com aquella proa arredondada, "aberta",
parece, ao meu olhar, um coração boiando
na crista dos rebojos... palpitando.
nos banzeiros montantes,
entre as espumas lividas, ao sol.
E por ser grande e o symbolo perfeito
do generoso coração do homem
que ella conduz em seu lenhoso peito!...
Coração que se alegra ao canto das sereias,
nas ondas do alto mar, nas noites das luas cheias,
ou nas águas dos rios sobre as maretas claras
ao magnetico luar dos olhos das yaras...
A cem milhas longuissimas, distantes,
onde o Amazonas ficou brincando a pororoca...
muitas vezes, de subito,
ringem e resingam os cadernaes nos gornes,
ferra-se o panno e a vigilenga audaz
salta e caturra no fragor das águas,
ao leo do vento, no ferver da espuma...
E o Cabloco ja afeito,
intrepido e sereno
olhando o tenebroso mar, resignado espera!
E em dia de festa, no primeiro Cirio,
como toda gente,
contrictamente — symbolo de fe:
um barquinho de cera, pequenino,
leva
com o coração alegre, uma oração e um beijo
a sua santa,
Nossa Senhora de Nazareth.