Auto de fé Calendário · Capítulo 11 de 31
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Auto de fé

MEU AMOR

AUTO DE FÉ

Sorriste e eu te encontrei. E a claridade estranha

que de tao longe vinha em meu olhar

brilhaste e foste o lyrio immaculo e sozinho

que tanto procurei em meio do caminho,

através do Meu Valle

e'encontrei na montanha!

A montanha pareceu-me tao triste!

Choravam pedras e musgos do alcantil...

E eu ouvindo o gemer das grotas soluçantes

— O' Lyrio —

em lágrimas também transformei os meus beijos

para beijar-te o hastil!...

Depois — ô Flôr, silenciosa e modesta,

num dia de sol, tonta de luz —

em teus sonhos de aroma eu fui uma libellula

de asas azues...

Hoje sobre o meu peito inclinas a tua cabeça

e no retroz das ondas dos cabellos,

desfiam-se da seda dos novellos,

os primeiros anneis dos teus cabellos brancos.

Sorri!

E assim tao meiga e assim tao bella!

Sempre tao bella para o meu amor:

es no alcantil sonoro dos meus versos

aquella mesma flor...

Até que do silencio o soturno velario,

baixe pesadamente —

para mim has, de ser,

embora a tua cabeça toda branca,

seja um floco de arminho,

aquella mesma flor do meu caminho...

e quem sabe? — Talvez transfigurada

no resplendor de um mundo solitario

para guiar-me — O' Lyrio —.

na noite que não tem amanhecer.

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