Auto de fé
MEU AMOR
AUTO DE FÉ
Sorriste e eu te encontrei. E a claridade estranha
que de tao longe vinha em meu olhar
brilhaste e foste o lyrio immaculo e sozinho
que tanto procurei em meio do caminho,
através do Meu Valle
e'encontrei na montanha!
A montanha pareceu-me tao triste!
Choravam pedras e musgos do alcantil...
E eu ouvindo o gemer das grotas soluçantes
— O' Lyrio —
em lágrimas também transformei os meus beijos
para beijar-te o hastil!...
Depois — ô Flôr, silenciosa e modesta,
num dia de sol, tonta de luz —
em teus sonhos de aroma eu fui uma libellula
de asas azues...
Hoje sobre o meu peito inclinas a tua cabeça
e no retroz das ondas dos cabellos,
desfiam-se da seda dos novellos,
os primeiros anneis dos teus cabellos brancos.
Sorri!
E assim tao meiga e assim tao bella!
Sempre tao bella para o meu amor:
es no alcantil sonoro dos meus versos
aquella mesma flor...
Até que do silencio o soturno velario,
baixe pesadamente —
para mim has, de ser,
embora a tua cabeça toda branca,
seja um floco de arminho,
aquella mesma flor do meu caminho...
e quem sabe? — Talvez transfigurada
no resplendor de um mundo solitario
para guiar-me — O' Lyrio —.
na noite que não tem amanhecer.