Desejo póstumo Calendário · Capítulo 7 de 31
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Desejo póstumo

DO OUTOMNO

DESEJO POSTHUMO

Um dia em uma tarde do meu ultimo outomno,

rosaes do que soffri,

rosaes do que eu amei,

hão de cahir ao vento... e em languido abandono

adocicar com o mel dos estames doirados

esses lagos sombrios — os teus olhos chorando.

Sou eu ! O meu vulto no escuro do caminho

que se esfuma nas trevas, se dilue !

Tudo será inutil !...

não vibrarei, siquer, á glória do teu carinho

e nem serei, jamais, a sombra do que fui.

Oh ! deixa-me seguir ! Irei como vão todos !

Não me abraces e poupa-me o pudor,

do farrapo da carne gangrenada,

fria, sem côr, apathica — Monturo !

Quem disse medo ?

Apenas a saudade !

A saudade de Ti, da Pátria que resume

o amor e o lar, a terra e o céu, a esperança e a belleza,

do berço o arminho em vaporoso enredo,

do tumulo a poeira.

E pela Pátria —

fosse mister, mil vezes !

e bemdiria, apodrecer mil corações na terra !...

E do humus, do chão, brotar depois em força, em luz, em seiva.

E em louredos, rosaes, rosaes sem fim

— cobrir em gloriosas messes

a Nossa Terra inteira !

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