#Desafio 174
O mundo lá fora é
lento,
barulhento,
raso.
Por isso me desfaço.
Sumo.
Me recolho ao abrigo de mim.
Não é por você,
é que carrego demais.
Preciso decantar o mundo,
como vinho bom.
Não tente me conter.
Não grite pra mim.
Apenas brilhe.
Pela fresta entreaberta
do que ainda sou,
seguirei tua luz.
Crs Ribeiro
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#Desafio 173
#Desafio 172
Criado-Mudo
Cúmplice quieto,
voyer das noites vazias.
Guarda um bilhete,
dois remédios vencidos,
e a meia de alguém que não voltou.
Em cima,
um copo d’água cheio
de chances que não bebi.
Não fala.
Mas vigia.
Testemunha dos silêncios,
dos nãos enviados,
dos quase.
Às vezes acho
que me conhece mais
do que os que já dormiram aqui.
O criado-mudo não trai.
Só lembra:
até o silêncio
pode ser companhia.
Crs Ribeiro
Criado-Mudo
Cúmplice quieto,
voyer das noites vazias.
Guarda um bilhete,
dois remédios vencidos,
e a meia de alguém que não voltou.
Em cima,
um copo d’água cheio
de chances que não bebi.
Não fala.
Mas vigia.
Testemunha dos silêncios,
dos nãos enviados,
dos quase.
Às vezes acho
que me conhece mais
do que os que já dormiram aqui.
O criado-mudo não trai.
Só lembra:
até o silêncio
pode ser companhia.
Crs Ribeiro
#Desafio 171
#Desafio 170
Não sou o nome que me deram,
nem o amor que ficou,
nem o corpo que esperam.
Sou o intervalo entre o sim e o quase,
o instante em que o medo vacila
e a alma respira.
Riso que escapa no meio da dor.
O “não” engolido por séculos
e que agora cuspo:
dignidade em uma tempestade.
Não sou uma história.
Sou silêncio entre duas palavras:
a pausa.
A vírgula que desafia o ponto final.
Sou feita de caos,
de perguntas que não pedem resposta,
de afetos mal costurados,
mas ainda assim, belíssimos.
Não sou metade de ninguém,
sou labirinto
e a chave.
O colo que eu mesma procuro.
E quando tudo despenca,
quando ninguém me vê,
sou chama,
vento,
início,
devir.
Porque minha essência
não depende do que dizem.
Ela só precisa
que eu lembre
quem , de fato,
Sou.
Crs Ribeiro
Não sou o nome que me deram,
nem o amor que ficou,
nem o corpo que esperam.
Sou o intervalo entre o sim e o quase,
o instante em que o medo vacila
e a alma respira.
Riso que escapa no meio da dor.
O “não” engolido por séculos
e que agora cuspo:
dignidade em uma tempestade.
Não sou uma história.
Sou silêncio entre duas palavras:
a pausa.
A vírgula que desafia o ponto final.
Sou feita de caos,
de perguntas que não pedem resposta,
de afetos mal costurados,
mas ainda assim, belíssimos.
Não sou metade de ninguém,
sou labirinto
e a chave.
O colo que eu mesma procuro.
E quando tudo despenca,
quando ninguém me vê,
sou chama,
vento,
início,
devir.
Porque minha essência
não depende do que dizem.
Ela só precisa
que eu lembre
quem , de fato,
Sou.
Crs Ribeiro
#Desafio 169
#Desafio 168
De Penas Sem Pena
O travesseiro sabe tudo.
Engole gritos,
ampara pesadelos,
ouve coisas
que nem eu admito.
Guarda lágrimas que neguei de dia,
cheiros que já não são meus,
palavras que não tive peito de cuspir.
Psicólogo sem diploma,
padre sem batina,
confessor que nunca responde
mas sempre absorve.
Às vezes sonho.
Outras, só deito.
E espero o sono vir
como quem espera um amante bêbado:
tarde,
errado,
mas melhor que nada.
Crs Ribeiro
De Penas Sem Pena
O travesseiro sabe tudo.
Engole gritos,
ampara pesadelos,
ouve coisas
que nem eu admito.
Guarda lágrimas que neguei de dia,
cheiros que já não são meus,
palavras que não tive peito de cuspir.
Psicólogo sem diploma,
padre sem batina,
confessor que nunca responde
mas sempre absorve.
Às vezes sonho.
Outras, só deito.
E espero o sono vir
como quem espera um amante bêbado:
tarde,
errado,
mas melhor que nada.
Crs Ribeiro
#Desafio 167
Ralo
O ralo leva mais do que devia.
Não é só cabelo,
é pedaço.
Um pensamento que escapa,
uma saudade antiga,
um cansaço viscoso.
Ele suga.
E eu deixo.
É bom sumir um pouco
mesmo que seja só
em partes.
Dispa-rates.
Crs Ribeiro
Ralo
O ralo leva mais do que devia.
Não é só cabelo,
é pedaço.
Um pensamento que escapa,
uma saudade antiga,
um cansaço viscoso.
Ele suga.
E eu deixo.
É bom sumir um pouco
mesmo que seja só
em partes.
Dispa-rates.
Crs Ribeiro
#Desafio 166
Fecho o box.
Paredes de vidro.
Transparência inútil:
ninguém me vê.
Aqui dentro
existo com menos barulho.
A água me cobre,
mas não me apaga.
Desmancho o rosto
para recompor depois.
O espelho não cobra,
mas também não consola.
Deixo escorrer
o que não cabe
em palavra,
ou em grito,
ou em poema.
Dói mansinho,
feito vazamento
que ninguém nota,
mas afoga.
Dói baixinho,
como tudo
que é
constante.
Crs Ribeiro
Fecho o box.
Paredes de vidro.
Transparência inútil:
ninguém me vê.
Aqui dentro
existo com menos barulho.
A água me cobre,
mas não me apaga.
Desmancho o rosto
para recompor depois.
O espelho não cobra,
mas também não consola.
Deixo escorrer
o que não cabe
em palavra,
ou em grito,
ou em poema.
Dói mansinho,
feito vazamento
que ninguém nota,
mas afoga.
Dói baixinho,
como tudo
que é
constante.
Crs Ribeiro
#Desafio 165
Higiene Pessoal
Sabonete pela metade.
Como eu.
Usada.
Lisa.
Gasto no atrito
de mãos que nunca perguntam.
Cheiro bom escondendo
a sujeira que gruda:
sorriso em manhã de ressaca.
Ninguém sabe
quanto custou se manter limpo,
parecer leve.
Só se espera.
Só se cobra
ser cheiro, ser espuma, ter graça.
Mesmo quando a alma apodrece
no canto do box.
Crs Ribeiro
Higiene Pessoal
Sabonete pela metade.
Como eu.
Usada.
Lisa.
Gasto no atrito
de mãos que nunca perguntam.
Cheiro bom escondendo
a sujeira que gruda:
sorriso em manhã de ressaca.
Ninguém sabe
quanto custou se manter limpo,
parecer leve.
Só se espera.
Só se cobra
ser cheiro, ser espuma, ter graça.
Mesmo quando a alma apodrece
no canto do box.
Crs Ribeiro