Desejo póstumo
DO OUTOMNO
DESEJO POSTHUMO
Um dia em uma tarde do meu ultimo outomno,
rosaes do que soffri,
rosaes do que eu amei,
hão de cahir ao vento... e em languido abandono
adocicar com o mel dos estames doirados
esses lagos sombrios — os teus olhos chorando.
Sou eu ! O meu vulto no escuro do caminho
que se esfuma nas trevas, se dilue !
Tudo será inutil !...
não vibrarei, siquer, á glória do teu carinho
e nem serei, jamais, a sombra do que fui.
Oh ! deixa-me seguir ! Irei como vão todos !
Não me abraces e poupa-me o pudor,
do farrapo da carne gangrenada,
fria, sem côr, apathica — Monturo !
Quem disse medo ?
Apenas a saudade !
A saudade de Ti, da Pátria que resume
o amor e o lar, a terra e o céu, a esperança e a belleza,
do berço o arminho em vaporoso enredo,
do tumulo a poeira.
E pela Pátria —
fosse mister, mil vezes !
e bemdiria, apodrecer mil corações na terra !...
E do humus, do chão, brotar depois em força, em luz, em seiva.
E em louredos, rosaes, rosaes sem fim
— cobrir em gloriosas messes
a Nossa Terra inteira !